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Sou muito humorado. Se bem ou mal, depende da situação...

Em 1989 o HIV invadiu meu organismo e decretou minha morte em vida. Desde então, na minha recusa em morrer antes da hora, muito aconteceu. Abuso de drogas e consequentes caminhadas à beira do abismo, perda de muitos amigos e amigas, tratamentos experimentais e o rótulo de paciente terminal aos 35 quilos de idade. Ao mesmo tempo surgiu o Santo Graal, um coquetel de medicamentos que me mantém até hoje em condições de matar um leão e um tigre por dia, de dar suporte a meus pais que se tornaram idosos nesse tempo todo e de tentar contribuir com a luta contra essa epidemia que está sob controle.



Sob controle do vírus, naturalmente.



Aproveite o blog!!!



Beto Volpe



sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Americano com HIV é acusado de contaminar de propósito 24 parceiros

Uma coisa é a co responsabilidade na transmissão do HIV, afinal, não se adquire o vírus sem consentimento. Mas fazer o que esse mané fez é crime e deve ser punido.
Beto Volpe



Um morador de San Diego, na Califórnia (EUA), portador do vírus da Aids, é acusado de infectar 24 homens propositalmente ao praticar sexo com eles sem proteção. Pelo menos dois ex-parceiros confirmaram ter contraído a doença.
Thomas Guerra, 29, também conhecido como Ashton Chavez, foi indiciado pela promotoria da cidade de San Diego pelo delito de expor indivíduos a doença infecciosa, que pode resultar em até seis meses de prisão e multa de US$ 1.000. Porém, os promotores afirmam que mais acusações poderão ser apresentadas caso mais vítimas fizerem denúncias contra Guerra.
Segundo o canal "CBS News 8", o atual namorado de Guerra, que não teve o nome divulgado, ficou chocado ao achar centenas de mensagens de texto no celular em que o soropositivo se gabava em infectar outras pessoas. Ele foi alertado pelo ex-parceiro de Guerra que fez a denúncia à promotoria de San Diego.
"Em algumas mensagens ele dizia não ter o vírus e, em outras, ele se vangloriava por dar às pessoas sua 'carga positiva'. É cruel, é... não sei como alguém pode tratar outro indivíduo dessa maneira", disse o namorado de Guerra.
O namoro de um ano foi terminado. "Ele é alguém que eu amava, amava sua família, passei inúmeros feriados com sua família, ele esteve em casa com a minha família. Era alguém com quem eu esperava passar o restante da minha vida", lamenta. Uma audiência sobre o caso deve ocorrer na próxima semana. (Com CBS)

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Com HIV "cercado", cientistas querem erradicar epidemia da aids até 2030

Boas novas, boas novas!!!
Mas, nessa longa jornada até lá, é bom o governo federal voltar a priorizar a luta contra a AIDS e não banalizá-la como está fazendo com descentralizações, diagnósticos em condições questionáveis e melindres em geral.
BV



A comunidade científica quer erradicar a epidemia de aids até 2030. A meta foi anunciada em Melbourne, na Austrália, no fechamento da 20ª Conferência Internacional sobre a Aids, soprando otimismo em um evento que transcorreu entristecido pela morte de seis pesquisadores que rumavam para o encontro a bordo do voo MH17, abatido no leste da Ucrânia em 17 de julho.
Sob o desalento da perda de especialistas como o holandês Joep Lange, que presidiu a Sociedade Internacional de Aids entre 2002 e 2004, o evento sediou o anúncio de que o vírus HIV, “flagrado” em estado de hibernação, pela primeira vez foi forçado a abandonar as células e se soltar no sangue. O avanço foi registrado por Ole Søgaard, da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, cuja equipe administrou em pacientes o Romidepsin, medicamento para combater o câncer.
Se os antirretrovirais que compõem o coquetel contra a aids reduzem o vírus a uma pequena população adormecida, que não replica o HIV, a técnica dos dinamarqueses expulsa o vírus desse “esconderijo”. O que persiste insolúvel é o desafio de matar essa última reserva do vírus, que sempre ameaça tomar conta do organismo, exigindo a administração periódica do coquetel.
– A pesquisa comprova que é possível atingir o vírus mesmo em estado de latência, mas ainda não conseguimos matar as células que fazem parte desse reservatório e que estão na matriz do sangue. Já sabemos isolar e neutralizar o vírus com o coquetel. O passo adicional seria atacar a população do vírus que fica – explica Eduardo Sprinz, infectologista do Hospital de Clínicas especializado no tratamento da aids.
Ainda que o HIV esteja escasso a ponto de não ser detectável, deixar de tomar os antirretrovirais permite que o vírus latente acorde e se restabeleça. Uma cura completa envolveria matar todas as células infectadas. Mas, como a matança não pode ser indiscriminada, sob pena de derrubar também todas as células saudáveis do paciente, é preciso descobrir um modo de atacar apenas o reservatório do vírus.
– A infecção já é controlável. Embora a cura esteja d istante, sabemos qual caminho seguir. Sozinha, a estratégia de tentar provocar a célula dormente não é suficiente. Se tivéssemos uma forma de marcar as células para que fossem miradas, como alvos, seria muito interessante – diz Sprinz.

