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Sou muito humorado. Se bem ou mal, depende da situação...

Em 1989 o HIV invadiu meu organismo e decretou minha morte em vida. Desde então, na minha recusa em morrer antes da hora, muito aconteceu. Abuso de drogas e consequentes caminhadas à beira do abismo, perda de muitos amigos e amigas, tratamentos experimentais e o rótulo de paciente terminal aos 35 quilos de idade. Ao mesmo tempo surgiu o Santo Graal, um coquetel de medicamentos que me mantém até hoje em condições de matar um leão e um tigre por dia, de dar suporte a meus pais que se tornaram idosos nesse tempo todo e de tentar contribuir com a luta contra essa epidemia que está sob controle.



Sob controle do vírus, naturalmente.



Aproveite o blog!!!



Beto Volpe



quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Fala na mesa de abertura do Congresso de Prevenção 2012

Pessoal, segue abaixo transcrição de minha fala na noite de ontem no Centro de Convenções do Anhembi durante a mesa de abertura do Congresso de Prevenção das DST/AIDS e outros três eventos simultâneos. Na ocasião tive a honra de representar a Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/AIDS (RNP+BR), o Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas (MNCP) e a Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/AIDS (RNAJVHA). Obrigado pela confiança, galera.
Beto Volpe

BOA NOITE, EXMO SR MINISTRO DE ESTADO DA SAÚDE, DR ALEXANDRE PADILHA, DEMAIS AUTORIDADES E MEMBROS DA MESA,

ANTES DE INICIAR MINHA FALA, E COM TODO O RESPEITO ÀS REPRESENTAÇÕES DOS GESTORES, MAS A FALTA DOS TITULARES NESTA MESA DE ABERTURA DEMONSTRA A QUE PONTO CHEGOU A BANALIZAÇÃO DA EPIDEMIA. ESTE CONGRESSO, POR SUA IMPORTÂNCIA, DEVERIA TER A PRESENÇA DA PRESIDENTA DILMA OU DO MINISTRO PADILHA. É VERGONHOSO!

GOSTARIA DE, EM NOME DO MOVIMENTO NACIONAL DE PESSOAS VIVENDO COM HIV/AIDS, PRESTAR NOSSA SOLIDARIEDADE AO DR DIRCEU GRECCO, PELO QUAL TEMOS PROFUNDO CARINHO,.

BOA NOITE, SENHORAS E SENHORES PRESENTES AOS EVENTOS EM DST/AIDS/HEPATITES VIRAIS QUE TÊM INÍCIO HOJE NA CIDADE DE SÃO PAULO.

CIDADE PARA QUAL OS OLHOS DO MUNDO ESTÃO VOLTADOS NA EXPECTATIVA DE VER OS DESDOBRAMENTOS DA HISTÓRICA MANIFESTAÇÃO OCORRIDA NA CONFERÊNCIA DE WASHINGTON, ONDE ATIVISTAS BRASILEIROS INVADIRAM A SALA DE IMPRENSA EM PROTESTO CONTRA O SOMBRIO PANORAMA DA EPIDEMIA DE AIDS NO BRASIL. PROTESTO ESSE SUBSCRITO PELA UNAIDS, PELO ALTO COMISSARIADO EM DDHH DA ONU E PELA ORGANIZAÇÃO PANAMERICANA DE SAÚDE QUE NO MESMO EVENTO DECLARARAM SUA PROFUNDA PREOCUPAÇÃO COM O RETROCESSO DE POLÍTICAS PÚBLICAS EM AIDS NO BRASIL.

RETROCESSO ESSE CAUSADO PELO ABSOLUTO DESPREZO A CARTA DE COMPROMISSOS FIRMADA COM O MOVIMENTO BRASILEIRO DE LUTA CONTRA A AIDS PELA ENTÃO CANDIDATA SENHORA DILMA ROUSSEFF.

