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Sou muito humorado. Se bem ou mal, depende da situação...

Em 1989 o HIV invadiu meu organismo e decretou minha morte em vida. Desde então, na minha recusa em morrer antes da hora, muito aconteceu. Abuso de drogas e consequentes caminhadas à beira do abismo, perda de muitos amigos e amigas, tratamentos experimentais e o rótulo de paciente terminal aos 35 quilos de idade. Ao mesmo tempo surgiu o Santo Graal, um coquetel de medicamentos que me mantém até hoje em condições de matar um leão e um tigre por dia, de dar suporte a meus pais que se tornaram idosos nesse tempo todo e de tentar contribuir com a luta contra essa epidemia que está sob controle.



Sob controle do vírus, naturalmente.



Aproveite o blog!!!



Beto Volpe



sábado, 14 de dezembro de 2013

Por 2014, Planalto freia projeto que criminaliza homofobia

Sentindo-me enojado com tanta sujeira em troca da tal governabilidade, compartilho notícia publicada nesta sexta feira 13. Aproveito e publico novamente um texto meu, 'República Cristã do Brasil'. Nascido ficcional, hoje é o retrato de uma dura realidade.
Beto Volpe


Pelo telefone, a ministra Ideli Salvatti orientou bancada a só votar a proposta depois das eleições, condição imposta por evangélicos em troca de apoio para a reeleição da presidente

Preocupado com o risco de ficar sem o apoio de evangélicos na campanha para a reeleição da presidente Dilma Rousseff no próximo ano, o governo começou a orientar a base no Senado a ceder ao desejo dos religiosos e não votar neste ano do projeto que criminaliza a homofobia (PLC-122).
Como parte da estratégia para orientar a bancada, a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, entrou em campo nesta semana. Ela telefonou para senadores governistas para pedir que a proposta fosse deixada para depois das eleições ou, de acordo com relatos de senadores, quando houver consenso sobre o assunto.


Elza Fiúza/ ABr
Ministra Ideli Salvatti orientou bancada a só votar a proposta depois das eleições