O tratamento
Já uma cura “funcional” manteria o vírus adormecido mesmo depois de o paciente abandonar o coquetel. É o que parecia ter acontecido com a “bebê do Mississippi”, que, logo nasceu, já foi medicada. Em 18 meses, a criança parecia estar livre do HIV recebido da mãe, mas o vírus reapareceu dois anos depois da suspensão do tratamento.
Até agora, a única cura amplamente reconhecida é a do “paciente de Berlim”, como é conhecido o americano Timothy Ray Brown. Por força de uma leucemia, Brown teve de passar por dois transplantes de medula óssea. Os doadores tinham genes resistentes ao HIV, e as cirurgias acabaram nocauteando não só a leucemia, como também a aids. No mês passado, foi divulgado que dois australianos passaram pelo procedimento, obtendo o mesmo sucesso. Mas a cirurgia, cara e arriscada, passa longe de oferecer uma alternativa prática e abrangente para tratar uma doença epidêmica. 
A conferência em Melbourne apresentou uma redução dos casos de aids no mundo. Em contrapartida, no Brasil, houve um aumento de 11%.
– A redução ocorreu na maior parte dos países mais atingidos, como a África do Sul e as nações da África subsaariana, onde a epidemia claramente tem padrão heterossexual. Onde o padrão é diferente, não caiu. É o caso de Inglaterra, Estados Unidos, Brasil, Bélgica – diz Ricardo Kuchenbecker, que, na condição de pesquisador do Instituto de Avaliação de Tecnologia em Saúde (IATS), foi convidado pelo Ministério da Saúde para representar o Brasil na conferência em Melbourne.
De acordo com Kuchenbecker, que também chefia o serviço de emergência do Hospital de Clínicas, não faltou medicação no Brasil nos últimos anos. O problema é que os infectados têm chegado muito tarde ao serviço de saúde.
– Eu apostaria na contramão do que foi discutido em Melbourne. A cura passa por aperfeiçoar o tratamento, mas estratégias de prevenção ainda são mais importantes. Apostam muito em uma estratégia biomédica, medicamentosa, e sem dúvida a eficácia disso é enorme, mas precisamos criar uma maneira de chegar a uma população mais ampla, que o serviço de saúde dificilmente atinge – argumenta.
Eduardo Sprinz concorda com o diagnóstico, defendendo que “o fato número um deve ser todas as pessoas terem acesso à medicação já existente”.
– Se tu consegues ter em cada esquina uma Coca-Cola, há como montar uma estrutura para distribuir medicação também – sugere.
Ao comentar a meta política “mobilizadora” de Melbourne, Kuchenbecker salienta que, pela primeira vez, é possível prever o controle de uma epidemia tão grande.
– Houve momentos em que erradicamos doenças, mas em termos de pessoas atingidas e mortalidade absolutamente menores. Falamos hoje de uma doença que compreende 36 milhões de pessoas. Seria inédito – conclui.
Vírus em queda
O HIV cria cópias de si mesmo ao inserir o seu código genético nas células humanas. As células infectadas replicam o HIV e morrem em seguida, processo que é interrompido pelos antirretrovirais, que controlam o vírus ao reduzi-lo a concentrações mínimas no sangue. Esse último depósito do HIV permanece adormecido em células que podem ficar anos a fio sem produzir cópias novas do vírus.
Como os tratamentos atuais não conseguem remover o material genético do HIV dessas células dormentes, os pacientes não podem parar de tomar diariamente o coquetel, porque sem ele nada garante que a doença não vá acordar e se restabelecer no organismo. As células mais atacadas pelo HIV são linfócitos que lideram a resposta do corpo contra bactérias e vírus – daí que a aids seja a aquisição de uma síndrome de imunodeficiência, perigosa por deixar o corpo suscetível a “infecções oportunistas” como a pneumonia e a tuberculose.
A recomendação é de que se use no mínimo três medicamentos antirretrovirais, pois o HIV se adapta às pressões das drogas no organismo e passa a produzir cópias com mutações resistentes ao tratamento, que começam a se reproduzir normalmente. O Brasil foi o primeiro país em desenvolvimento e o terceiro no mundo a distribuir esses medicamentos gratuitamente a todos os pacientes diagnosticados. A Unaids estima em cerca de 730 mil o número de brasileiros soropositivos.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Parado no tempo, Brasil deixou de ser referência mundial no combate à Aids

