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Sou muito humorado. Se bem ou mal, depende da situação...

Em 1989 o HIV invadiu meu organismo e decretou minha morte em vida. Desde então, na minha recusa em morrer antes da hora, muito aconteceu. Abuso de drogas e consequentes caminhadas à beira do abismo, perda de muitos amigos e amigas, tratamentos experimentais e o rótulo de paciente terminal aos 35 quilos de idade. Ao mesmo tempo surgiu o Santo Graal, um coquetel de medicamentos que me mantém até hoje em condições de matar um leão e um tigre por dia, de dar suporte a meus pais que se tornaram idosos nesse tempo todo e de tentar contribuir com a luta contra essa epidemia que está sob controle.



Sob controle do vírus, naturalmente.



Aproveite o blog!!!



Beto Volpe



sexta-feira, 8 de maio de 2015

“Molécula-Abridora” do HIV expõe as partes mais vulneráveis do vírus; o que significa um “possível desenvolvimento de uma vacina. ”

Pessoal, há muito tempo não tenho o prazer de publicar notícia tão alvissareira como essa que me foi passada pelo grande Cláudio Souza em seu site
Deliciem-se!
Beto Volpe



Ao testar uma molécula desenvolvida recentemente, JP-III-48, em amostras de sangue de pacientes HIV-positivos, os pesquisadores da Universidade de Montreal, no Canadá observaram algo inovador. A molécula tinha a capacidade de abrir o HIV “como uma flor.” Embora este achado ainda esteja em seus estágios iniciais, a equipe espera que possam definir uma base para novas medidas preventivas e, possivelmente, mesmo uma maneira de eliminar o vírus de pessoas já infectadas pelo HIV.
Parte da razão pela qual os cientistas encontram uma grande dificuldade em criar uma vacina para o HIV é que o vírus tem uma maneira única de escapar ao sistema imunológico. Embora o hospedeiro crie anticorpos contra o HIV, não existe uma maneira de alcançar fisicamente o vírus, é difícil para o corpo humano montar uma resposta imune efetiva contra ele. Um estudo recentemente publicado pela Academia Nacional das Ciências, sugere uma maneira de contornar as defesas do HIV.
O vírus é semelhante a um pacote hermeticamente fechado. Descobrir uma forma de ”abrir” o HIV permitiria que os anticorpos cheguem a regiões mais vulneráveis do vírus e eliminem, assim, a infecção.
Harvard e a Universidade da Pensilvânia os pesquisadores desenvolveram JP-III-48, mas em Montreal, Canadá, pesquisadores foram os primeiros a testar com sucesso em pacientes HIV-positivos. A molécula imita a CD4, uma proteína localizada na superfície dos linfócitos T. A proteína CD4, que dá seu nome às células específicas do sistema imunológico que o HIV infecta, funciona como uma porta de entrada para as células T e permite que o HIV entre e infecte as células. Foi em Montreal o primeiro estudo em que os pesquisadores adicionaram a molécula JP-III-48 em pacientes infectados com HIV-1 (a forma mais comum do vírus) e testemunhou-se a “abertura das estruturas virais como flores”.
“A adição da pequena molécula viral envolve as forças necessárias para abrir o vírus como uma flor “, disse o autor do estudo, Jonathan Richard, explicando em um Comunicado à Imprensa. A molécula força o vírus a expor as partes que são reconhecidas por anticorpos do hospedeiro. Os anticorpos e, em seguida, cria uma espécie de ponte com algumas células do sistema imune e forma um ataque. “Os anticorpos que estão presentes naturalmente após a infecção podendo direcionar as células infectadas pelo vírus para que elas sejam mortas pelo sistema imunológico,” acrescentou Richard.
Vírus HIV
Representação gráfica do HIV “aberto”.
Até agora, os efeitos da molécula JP-III-48 sobre o HIV só foram observadas no soro de pacientes HIV-positivos, mas os pesquisadores esperam que em breve o teste desta “molécula-abridora” em primatas com uma versão símia do vírus.
Os pesquisadores especulam que esta descoberta poderia ter enorme potencial em pesquisas para o desenvolvimento de uma vacina contra o HIV/AIDS. Outro fator que torna tão difícil a luta contra o HIV é que, mesmo se eliminando o vírus totalmente da corrente sanguínea, restam vestígios ainda latentes do HIV em reservatórios, à espera de retornar assim que cessa o tratamento.
A equipe acredita que a “molécula-abridor” possa desempenhar um papel importante na superação desta defesa viral. Se os cientistas puderem desenvolver uma forma de “patrulha-choque” contra os vírus, de forma a força-los a deixarem seus reservatórios eles podem ser mortos usando a “molécula-abridora” como na estratégia explicada no início deste artigo, utilizando os anticorpos que o organismo é capaz de gerar.
Fonte do artigo original:
Source: Richard J, Veillette M, Brassard N, et al. CD4 mimetics sensitize HIV-1-infected cells to ADCC. PNAS. 2015.