O acordo pedido pela ministra teria que conciliar interesses das igrejas e dos gays, até agora considerados pelos dois lados como inconciliáveis. A proposta também é um pleito histórico no PT, que se antecipou à movimentação do Planalto e divulgou na semana passada uma nota na qual reforça a posição em favor da votação do projeto.
“O Planalto tem afirmado que se houver ameaça a liberdade de expressão das igrejas, o relatório deve ser melhorado”, defendeu o líder do PT no Senado, Wellington Dias (PT-PI). “Não acredito que haja alguma igreja que defenda o ódio”, argumentou.
O pedido de Ideli atende diretamente às exigências dos religiosos que não querem permitir avanço na tramitação da proposta. Na quarta-feira (11), na reunião da Comissão de Direitos Humanos, o senador e relator, Paulo Paim (PT-RS), driblou as manobras tentadas pelos evangélicos para protelar a votação e conseguiu ler o relatório.
Os evangélicos, que haviam tentado esvaziar o quórum necessário para a votação, tiveram que recorrer para o último pedido de vista do documento. Regimentalmente, os evangélicos não podem mais se utilizar deste recurso para protelar as votações. “Foi uma vitória poder ler o relatório e ainda fazer com que os evangélicos usassem o pedido de vista. Li e colocamos em votação. Ainda temos a próxima semana para colocar o texto em votação”, considerou Paim.
A presidente da comissão, senadora Ana Rita (PT-ES), informou que está disposta a colocar o relatório em votação na próxima sessão da comissão, na quarta-feira (18).
Divergências
A posição do Planalto a favor do adiamento da votação ocorreu mesmo após a flexibilização da proposta apresentada por Paim. Para tentar aprovar seu relatório na comissão até o fim deste ano, Paim retirou do texto a palavra “homofobia”, incluiu artigos que resguardam a liberdade de expressão em eventos religiosos e que definem o “respeito” a templos e eventos religiosos no caso da manifestação de afetividade por parte de homossexuais. O senador também ampliou os tipos de preconceito a serem tratados na lei.
Consenso sobre o assunto não há nem entre gays e religiosos, nem entre senadores da base, nem entre senadores do próprio PT que integram a comissão. Ana Rita e Paim são os únicos titulares petistas a defenderem a aprovação da proposta. O senador Walter Pinheiro (PT-BA), que é evangélico, se alinha à posição defendida pelo Planalto nos bastidores e à de Wellington Dias, a favor do adiamento da votação até que se forme o consenso.
Paim acredita que tem como aprovar seu texto na comissão com apoio da maior parte do colegiado. Em apoio ao relatório, já se manifestaram informalmente os senadores Roberto Requião (PMDB-PR), Randolfe Rodrigues (PSOL-AC), Lídice da Mata (PSB-BA), Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) e Paulo Davim (PV-RN).
Condição
O condicionamento do apoio à reeleição de Dilma Rousseff à rejeição ou adiamento da votação da proposta foi apresentado ao Planalto por senadores que estão na linha de frente do lobby das igrejas. Um deles é o senador Magno Malta (PR-ES), pastor da Igreja Batista. Malta não faz segredo da exigência.
“Não adianta na época de eleições tomar café com pastor, visitar as igrejas e depois de eleitos, defenderem projetos contra a família, da forma que foi concebida por Deus. Nós vamos nos posicionar contrários aos políticos que defendem essa ideologia homossexual. No segundo turno das eleições, andei este país inteiro com a Dilma, mas agora ninguém vai me usar mais”, reclamou o senador.
Na semana passada, Wellington Dias, que é católico, viajou ao Espírito Santo para se encontrar com Magno Malta. Os dois trataram da estratégia para barrar a aprovação da proposta e Malta aproveitou para colocar sua posição em relação ao apoio dos evangélicos na corrida eleitoral para a Presidência da República.
Gim Argello (PTB-DF) foi relator da lei que incluiu a música gospel entre os projetos culturais que podem ser financiado pela Lei Ruanet. Ele também manteve interlocução com o Planalto exigindo que a proposta não fosse levada a frente.
Outro senador que tem atuadopara barrar a proposta é Eduardo Lopes (PRB-RJ), pastor da Igreja Universal, que substituiu no mandato Marcello Crivella quando o bispo se licenciou para assumir o Ministério da Pesca no governo de Dilma Rousseff.
Eduardo Lopes argumentou que a proposta de criminalização não deveria ser tratada fora das alterações no Código Penal e que, por isso, deveria ser arquivada na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado. O projeto já foi aprovado na Câmara e antes de chegar ao plenário do Senado terá que ser aprovado pela CDH e pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.
Fonte: Portal IG

REPÚBLICA CRISTÃ DO BRASIL
Descrição: silhueta feminina fumando, tendo ao fundo a noite que entra por uma janela entreaberta.

Recentemente assisti a um filme que está disponível para exibição na internet e que deveria ser transmitido em cadeia nacional no horário nobre: Persépolis. É uma animação francesa em preto e branco que relata o processo de transformação da república iraniana para um estado religioso. Acho que a presidenta Dilma também deve tê-lo assistido, daí as lágrimas durante a posse do religioso Marcelo Crivella como ministro de seu governo. Um indivíduo que abertamente rejeita os consensos científicos, avanços sociais e que representa toda uma legião de lideranças religiosas a destilar ódio contra homossexuais, a inferiorizar a mulher e a demonizar outras religiões e culturas através de concessões públicas de TV e rádio. Não é o primeiro sinal de que a democracia e as liberdades individuais no Brasil correm o sério risco de serem banidas pelo pior tipo de ditador que existe: aquele que diz representar a Deus.

Voltando a Persépolis (capital da antiga Pérsia, atual Irã), Marjane é uma menina de classe média que acompanha, em 1979, a insatisfação de comunistas e liberais com o regime corrupto do Xá Reza Pahlevi. Porém, esses segmentos progressistas sozinhos não seriam capazes de mudar o sistema o que os levou a formar alianças com religiosos, pois que a religião era a única unanimidade em uma região diversificada em etnias. E deu certo, o povo atendeu ao chamado e derrubou um regime que se perpetuava de pai para filho que, como dito, era corrupto e representava as ameaças ocidentais à cultura local. 