A DESPEITO DOS AVANÇOS REALIZADOS NESSAS TRÈS DÉCADAS, O BRASIL AINDA APRESENTA MAIS DE 30 MIL NOVOS CASOS AO ANO.     ESSE NÚMERO ELEVADO DE NOVAS INFECÇÕES NÃO É UMA SURPRESA, UMA VEZ QUE TEMOS DEZENAS DE MILHÕES DE REAIS ACUMULADOS EM PAMS ESTADUAIS E MUNICIPAIS, PARA DESESPERO DE CO0ORDENADORES E COBIÇA DOS SECRETÁRIOS ESTADUAIS E MUNICIPAIS DE SAÚDE, SEM QUE MEDIDAS ENÉRGICAS SEJAM TOMADAS CONTRA ESSE CRIME CONTRA A SAÚDE PÚBLICA E CONTRA O POVO BRASILEIRO.

O FUNDAMENTALISMO CRISTÃO AUMENTA DRMATICAMENTE SUA INCIDÊNCIA SOBRE AS TRÊS ESFERAS E NÍVEIS DE GOVERNO REPRESENTANDO A MAIOR AMEAÇA AS AÇÕES EM DST/AIDS NO BRASIL, SEGUNDO OS MESMOS ORGANISMOS INTERNACIONAIS ANTERIORMENTE CITADOS. ESSA FORÇA POLÍTICA FOI EVIDENCIADA COM A RECENTE CENSURA AO KIT ANTI HOMOFOBIA E À CAMPANHA DE CARNAVAL DESTE ANO VOLTADA PARA O PÚBLICO LGBT.

E QUANDO O GOVERNO DEMONSTRA TOLERÂNCIA COM A HOMOFOBIA, A INTOLERÂNCIA SE SENTE NO LEGÍTIMO DIREITO DE DISCRMINAR, DE AGREDIR, DE MATAR HOMOSSEXUAIS E T RAVESTIS, ESTAS EM UMA ESCALA ASSUSTADORARAMENTE CRESCENTE EM NÚMERO E CRUELDADE.

OUTRA GRANDE DESAFIO É A DESCENTRALIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA, ELA REPRESENTA O FIM DA EQUIPE MULTIDISCIPLINAR PARA AS PESSOAS QUE APRESENTAM UMA ‘BAIXA COMPLEXIDADE, ASSIM CLASSIFICADO PELA ÁREA TÉCNICA.

ORA, SENHOR MINISTRO. QUANDO A REFERÊNCIA MUNDIAL NO ENFRENTAMENTO À EPIDEMIA CONSIDERA ‘VIVER COM HIV’ UMA BAIXA COMPLEXIDADE, ELE DEMONSTRA O PONTO EM QUE CHEGOU A BANALIZAÇÃO DE UMA EPIDEMIA QUE ESTÁ A ANOS LUZ DE SER CONSIDERADA CRÔNICA OU SOB CONTROLE.

ESSA BANALIZAÇÃO FICA EVIDENTE NA PARCA VIGILÃNCIA EM SAÚDE DAS PESSOAS VIVENDO. HÁ MAIS DE DEZ ANOS NÓS GRITAMOS DESESPERADOS QUE ALGO ERRADO ESTAVA OCORRENDO, SEM QUE NOSSAS VOZES FOSSEM OUVIDAS E TRANSFORMADAS EM AÇÕES.

O RESULTADO É QUE HOJE MORREMOS DE PROBLEMAS CARDIOVASCULARES, RENAIS E  CÂNCERES EM UMA INCIDÊNCIA ABSURDAMENTE SUPERIOR À POPULAÇÃO NÃO INFECTADA. HOJE SOMOS LANÇADOS A SITUAÇÕES DE DEFICIÊNCIA PELOS DANOS ÓSSEOS E ÀS TREVAS PELA DEMÊNCIA, O MAIS RECENTE FANTASMA QUE NOS TIRA O SONO.

ISSO TUDO ACONTECE SOB O MANTO DA INVISIBILIDADE PARA OS PERITOS MÉDICOS DO INSS, QUE DECLARAM PUBLICAMENTE QUE QUEM TOMA O COQUETEL TEM UMA VIDA IGUAL À DE ANTES.

