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Sou muito humorado. Se bem ou mal, depende da situação...

Em 1989 o HIV invadiu meu organismo e decretou minha morte em vida. Desde então, na minha recusa em morrer antes da hora, muito aconteceu. Abuso de drogas e consequentes caminhadas à beira do abismo, perda de muitos amigos e amigas, tratamentos experimentais e o rótulo de paciente terminal aos 35 quilos de idade. Ao mesmo tempo surgiu o Santo Graal, um coquetel de medicamentos que me mantém até hoje em condições de matar um leão e um tigre por dia, de dar suporte a meus pais que se tornaram idosos nesse tempo todo e de tentar contribuir com a luta contra essa epidemia que está sob controle.



Sob controle do vírus, naturalmente.



Aproveite o blog!!!



Beto Volpe



sexta-feira, 4 de março de 2011

O verdadeiro pai

Isso é postura de campeão! Não as bobagens homofóbicas que frequentemente escutamos em entrevistas esportivas. Deliciem-se!
Beto Volpe

Descrição da imagem: criação artística de Klaus Bernhoeft com Toninho Cerezzo ao fundo, sua filha Lea T. em primeiro plano e entre os dois o menino Leandro, todos cercados por uma linda revoada de borboletas coloridas. Um ursinho de pelúcia sobre a cama completa o quadro.

"A paternidade é livre de qualquer padrão, de qualquer critério imposto pela sociedade, filho deve ser aceito na sua totalidade, na sua integral condição de vida, independente da sua orientação sexual [...] Apesar de notar as diferenças, percebi também que nada poderia fazer, e tudo o que poderia dar a ela/ele era o meu amor incondicional [...] Você, Lea T. Cerezo, sabe muito mais que embaixadinhas. Teve coragem de, elegantemente, tentar quebrar paradigmas e mostrar ao mundo que devemos aceitar as diferenças [...] Menino ou menina, Leandro ou Lea, não importa mais, sempre serei seu pai e você, orgulhosamente, um pedaço de mim”. Esse depoimento emocionante foi dado pelo pai da transexual Lea T. - uma das top model do momento - para a revista LOLA deste mês. A elegância das ideias nos remete ao baile com bola no pé que a seleção canarinho de 1982 deu para o mundo durante a Copa da Espanha. O pai de Lea T., Toninho Cerezo, junto com um time de craques como Falcão, Sócrates, Júnior e Zico formaram uma seleção que mesmo não vitoriosa naquele ano, ficou eternizada pelos passes e pela magia de um futebol arte que o Brasil parece perder a cada ano. Para quem não viu Garrincha driblar ou a seleção de 70, esse time foi o mais próximo do que podemos chamar de “o sublime no futebol”. E isso é maior do que qualquer Copa.Toninho Cerezo é forma e conteúdo. Por isso, ele sempre será o patrão da bola. A arte de seu futebol se estendeu para sua vida. Dá pra entender a chateação que Lea T. teve com a imprensa brasileira logo depois que ela começou a aparecer nos noticiários internacionais. A top ficou magoada com os comentários que seu pai não a aceitava e não a entendia. É lógico, o certo é pensar que o ambiente machista do futebol também estivesse presente na cabeça de seus jogadores. Mas erraram todos, menos o pai e seu sentimento amoroso que passa por cima de todos os preconceitos até dos tão esclarecidos jornalistas. Toninho driblou a todos por amor a sua filha.
Vitor ângelo para o Blogay da Folha.com

Um comentário:

  1. Enquanto isso, do outro lado do arco íris...

    Alexandre Mortágua (foto), que tem 16 anos, está morando com a avó desde que a mãe foi presa por agredi-lo e também uma delegada dentro da 16ªDP da Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio.

    “Sinto que ele tem uma necessidade muito grande de chamar a atenção. Talvez por ter um pai que foi um ídolo do futebol, uma mãe famosa… Ele ainda não se descobriu. Acho até que recebeu uns espíritos ruins… Outro dia virou os olhos e começou a falar coisas estranhas”, afirmou Mortágua, que se declara evangélica.

    A ex-modelo também disse que está sem falar com o com filho desde o incidente: “Estou aqui para o que ele precisar. Afinal, sou a mãe dele. Acredito que a gente possa fazer as pazes um dia, mas não agora. O cristal se quebrou.”

    Enquanto isso, Alexandre posou para a edição de março da revista gay “Junior” e está lançando um blog de moda, o “Lady In Furs”. Ele afirma ter vontade de seguir carreira na área de moda. Ele sabe fazer moldes e tem tem duas máquinas de costura industriais que usa para confeccionar e customizar as roupas que usa. Ele conta que suas amigas adoram as blusas feitas por ele e, que, recentemente, adquiriu várias peças num brechó em Londres.

    “Vamos falar de atitude, tendências e moda. De um protesto pela diminuição do bilhete de ônibus em São Paulo, passando por um ensaio conceitual inspirado em alguma banda. Tudo vai estar no ‘Lady in Furs’”, explica ele.

    Um dos motivos da briga com a mãe foi ela ter acusado o filho de ser homossexual e usuário de drogas. Alexandre respondeu, dizendo que a mãe tem distúrbios psiquiátricos e gasta toda a pensão de 14 mil reais que ele ganha mensalmente do pai.

    Em entrevista ao site Ego, ele reclama que recebia apenas R$300,00 mensais da mãe e que nunca teve um relacionamento com o pai. Mas também reconhece que sente saudades dela, que o criou sozinha, mas no momento não pretenda procurá-la.

    Sobre sua homossexualidade, afirma: “Minha mãe sempre foi cercada de muitos gays e isso se tornou uma coisa muito natural para mim, desde pequeno… Meu primeiro beijo homossexual foi com 13 anos. Fiquei pela primeira vez e achei que fosse só curiosidade. Aconteceu de novo e vi que era isso que eu queria… Quando contei para minha mãe, ela pediu para eu não contar para ninguém. Mas o mundo é gay. Ela tentou usar isso contra mim na declaração, mas quem já me conhece sabe que eu sou gay”.

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