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Sou muito humorado. Se bem ou mal, depende da situação...

Em 1989 o HIV invadiu meu organismo e decretou minha morte em vida. Desde então, na minha recusa em morrer antes da hora, muito aconteceu. Abuso de drogas e consequentes caminhadas à beira do abismo, perda de muitos amigos e amigas, tratamentos experimentais e o rótulo de paciente terminal aos 35 quilos de idade. Ao mesmo tempo surgiu o Santo Graal, um coquetel de medicamentos que me mantém até hoje em condições de matar um leão e um tigre por dia, de dar suporte a meus pais que se tornaram idosos nesse tempo todo e de tentar contribuir com a luta contra essa epidemia que está sob controle.



Sob controle do vírus, naturalmente.



Aproveite o blog!!!



Beto Volpe



sexta-feira, 17 de junho de 2011

Sangue cidadão !

Descrição da imagem: bolsa de transfusão cheia de sangue aparentemente cor de arco íris, mas na verdade é como todos os outros, uma vez que goteja sangue vermelho, em forma de coração.
Fonte: entregay.blogspot.com


A orientação sexual do indivíduo sempre foi objeto de inflamadas discussões, rompimento de relações e atos discriminatórios, por muitas vezes repletos ódio e sangue. A intolerância está presente nas famílias, nas religiões, escolas... Em todas as áreas da sociedade são encontrados artifícios para mascarar esse preconceito, mas em uma delas ele continuava institucionalizado, a área da Saúde. Em franca oposição às políticas públicas de prevenção à infecção pelo vírus HIV o sangue de rapazes que amam rapazes era um sangue de risco, em analogia ao extinto conceito de grupo de risco, onde toda uma população é estigmatizada sem levar em consideração as variantes sociais, psicológicas e outras que formam cada pessoa.

A ANVISA, órgão responsável pela regulamentação do setor de sangue e hemoderivados, sempre considerou que a orientação sexual fosse fator excludente na anaminese do pretenso doador. Pretenso e tenso, pois não deve ser nada agradável uma pessoa ir a um banco de sangue disposta a rpraticar uma atitude cidadã e lá descobrir que não é cidadão, e que por não ser cidadão não pode praticar atitude cidadã. Credo, alguém me evoque Kafka, por Deus! Enfim, nesse processo kafkaniano muitas foram as discussões e manifestações da sociedade cifvil organizada, especialmente do movimento LGBTT, para a derrubada de tal normativa. E nada, o Ministério da Saúde, gestão após gestão, orientação partidária após orientação partidária (essa, sempre pode) insistiu em sua tese e milhares de gays continaram alijados daquilo que mais se aproxima de um parto: a doação de parte de si mesmo para o benefício de outrém.

Finalmente nesta terça feira o Diário Oficial da União publicou portaria declarando que a orientação sexual não consiste em um risco em se e que, portanto, não deve ser considerada como critério de exclusão da candidatura a doador de sangue. Pensar em milhões de pessoas sendo beneficiadas por essa medida arrepia o coração de tanta emoção e nos faz sentir mais cidadãos ainda. Por mais que a intolerância resista e até recrudesça em algumas áreas, o reconhecimento da diversidade sexual como característica da raça humana também vem avançando. Recentemente nossa união foi reconhecida, esta semana fomos autorizados a doar parte de nós para o bem alheio... Quem sabe, nesse cenário aquariano, o PL 122 passe no Congresso Nacional e o ódio por orientação sexual passe a ser crime.

Desejos de uns, pesadelos de outros. Já imaginaram se em seus devaneios o Bolsa  recebe o sangue de um homossexual e vira Pochette? Ui, que peligro!

Celebremos mais uma vitória!
Parabéns pela perseverança, sociedade organizada .

Beto Volpe

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