terça-feira, 5 de maio de 2015

O velhinho maluquinho

Compartilho com vocês texto de Jean Wyllys que expressa meu sentimento com relação ao Velhinho Maluquinho. (o título do texto neste blog é de minha autoria, uma vez que ele não existe em seu original na página de Jean do FB.
Beto Volpe




Fiquei muito triste pelas atitudes homofóbicas do antropólogo Roberto DaMatta e o cartunista Ziraldo, duas pessoas cuja obra (acadêmica, no primeiro caso, e artística, no segundo) tem sido importante para compreender e representar o Brasil. Para quem não tiver lido as notícias sobre eles, seguem os links:




Sempre admirei muito o trabalho do Roberto DaMatta e, por isso, escrevo essas linhas com tristeza. Sou contra os "linchamentos virtuais", mesmo quando eles começam (na opinião de quem os inicia) por uma "boa causa", e por isso não quero que minhas palavras deem espaço a isso (por isso, também, comentários ofensivos no post ou insultos a qualquer um deles serão deletados), mas não posso deixar de dizer o quanto lamento que um intelectual que sempre respeitei — e cujas etnografias têm sido tão importantes para interpretar o Brasil e sua cultura popular, assim como sua leitura de Tocqueville é importante para compreender e debater a democracia — seja capaz de mostrar um preconceito homofóbico tão desumano. Parece que ele não leu sua própria obra. Conheço o Roberto; ele sempre me tratou muito bem e nunca me pareceu que a minha orientação sexual fosse um problema para ele, mas a gente nunca conhece inteiramente as pessoas e nunca sabe quando seus preconceitos inconfessáveis podem aflorar. O relato de Paulo Betti, que não foi desmentido por DaMatta, é realmente chocante! É uma ofensa gratuita a todos nós!

No caso do Ziraldo, confesso que não me surpreendeu. Dez anos atrás, quando eu ainda não era deputado, ele se recusou a compor uma mesa comigo na Feira do Livro de Porto Alegre e os organizadores me contaram que era por causa da minha sexualidade. Na época, preferi não fazer público o acontecido, porque avaliei que acabaria dando lugar a mais um escândalo midiático sem qualquer resultado positivo, mas a partir daquele momento ele se apequenou para mim. Qualquer talento e contribuição para a cultura que ele tenha dado perdeu o brilho para mim, porque por trás dela havia uma pessoa doente de ódio, que não conseguia dividir uma simples conversa com outra pessoa por conta de sua sexualidade. Mas o tempo passou e olhem que ironia: Ziraldo é o autor da logo do PSOL, partido pelo qual esse cara com quem ele não quis sentar na mesma mesa se elegeu e reelegeu deputado. O sol dele, talvez contra a sua própria vontade (já que a criação sempre diz mais do que o criador queria dizer), ilumina um partido que tem o único parlamentar homossexual assumido do Brasil..

Pois é, o criador tem muito o que aprender com sua criatura (como ilustra a imagem deste post, retirada de uma cartilha publicada em 2010 pelo MEC e pela Secretaria de Direitos Humano, ilustrada por Ziraldo:http://bit.ly/1QgHTPs ). 

Não conheço os termos usados por DaMatta para se referir à representação de homossexualidade feita por Paulo Betti — o ator não divulgou o conteúdo exato da fala, mas se referiu às expressões do antropólogo como "muito violentas". Mas não é mera coincidência que DaMatta e Ziraldo se refiram à visibilidade de gays e lésbicas em telenovelas, o principal produto cultural consumido pelos brasileiros. Em ambas as falas, nota-se a expressão daquela homofobia que, por um lado, prescreve a "tolerância" em relação em relação aos homossexuais, mas, por outro, considera que a heterossexualidade é a única a merecer o reconhecimento da sociedade por meio da livre e onipresente representação nas telenovelas e, por conseguinte, a única prática sexual e afetiva a ser institucionalizada. DaMatta e Ziraldo são daqueles intelectuais que falam em "tolerância", mas que se mostram intolerantes em relação à saída da homossexualidade da privacidade e do silêncio onde eles imaginam que esta deve estar confinada. Para ambos, a única sexualidade que pode vir a público — seja na troca de afetos em bares, restaurantes e casas de shows, seja por meio da representação audiovisual — é a heterossexualidade. Daí o fato de Ziraldo e DaMatta desrespeitarem não apenas dois artistas importantes, mas também os gays e lésbicas que certamente mantêm algum tipo de relação com ambos (além do desrespeito a toda comunidade LGBT). Essa forma de homofobia se revela particularmente nefasta porque deseja retroceder em relação às conquistas democráticas e nos empurrar para o armário. 

Desculpem-me, Ziraldo e DaMatta, para o armário eu não volto, tampouco para o silêncio! Vocês terão de conviver com pessoas como eu, agora capazes de desmascarar seus discursos nos espaços que vocês imaginavam que eram exclusividade de pessoas como vocês!

Jean Wyllys