O ENVELHECIMENTO PRECOCE É UMA REALIDADE, QUE SE MANIFESTA INCLUSIVE NOS JOVENS, QUE REPRESENTAM UM TERÇO DAS NOVAS INFECÇÕES E QUE JÁ TÊM DIFICULDADES DE EREÇÃO E MENOPAUSA ANTES MESMO QUE SEUS PAIS, ALÉM DE ENTRAVES NO ACESSO À EDUCAÇÃO, AO TRABALHO, AO LAZER E A SERVIÇOS DE SAÚDE SEXUAL E REPRODUTIVA.

NÃO PODEMOS ESQUECER DA SITUAÇÃO DAS MULHERES VIVENDO QUE, COMO EM TODAS AS ÁREAS DA SOCIEDADE, SÃO SUBESTIMADAS EM SUAS NECESSIDADES EM PESQUISAS, NO TRATAMENTO E EM DIREITOS HUMANOS.

POR FIM, COM A MUDANÇA DE STATUS DO BRASIL PARA PAÍS DOADOR E A MIGRAÇÃO DOS FINANCIADORES INTERNACIONAIS PARA A LUTA CONTRA O CÂNCER, OS RECURSOS DIMINUÍRAM SENSIVELMENTE, CAUSANDO O FECHAMENTO DE DIVERSAS INSTITUIÇÕES E A AGONIA DE OUTRAS TANTAS QUE VÊEM A FALÊNCIA DE SUAS ATIVIDADES BATER ÀS SUAS PORTAS. DIMINUINDO A CAPACITADE DAS ONGS EM EFETIVAR UM CONTROLE SOCIAL ADEQUADO, TAMBÉM NOTADO PELOS ORGANISMOS SOCIAIS AQUI CITADOS.

SENHOR MINISTRO PADILHA, NÓS QUE VIVEMOS COM HIV CHEGAMOS AO NOSSO LIMITE. CANSAMOS DE VER NOSSA VOZ IGNORADA E DECIDIMOS RETOMAR O ATIVISMO QUE MARCOU O MOVIMENTO ANTES DO COQUETEL. SAIREMOS ÀS RUAS, INVADIREMOS MAIS SALAS DE IMPRENSA, OCUPAREMOS AS REDES SOCIAIS.

TEMOS QUE VOLTAR, TODOS, A OUSAR, A SERMOS INTRANSIGENTES COM ESSA EPIDEMIA COVARDE,. TEMOS QUE RETOMAR A CARTILHA DO PASSADO, ONDE A AIDS ERA UMA URGÊNCIA
EM OUTRAS PALAVRAS, TEMOS QUE FAZER A LIÇÃO DE CASA.

AFINAL, A NOVA CARA DA AIDS É TÃO FEIA QUANTO A ANTERIOR.

OBRIGADO.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

O rei está nu.

 
Descrição  imagem: desenho de uma multidão difusa em tom pastel rosa e marrom em volta de um rei que  se surpreende nu.
Na próxima semana acontecerá na cidade de São Paulo o maior evento em DST/Aids e Hepatites Virais da América Latina. Na verdade, serão dois congressos nacionais e dois fóruns latino americanos e caribenhos, onde milhares de gestores, profissionais de saúde, ativistas e pessoas vivendo com HIV irão enfrentar os desafios de construir a prevenção, de definir o papel das redes de saúde e também refletir criticamente sobre uma sociedade que se transforma velozmente em seus conceitos e valores.

No entanto, sob a perspectiva que a sociedade civil aponta há anos e hoje é referendada por organismos internacionais, o que falta ao Brasil é fazer a lição de casa. É tentar recuperar o prestígio e a credibilidade que outrora marcaram a estratégia brasileira, que hoje se tornou um exemplo de quão tênue pode ser a linha que separa o propalado controle da epidemia do sério retrocesso em políticas públicas para o combate à aids e defesa dos direitos humanos.