Compartilho artigo do ativista Rodrigo Pinheiro publicado hoje na primeira página da UOL.
Beto Volpe


As organizações da sociedade civil não se surpreenderam com a recente divulgação feita pela OMS (Organização Mundial de Saúde) sobre o aumento de casos de HIV em nosso país, enquanto no resto do mundo há decréscimo.
Quem vive o cotidiano de atendimento a população, de acompanhamento dos serviços de saúde ou de convivência com as esferas de gestão nos espaços de controle social sabe que o Brasil há muito deixou de ser referência mundial no enfrentamento da Aids, e que a epidemia saiu da zona de prioridades. 
Silenciadas há muito tempo, as campanhas destinadas a públicos específicos e ao esclarecimento da população em geral sumiram do cotidiano. As ações hoje são isoladas de outras áreas de gestão, inclusive em setores cruciais, como saúde mental. Dá-se mais importância ao número de pessoas testadas do que ao conhecimento de uma realidade na qual a epidemia cresce.
Também assistimos à proposta de ampliação da distribuição imediata de medicamentos a todos os que tiverem diagnóstico positivo e, mais recentemente, embarcando numa incrível onda mundial, o uso de remédios independente do quadro clínico do paciente.
Os efeitos colaterais, as mudanças de qualidade de vida, os reflexos sociais e o possível afrouxamento do uso de tecnologias conhecidas de prevenção não foram levados em consideração. Resumindo, a política de governo cabe em duas frases: "descubra logo" e "não transmita pra ninguém", criminalizando grupos e gerando mais estigmas em algumas populações.
Silenciadas há muito tempo, as campanhas destinadas a públicos específicos e ao esclarecimento da população em geral sumiram do cotidiano.
O enfraquecimento da resposta brasileira é percebido claramente por todos os segmentos sociais, que manifestam publicamente ou de maneira reservada seu inconformismo. Neste ano, o repasse do incentivo a ações de Aids aos Estados e municípios somente ocorreu no mês de julho, deixando um vácuo imenso de ações e uma descrença no pacto federativo.
Os estudos e as discussões de novas tecnologias de prevenção pararam no tempo, faltando criatividade e capacidade de diálogo para se conhecer as realidades dos grupos vulneráveis e, a partir daí, se traçar ações estratégicas.
O Brasil, que já foi referência no campo internacional, hoje se apaga. Virou apenas mais um que tenta de forma básica fazer seu papel de gestor da saúde pública sem, no entanto, ter nenhuma ação considerada exemplar. Além disto, a falta de maior articulação entre os setores governamentais não tem permitido medidas mais arrojadas, sobretudo com a população de rua e usuários de drogas carentes de medidas conjuntas de abordagem.
A testagem cresceu em todo o mundo, mas o Brasil amarga essa triste realidade de se ver diante dos outros países como algo que já foi sucesso e referência e hoje está adormecido nas malhas burocracia e no império do controle medicamentoso.
Diante dessa situação adversa, esperamos que a sociedade cobre da gestão federal, com mais vigor, a tomada de ações decisivas. Também esperamos que o governo não se dobre a grupos fundamentalistas e conservadores e que, principalmente, volte a dialogar de forma clara com a sociedade civil, que há muito tem alertado para essa realidade. Caso contrário, o quadro atual só tende a se agravar, gerando mais discriminação, preconceitos e mortes.
Rodrigo Pinheiro
Presidente do Fórum de ONG/AIDS do Estado de São Paulo

sábado, 9 de agosto de 2014

“Sei que posso ser condenado por três crimes, mas não vou parar”

Pessoal, essa é a história de Benício e seu pai. E se forem atirar a primeira pedra,. que seja na ANVISA.


“O Benício não foi planejado, mas, desde o começo, lutei para ficar ao lado dele. Tenho a guarda, sou pai e mãe. Ele nasceu bem e se desenvolveu normalmente até o quinto mês, quando teve a primeira crise convulsiva, que durou 40 minutos. Levei ao hospital, ele foi examinado e ficou em observação por 12 horas. A princípio, parecia apenas uma reação à vacina tríplice que havia tomado. Só que, dois meses depois, aconteceu de novo. Meu filho entrou em status epileticus (crise convulsiva que não para sozinha) e teve sua primeira internação no CTI. Aí começou a luta.