O que a classe média e a esquerda não contavam é que, ao tomarem o poder, os representantes de Deus na Terra iriam se sentir o próprio Deus e, com o apoio do povo, estabeleceram uma república islâmica liderada por aiatolás, radicalmente rígida nas leituras do Islã, onde liberdades individuais são muito limitadas. Que ao destilar ódio contra homossexuais, a inferiorizar a mulher e a demonizar outras religiões e culturas transformaram uma nação desenvolvida, apesar de corrupta, em uma ditadura retrógrada econômica e socialmente, sempre envolta em conflitos.

Como perguntaria nosso novo Ministro da Pesca, o que a minhoca tem a ver com o anzol? Tem tudo. O processo de aproximação entre a esquerda e as religiões cristãs no Brasil, em nome da governabilidade, foi ratificado na aliança para eleição da presidenta Dilma. Líderes evangélicos, em especial, passaram a ter trânsito em todas as esferas governamentais e a ocupar cargos majoritários no poder, muitas vezes sem nenhuma afinidade com a pasta. Como Crivella, que sequer sabe colocar minhoca em anzol e que colocará em risco uma série de pesquisas, uma vez que evolução não existe, tudo era como está e sempre o será. Só falta o sucessor de Mercadante ser analfabeto funcional. Esse trânsito facilitado fortaleceu o lobby religioso ao ponto de unir duas vertentes do cristianismo, evangélicos e católicos, tradicionalmente adversárias na luta pelos direitos autorais de Cristo. E com resultados surpreendentes, dentre eles a censura ao vídeo de prevenção à AIDS no carnaval deste ano voltado ao público homossexual jovem, vídeo esse motivado por dados epidemiológicos.

Acredito que da parte do governo nada será feito para inverter ou, ao menos, estancar essa chaga que se espalha pelos bastidores e no palco do poder brasileiro. Somente a sociedade civil organizada em todos seus segmentos terá condições de empunhar a defesa do Estado Laico no Brasil como principal bandeira de luta, pautando esse tema como prioridade na luta pelos direitos humanos. Sob pena de vermos nossos direitos sendo desrespeitados em nome da Fé.

A Fé tem o poder de ampliar o espectro de visão de qualquer pessoa, mas a fé deturpada pode cegá-la. Quantas e quantas famílias de cidadãos honestos e solidários discriminam seus filhos e filhas homossexuais e travestis por conta de sucessivas traduções, versões e leituras propositadamente errôneas da Bíblia Sagrada? Quantas e quantas pessoas de bem asseguram sua permanência ao lado do Divino pela eternidade através da quitação de um carnê, como se Deus fosse Samuel Klein e o Paraíso uma super loja das Casas Bahia? Quantas e quantas grandes mulheres são oprimidas e brutalizadas em seus lares e comunidades por estar escrito que seu lugar é atrás do grande homem? Quantos e quantos políticos bem intencionados são envolvidos em um projeto de governabilidade que sabemos ser necessário, mas a que preço e risco?

Imagino, pelas incontidas lágrimas, as noites de insônia que Dilma deve estar atravessando e se questionando se estaria realmente transformando o país para melhor ou colocando em risco tudo pelo qual lutara por toda sua vida. Será que, em seus poucos momentos de sono, não estaria a presidenta tendo pesadelos envolvendo queimas de livros científicos, doutrina religiosa nas escolas, perseguições sanitárias a terreiros e centros espíritas, o aumento da AIDS pelo fim das ações de prevenção e a conversão do São João e Carnaval em grandes retiros espirituais? Ou a volta da censura e de aparelhos de repressão na República Cristã do Brasil, reativando endereços e métodos que ela um dia pensou fazer parte de seu passado, tudo conduzido pelo DOPS - Doutrina da Ordem pela Palavra do Senhor - e seu comandante e líder espiritual Jair Bolsonaro, Ministro da Cidadania. Myriam Rios, Sylas Malaraya, companheira Dilma, companheira Dilma...

COMPANHEIRA DILMA, ACORDA!
VOCÊ NÃO ESTÁ TENDO UM PESADELO !
ESTADO LAICO, JÁ!!!

Beto Volpe

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