A manifestação recentemente ocorrida durante a Conferência Internacional de aids em Washington, onde ativistas brasileiros invadiram a sala de imprensa para protestar contra o sombrio panorama nacional, foi um marco para o ativismo brasileiro. O grupo exclamou que o rei estava nu e o mundo viu aquilo que parece que somente as ONGs e pessoas com HIV sabiam há muitos anos. A partir de então os olhos do mundo voltaram-se para o IX Congresso Brasileiro de Prevenção à Aids na expectativa de ver esse debate se aprofundar. De ver como o governo irá reagir quando a sociedade civil exigir a urgente reformulação da política nacional de AIDS, hoje também cobrada publicamente pela UNAIDS, pela Organização Panamericana de Saúde e pelo Alto Comissariado em Direitos Humanos da ONU.

Também em Washington, respondendo a uma questão sobre episódios anteriores de falta de medicamentos, o diretor do programa brasileiro afirmou que hoje não há esse risco, que ele dorme tranquilo. Esse congresso deve ter como objetivo principal tirar o sono tranquilo dos gestores. Fazer com que eles se sintam tão insones quanto as pessoas vivendo com HIV que não conseguem suas internações e consultas em especialidades e que também estão apreensivas com os efeitos colaterais dos medicamentos que hoje estão matando mais que a própria aids, sem uma vigilância em saúde adequada. Que fiquem tão sem sono e preocupados como os dirigentes de ONGs e lideranças de redes que se deparam com a escassez de recursos e a falência de suas atividades batendo à porta. Apreensivos como travestis e homossexuais, que são brutalizados e assassinados por conta de uma intolerância assustadoramente violenta.

Enfim, intranquilos como todos os liberais, que assistem uma incidência religiosa crescente em todas as esferas e níveis de governo, tendo sido considerada pela ONU como a principal ameaça às ações em HIV/aids no Brasil.

O rei está nu. Foi despido internacionalmente e agora não tem outro caminho senão uma reflexão aprofundada sobre o contexto atual e, sobretudo, atitude para mudar caminhos e traçar novas prioridades. De rever o processo de descentralização que, a despeito de sua motivação constitucional, praticamente acabou com as ações locais de prevenção e ameaça seriamente a assistência das pessoas vivendo com HIV com o desmonte dos centros de referência e transferência do tratamento para a rede básica de saúde. A mesma rede básica que aparece nos telejornais todos os dias e que normalmente acabam com a morte de alguém.

E a forma mais eficaz que nosso Estado democrático tem para viabilizar essa mudança é a convocação e realização da tão sonhada Conferência Nacional de Aids, espaço legítimo para ouvir, ser ouvido, decidir e responsabilizar. De firmar ágeis e confiáveis mecanismos de monitoramento e avaliação para não incorrermos novamente no erro de construir sobre terreno pantanoso.

Temos que nos reinventar, fazer o mesmo que o HIV, que se transforma a cada obstáculo que interponhamos em seu caminho, seja ele uma política pública ou um novo medicamento. De ter uma escuta ativa para a voz das pessoas vivendo com HIV, cuja percepção e vivência são frequentemente menosprezadas por não terem uma qualificação técnica ou uma titularidade acadêmica.

Temos que ser humildes e reconhecer que o maior erro cometido na história da epidemia foi anunciar ao mundo que a aids estava ‘sob controle, crônica como diabetes’. Caso contrário, corremos o sério risco de ver todo o trabalho construído ao longo de décadas ruir sobre berço esplêndido.

É hora de sair do berço, vestir as roupas e fazer a lição de casa.

Beto Volpe é um dos representantes do colegiado da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids (RNP+) no Estado de São Paulo e presidente do Grupo Hipupiara, de São Vicente.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

"Quem puder trabalhar, trabalhe, mas para quem está incapacitado deve ser concedido o que lhe é de direito" Da Matta, ativista lembrando o óbvio.

Descrição da imagem: apostila Perito Médico Previdenciário do INSS em capa dura azul, letras brancas e logo do INSS ao centro.