Desde então, ele passou a ter até nove crises por dia. De madrugada, acordava gritando, com febre. Tenho um diário com tudo o que passamos. Em 2010, aconteceu a segunda internação, por causa de um ataque que comprometeu a respiração. A crise durou tanto tempo que Benício entrou em coma. Após 12 dias em coma profundo, o médico disse que faria um eletroencefalograma para saber se meu filho ainda tinha atividade cerebral. Caso não tivesse, seria considerado morto. Eu cheguei a preparar o documento para doar os órgãos dele
e minha família chamou um padre, que deu a extrema unção. Foi um dos momentos mais difíceis da minha vida. Mas o Benício acordou momentos antes de fazer o exame. Minha família
acha que teve um dedo de Deus. Eu, como médico,  estou acostumado com essas coisas.

Em novembro de 2011, veio o diagnóstico de síndrome de Dravet, uma das doenças que determinam o quadro de epilepsia de difícil controle, e que é causada por uma mutação
genética. Estima-se que ela afete uma pessoa em cada 20 mil. O prognóstico da doença é péssimo – não existem adultos vivos com essa síndrome. Quando a crise epilética começa, o
corpo inteiro treme e a contração muscular é tão intensa que provoca dor e chega a impedir a respiração. Por causa das convulsões constantes, Benício não conseguia frequentar a escola. Por isso, durante o dia, enquanto eu trabalhava, ele ficava na casa da minha mãe, com uma cuidadora que contratei. Muitas vezes, saí no meio do trabalho para socorrer o meu filho em crise. Ele virou figurinha conhecida nos hospitais de Belo Horizonte (MG). Eu corria com ele para o hospital pelo menos três vezes por semana. O Benício foi internado 48 vezes em seis anos de vida. 

Todas essas convulsões deixaram sequelas. O meu filho não fala e o desenvolvimento psicomotor foi extremamente prejudicado. Para ele, cada segundo de vida tem um grande valor. A demora para receber atendimento durante a crise é prejudicial. Tanto nos hospitais públicos como nos privados, o socorro neurológico é muito precário. Então, eu mesmo passei a fazer o atendimento quando ele entrava em crise. Fui muito questionado, mas só fazia quando necessário, em situações de emergência. Tenho todo o equipamento, carrego praticamente um CTI no porta-malas do carro. 

Os médicos receitaram diversos medicamentos fortes para a doença de Benício. Mas, mesmo tomando 13 comprimidos por dia, as crises diárias continuavam. Foi então que eu soube que os pais de Anny estavam usando o canabidiol para medicar a filha. Entrei em contato e eles me passaram o caminho das pedras, a estratégia para trazer ao Brasil. Um amigo de infância que trabalha como operador de turismo nos EUA se dispôs a ajudar. É ele que me manda pelo correio. Nós nos comunicamos por e-mail com o código Charlie-Bravo-Delta, típico da linguagem de agências de turismo, para nos referirmos ao CBD sem sermos explícitos. O produto é fabricado na Califórnia e vem em seringa plástica, naforma de pasta.

Eu me baseei em pesquisas americanas para determinar a dosagem, e funcionou muito bem. Com 76 dias de uso, o meu filho está ótimo. Ele começou a entender a função dos objetos e
está interagindo melhor com as pessoas. Agora, dorme a noite toda e o bruxismo diminuiu. Ele tenta se comunicar com voz, começou a se vestir com mais independência, atende quando o chamamos e compreende quando tem que esperar. Outro dia, até riu do próprio pum – isso era impensável! Em poucos dias, ele mostrou um desenvolvimento que nunca teve em toda a vida. E, o melhor de tudo, é que as crises, que eram diárias, diminuíram muito: em 76 dias, foram apenas seis, bem leves. 

No segundo semestre deste ano, ele poderá ir para a escola. Ainda que não aprenda como os outros, o Benício vai conviver com as crianças, será incluído. Ao manter o CBD na lista de proscritos, a Anvisa deu um tiro no pé, não ouviu os pais que passam por esse sofrimento. Os resultados do uso do canabidiol são tão bons que estimulam a desobediência civil. Eu vou desobedecer. Não existe autoridade no Brasil que me impeça de dar CBD ao meu filho. Sei que importando o produto posso ser condenado por três crimes: tráfico internacional de drogas, articulação por tráfico e por dar a substância para o meu filho. Não tenho dúvida dos benefícios do CBD. Se for impedido de fazer isso, eu imigro para o Uruguai.”