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Sou muito humorado. Se bem ou mal, depende da situação...

Em 1989 o HIV invadiu meu organismo e decretou minha morte em vida. Desde então, na minha recusa em morrer antes da hora, muito aconteceu. Abuso de drogas e consequentes caminhadas à beira do abismo, perda de muitos amigos e amigas, tratamentos experimentais e o rótulo de paciente terminal aos 35 quilos de idade. Ao mesmo tempo surgiu o Santo Graal, um coquetel de medicamentos que me mantém até hoje em condições de matar um leão e um tigre por dia, de dar suporte a meus pais que se tornaram idosos nesse tempo todo e de tentar contribuir com a luta contra essa epidemia que está sob controle.



Sob controle do vírus, naturalmente.



Aproveite o blog!!!



Beto Volpe



quinta-feira, 16 de junho de 2011

Legalize it !!!


Descrição da magem: folha de maconha, mezzo verde em fundo preto, mezzo preta em fundo verde.

Mais uma vez, e de forma unânime, o Supremo Tribunal Federal reafirma que vivemos em um estado de Direito. Poucos dias após reconhecer que o conceito de família mudou e que pessoas do mesmo sexo têm o direito de se relacionar afetivamente aos olhos da Lei, foi garantido o direito de realizar a Marcha da Maconha, onde e quando quer que seja em território pátrio. A unanimidade está expressa nas argumentações dos Exmos. Ministros: liberdade de reunião e de expressão, mesmo que conflitem com os interesses majoritários. E olhe que nteresses não faltam na malfadada 'guerra às drogas', uma guerra de mentirinha onde bandido e mocinho jogam do mesmo lado e quem perde é a comunidade.

Drogas sempre fizeram parte de todas as sociedades que se conhece, desde a Antiguidade.até os dias atuais, do oriente ao ocidente, do mais desenvolvido ao mais miserável país do planeta. Os Estados Unidos deveriam se lembrar de experiências anteriores onde o proibicionismo e a guerra às drogas não deram certo. Al Capone e Chicago são referências em formação de quadrilha na primeira metade do século passado, onde sua grande fonte de renda era o comércio ilegal de bebidas e armas durante a Lei Seca. Ops, parece o mesmo esquema.... Bem, talvez os americanos tenham lembrado, sim, e por isso mesmo repetem a estratégia ao 'convencer' o mundo de que a guerra sempre é a solução. Não tem jeito, no dia que chocolate for considerado nocivo e ilegal, só perto de minha casa irão abrir várias bocas de Suflair, Sonho de Valsa e Talento. E em algumas bocas vai ter do bom, Hershey's e Kopenhagen, do branco e do marrom.

A organização que gira em torno do tráfico de drogas e de influência é uma das mais lucrativas do mundo, onde cada elo depende vitalmente do outro. Qualquer vacilo pode quebrar a corrente toda. O avião precisa do patrão e o patrão precisa do suporte de alguém na segurança pública. Esse alguém, claro, não fica descoberto perante a Lei, tem sua gente nos três poderes constituídos: executivo, legislativo e judiciário, do Oiapoque ao Chuí. Empresários igualmente mal intencionados fazem a lavagem do dinheiro que rola solto e todos saem felizes dessa história. Menos toda a população, não só a de usuários de drogas.

Estes têm que se arriscar, precisam por muitas vezes frequentar ambientes que não fazem parte de sua compreensão social, pois que é uma contravenção e feita às escondidas. Quantos becos e diques já frequentei em minha vida para comprar algo que, além de me dar uma sensação muito gostosa e abrir o chacra da criatividade, foi decisivo em duas situações de minha vida para que eu esteja aqui, ainda. Uma vez em 1996, época em que fui rotulado de paciente terminal, quando o próprio médico que me acompanhava disse a minha mãe:

- Nós já fizemos todo o possível para que seu filho melhore. Ou a senhora aceita o cigarro de maconha dele, que é a única coisa que abre seu apetite e, especialmente, mantém a comida no estômago... Ou eu temo pelo pior.

A outra foi em 2003, durante a quimioterapia que fiz para meu primeiro tumor. Quimio muito forte, pois o tumor também o era: medula, pescoço, pulmão, fígado, baço, retroperitônio e virilha. Uma constelação de nódulos, uma supernova de tratamento. E uma vez mais a maconha permitiu uma alimentação mais de acordo com as necessidades e, mesmo assim, perdi mais de 20 quilos no processo. Se eu não tivesse feito essa abençoada fitoterapia, recomendada por quase todos os anestesistas, infectologistas, oncologistas, hematologistas e outros especialistas que conheço, será que eu estaria aqui? Não esquecendo, também, que tomo medicamentos muito fortes há muitos anos, de forma ininterrupta. Ao invés de fazer mais um tratamento para o aparelho digestivo, não posso usar uma erva? Faz de conta que é chá de erva cidreira. Só que a gente fuma, ao invés de beber. Ah, é poque dá prazer, é? Prazer, crime e pecado, que lógica horrorosa.

Bill Cinton, Jimmy Carter, FHC, Drauzio Varela.... E mais um monte de gente de prestígio internacional, estão todos empenhados em mudar essa guerra. Da mesma forma que Obama recentemente aboliu a 'guerra ao terror' por considerá-la, além de ineficaz, mais nociva que o próprio terror, temos que mudar nossa relação com as drogas. Mas, acima de tudo, tem toda essa gente que há anos sai em marcha pelas ruas do mundo todo, inclsive no Brasil, dizendo que está na hora dessa gente esverdeada mostrar seu valor. Não se trata de aumento na arrecadação de impostos, muito menos de pregar a legalização e uso indiscriminado de drogas. Trata-se de trazer a discussão e as políticas públicas para as áreas da saúde e do serviço social e com isso desferir um sério golpe na tal organização que sabe que proibir é lucrar.

E que é proibido proibir.

Obrigado, precursores!
Legalize it!

Beto Volpe

Um comentário:

  1. Olá, Beto! Eu sou da opinião de que deve-se legalizar a venda e o consumo de qualquer droga.
    Pode parecer absurdo, mas o fato de proibir a comercialização não faz nenhum índice de vício abaixar, pelo contrário, além do índice do consumo também acabar tem a violência que a pessoa se submete para encontrar os produtos e tudo o mais que acontece nesse tipo de comércio ilegal porque a pessoa se vê diante de um produto socialmente ilegal e imoral.
    Legalizando, fica entregue à sua própria vontade e muito da violência deste país hipócrita acaba.
    Bem... é só minha opinião. Se proibir acabasse com o consumo e a violência, não teríamos tanto comércio paralelo por aí e que rende muito, viu...

    Um abração! FabianoCaldeira.

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