Atualização em 14.08.12, a partir do comentário de Josimar, onde houve réplicas e tréplicas e o preconceito na área médica é cada vez mais evidenciado.

 

Pessoal, essa notícia da Agência AIDS foi reproduzida no blog da categoria de peritos previdenciários, gerando a graça de comentário do senhor abaixo mencionado. E, mais abaixo, minha resposta até o momento aguardando moderação. Pelo teor do comentário do fofo se tem uma idéia do quanto ainda falta para a humanização da previdência, apesar das várias conquistas desse batalhador Renato da Matta, do Rio de Janeiro e de outras pessoas abnegadas que não arrefecem a luta.

Beto Volpe

Ativistas pedem perícia justa para representantes do INSS 
2/08/2012 - 11h50
Representantes do Grupo Pela Vidda de Niterói se reuniram com o presidente do INSS, Dr. Mauro Luciano Hauschild, a fim de discutir pontos relativos ao HIV e a aids. Na reunião, ficou acordada a mudança do decreto 3048, negociada há cerca de um ano com o Ministério da Previdência Social. A mudança retira do texto a chamada para a perícia e a desaposentação para as pessoas vivendo com HIV e outras doenças. O novo texto aguarda agora a sanção da presidente Dilma Rousseff. 
Renato da Matta, presente na reunião, diz que os representantes do Ministério caracterizam os erros de perícia, como suspensão de auxílio-doença ou outros direitos, como pontuais. “Como pontuais, se o INSS tem quatro milhões e meio de processos contra ele?”, diz. “Ninguém quer se fazer de coitadinho e não queremos pena de ninguém, apenas o justo . Não pedimos o benefício para quem pode trabalhar, apenas respeito e uma perícia justa. Quem puder trabalhar, trabalhe, mas para quem está incapacitado deve ser concedido o que lhe é de direito”, completa. 
Redação da Agência de Notícias da Aids

3 comentários:

Francisco Cardoso disse...
Por que as pessoas vivendo com AIDS seriam melhores que as outras para terem o privilégio de não serem desaposentadas por invalidez? Justamente numa doença que mudou de perfil drasticamente nos últimos anos, deixando de ser uma infecção mortal para uma doença crônica que controlada com medicamentos gratuitos faz a pessoa ter a mesma expectativa de vida que antes?

Quanto ao lembrete, é meio óbvio que quem está incapaz seja afastado, mas é bom lembrar que a pessoa tem que estar em dia com o INSS. Na minha experiência, 100% dos incapazes vivendo com HIV que não recebem benefício são por motivo administrativo (Data da doença anterior à entrada no RGPS). 

Aí entra minha resposta: 

Prezado Francisco. Você não imagina o privilégio que é viver com AIDS. Eu que o diga, eu faço isso há 23 anos. De lá para cá muita coisa aconteceu, culminando com a declaração de meu estado como terminal em 96, com 34 quilos. Aí apareceu o coquetel e conseguiu me resgatar daquela situação pouco antes do apito final e permitiu que eu continuasse vivo para desfrutar dessa maravilhosa fase de 'doença crônica que controlada com medicamentos gratuitos faz a pessoa er a mesma expectativa de vida de antes'.
Prezado Francisco, talvez não seja de vosso conhecimento, mas os medicamentos aos quais você se refere, são extremamente potentes e que devem ser tomados até o fim de nossas vidas ou a descoberta da cura da AIDS. Isso faz com que o DNA de nossas mitocôndrias seja duramente atingido, provocando uma série de efeitos colaterais que vão muito além dos enjôos e outras desordens gastrintestinais. Eu, privilegiado que sou, já tive três cânceres e seus devidos tratamentos, osteoporose com fratura de fêmur, osteonecrose com duas próteses de quadril já inntaladas e duas já em vista para a região dos joelhos, passei por 23 cirurgias motivadas, em sua maioria, pelo envelhecimento precoce de nosso organismo. Vários estudos recentes demonstram o que vimos gritando há anos: os efeitos colaterais estão matando mais que a AIDS.
Não sei se isso bastaria para você refletir sobre o privilégio que é viver com AIDS, caso contrário ainda tenho outro argumento, o social (que deveria fazer parte do modelo pereicial brasileiro): muitos de nós fomos aposentados compulsoriamente por conta de nossa sorologia, mantidos à margem da sociedade pelo preconceito e desatualizados das transformações ocorridas no ambiente de trabalho por conta do advento de novas tecnologias, modelos de gestão, etc.
Sinceramente, Francisco Cardoso.... você ainda considera um privilégio não desaposentar as pessoas que vivem com AIDS?     

JOSIMAR Costa disse...
Concordo com o Sr. Beto Volpe. O Dr. (será realmente Dr.) Francisco Cardoso, apenas compreende o mundo que vive. Não é capaz de ser humano e vislumbrar as deficiência das patologias. Gostaria de saber se o Dr. ou Sr. Francisco Cardoso, pensaria da mesma maneira se tivesse o virus HIV e passasse a ter Aids no seu sangue, quanto a sua vida, relações pessoais, relacionamento intimo, profissional, vida social, e outros necessidades ligadas a vida? O Sr. ou Dr., poderia passar por esta provação, para, então, dizer o que é viver e conviver com AIDS. Se é uma doença crônica, tratável, de vida fácil, permita-se contaminar, então iniciaremos uma nova discussão de igual para igual, então veremos a sua verdade o opinião se será a mesma. Vivo com AIDS a 18 anos, tenho insuficiência cardiaca, inicio de neuropatia periférica, intolerância a determinadas substâncias compostas nos medicamento, imunidade baixa à mais de 05 anos (180/220 em média), insuficiência renal crônica - diga-se - perda do rim direito, hipertensão severa de difícil controle, lipodistrofia, enfraquecimento da estrutura óssea, dematite permanente, fungos dermatológicos, enfraquecimento e perda da dentição,cicatriz no olho direito pelo CMV com perda parcial da visão,e sequelado de EC. Tudo isso pelo uso correto e permanente dos ARV, que mantem vivo. Mas o preço é alto. Se o Sr. ou Dr., considera Aids com todos os efeitos colateráis do ARV normal, doença crónica, digo: Permita-se contaminar para continuar dizendo "doença crônica".

Francisco Cardoso disse...
Alguém aqui leu que eu disse ser privilégio viver com AIDS? Repetindo o tópico: Quem está com AIDS e com sequelas da doença e /ou da terapia com certeza faz jus à aposentadoria. O que não faz sentido é essa eterna vitimização dos pacientes vivendo com HIV, como se viver com Espondiliet Anquilosante ou Lupus ou Hepatite C Crônica com cirrose fosse melhor. Por isso, querer "privilégios legais" em virtude da infecção é descabido. Ainda mais para uma doença cujo perfil de morbimortalidade mudou dramaticamente após a introdução da terapia antirretroviral. Desconheço estudos que digam que efeitos colaterais das medicações matem mais que a AIDS em si e desconheço essa ação do remédio no DNA das pessoas, isso parece papo de "X-men". O que eu conheço e bem é o que ocorre aos pacientes vivendo com HIV que não tomam remédios.

A lei manda revisar as LI em 2 anos e passou da hora do INSS fazer isso. Obviamente sou contra em alguns casos, como idosos onde não faz o menor sentido esse discurso. Mas não desaposentar por "tipo de doença"? Que absurdo é esse? A desaposentação é sempre um ato individual e jamais coletivo. Existem pessoas vivendo com HIV que podem ser desaposentadas e outras não. A incapacidade por invalidez se refere à doença e não à técnica, expertise ou conhecimentos de tecnologia.
Heltron Xavier disse...
Os leitores nao sabem e nem desconfiam é que Chico é um perito do inss de fato especialista estudioso e pós-graduado em HIV e conhece de perto os maiores centros do país. Exatamente por isso eu concordo com a sua visao.
Beto Volpe disse...
O que os peritos não sabem e nem desconfiam, do alto de seus estudos e pós graduações, é que essa ação coletiva é justamente a que está em andamento, senão não faria sentido nossa reação. Muitos e muitos são os casos onde o perito simplesmente olha o diagnóstico e, por conta da cronicidade que o estudioso e pós graduado em HIV acredita existir, dá alta.
É a mesma arrogância de quem sequer reconhece que está desatualizado com relação às transformações drásticas 'para melhor' na epidemia de AIDS. E também em desprezar absolutamente o aspecto social da epidemia.
Assim vocês só reforçam o estigma de que se os médicos se acham deuses, os peritos têm plena convicção de que os são.

Aliás, segue um convite: o perito Francisco gostaria de participar do 1º Seminário Nacional de Eventos Adversos de Medicamentos em AIDS e Hepatites Virais? Sou o coordenador do evento e teria o maior prazer em discutir esses assuntos junto ao perito e a algumas sumidades da área médica que lá estarão.

Cuidado, doutor Heltron, concordar com um ponto de vista baseado 'exatamente' na formação acadêmica de outrém já colocou muita gente em jalecos justos....
Heltron Xavier disse...
Sou médico. Como tal tenho alguns conceitos inabaláveis.

1) A opinião pessoal sobre algo em que estamos inseridos é contaminada
2) A opinião de um especialista é inferior a evidencia cientifica, mas superior a do leigo
3) A injustiça deve ser combatida com mais vigor que o sentimento de fazer justiça
4) O especialista foi quem garantiu a sobrevida dos soropositivos através do estudo, dedicação.
5) Ter uma vida normal e ser livre é um preço que muita gente doente não quer pagar.


Concordo sim e garanto 90% dos médicos também. Os portadores de HIV não devem ter nenhuma vantagem sobre os portadores de patologias crônicas reumatológicas e outras doenças tantas que causam dor e sofrimento. Não deve existir legislação para nenhuma patologia específica.

O INSS tem diretrizes claras e objetivas medicas para manutenção e cessação do beneficio. Preconceito não é uma delas e nem entendo que deva ser.
    

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Caminhos da Inclusão


 Amigas e amigos, é uma grande honra convidar a todos para o lançamento do livro "Caminhos da Inclusão', da autora e querida amiga Marta Almeida Gil.  Parabéns ao SENAI pelos seus 70 anos e pela brilhante maneira de comemorar, lançando sua editora em grande estilo.
Beto Volpe


Paulo Skaf, Presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – FIESP, do Serviço Social da Indústria – SESI-SP e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI-SP convida para o lançamento do livro “Caminhos da Inclusão” na Bienal Internacional do Livro, 16 de agosto de 2012.

O livro tem recursos de acessibilidade: todos os exemplares têm CD ROM com o texto em formato DAISY e braile na capa e no CD ROM.

O evento será precedido pela Mesa de Debates “Caminhos da Inclusão”, com Marta Gil e Sandra Rodrigues da Silva Chang

Horário: 19h00 – Mesa de Debates
               20h00 – Lançamento

Haverá intérprete de Libras

Local: Pavilhão de Exposições do Anhembi
Avenida Olavo Fontoura, 1.209 – Santana
Estande 80 – Rua “E”

A capa do livro está à esquerda do convite e tem uma foto em preto e branco, em plano médio (da cintura para cima), de um jovem de pele clara, cabelos pretos curtos, vestindo camisa clara com óculos escuros e luvas. Ele está no meio de caixas de papelão desmontadas, segurando uma placa ao lado de uma máquina.
No centro da foto, está escrito sobre um retângulo verde o título "Caminhos da Inclusão" em caixa alta com letras brancas e abaixo sobre um retângulo laranja o subtítulo: A história da formação profissional de pessoas com deficiência no SENAI -SP.

Informações sobre ingressos: www.bienaldolivrosp.com.br ou pelo telefone (11) 3549-4499

Ao final, as assinaturas da FIESP, SESI e SENAI