Follow by Email

Total de visualizações de página

Sou muito humorado. Se bem ou mal, depende da situação...

Em 1989 o HIV invadiu meu organismo e decretou minha morte em vida. Desde então, na minha recusa em morrer antes da hora, muito aconteceu. Abuso de drogas e consequentes caminhadas à beira do abismo, perda de muitos amigos e amigas, tratamentos experimentais e o rótulo de paciente terminal aos 35 quilos de idade. Ao mesmo tempo surgiu o Santo Graal, um coquetel de medicamentos que me mantém até hoje em condições de matar um leão e um tigre por dia, de dar suporte a meus pais que se tornaram idosos nesse tempo todo e de tentar contribuir com a luta contra essa epidemia que está sob controle.



Sob controle do vírus, naturalmente.



Aproveite o blog!!!



Beto Volpe



segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Lamentável incidente no encontro da RNP+BR com o Departamento Nacional de AIDS

Boa noite, pessoal. 

Lideranças da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/AIDS estiveram reunidas no último final de semana em Campo Grande para discutir e deliberar os rumos do movimento para o próximo biênio. O Dr. Fábio Mesquita, Diretor do Departamento Nacional de DST/AIDS/Hepatites Virais, atendeu ao convite da Rede e compareceu para debater políticas públicas para a área. 

Segue a publicação do Conselheiro Nacional de Saúde, Carlos Alberto Ebeling Duarte em rede social e a resposta do Dr. Fábio Mesquita. As pessoas confundem os valores e metem os pés pelas mãos. Quem perde com isso é um movimento do qual, infelizmente, estou afastado. Exatamente pela inversão de valores de algumas 'lideranças' e pela inércia de outras. 

Cada um tire suas próprias conclusões.

Beto Volpe



Postagem de Carlos Duarte:

Lamentável o encerramento do debate entre sociedade civil e departamento de dst/aids e hepatites virais do MS no V Encontro de Pessoas Vivendo com HIV/AIDS em Campo Grande/MS. Debate marcado para das 8:30 as 10:30.

Muitas questões importantes sobre a Politica de saúde para enfrentar a aids foram colocadas. Ambiente tenso e clima acirrado. Respostas técnicas e politicas não atendendo as demandas das Pessoas vivendo com aids. Principalmente em relação a qualidade da atenção/assistência. No auge do debate o coordenador do departamento, dr. Fábio Mesquita anunciou que iria se retirar pois havia se programado para duas horas de debate e que tinha voo marcado. Houveram protestos e até algumas agressões verbais. A explosão do conflito anunciado, pois há muito tempo o governo não tem tido tempo/vontade para ouvir os movimentos sociais.

Dr. Fábio saiu vaiado do evento. Na minha opinião houve um dimensionamento equivocado por parte do departamento sobre este momento. Certamente o tempo proposto seria pequeno para anos de falta de escuta.
 
Sao muitas as questões colocadas pelo mov. RNP+, para respostas técnicas e principalmente que não atenderam as expectativas de quem esta presente. Com mais atenção da assessoria do departamento a passagem poderia ter sido marcada mais tarde para evitar este tipo de conflito. Necessário dizer, dispensável. Creio que ficou ruim para todos. Mas certamente quem mais perde são as pessoas que vicem com aids, pois vão continuar sem serem atendidas em suas necessidades. Vai ser necessário muita diplomacia e boa vontade de ambos os lados para superar este momento. Muito ruim, mas a cara do momento que estamos vivendo.

Resposta do Dr. Fábio Mesquita:

Carlos, seria mais correto vc dizer que o combinado com a Organização da RNP+ era de que a minha participação no evento ocorreria das 8:30 as 10:00. Tenho todos os emails com os detalhes e posso circular caso vc ainda tenha alguma dúvida. Vc também esqueceu de dizer que passei esta mesma semana inteira, na Assembléia Geral da ONU em Nova York, para garantir a entrada do tema AIDS nas metas do milênio pós 2015, uma questão fundamental para todas as pessoas que vivem com HIV no Planeta.  Fiz um esforço grande para ir ao encontro, praticamente emendando as duas viagens, porque acreditava sinceramente que esse diálogo seria salutar e produtivo.

Durante o período do encontro com vocês, eu respondi a uma série enorme de perguntas de toda sorte. Não me neguei a responder nada, nem tampouco fugi do debate. Ao contrário, estendi voluntariamente a minha participação até as 11, tendo que colocar esse horário como limite por conta do horário do meu vôo que era às 13 (como você sabe o hotel onde ocorreu o encontro ficava a quase uma hora do aeroporto).

Você, como Conselheiro Nacional de Saúde sabe muito bem que mudar a passagem em cima da hora custaria aos cofres públicos muito dinheiro não previsto. Eu entendo que uma pequena parte do movimento não preza gasto público desnecessário como propôs o Moyses, mas existe hoje no Brasil um sério controle social sobre o gasto público desnecessário. E eu particularmente acho que esta mais do que na hora de fechar a torneira aberta para alguns nos recursos do Departamento de DST/AIDS e Hepatites.

Você também não fez questão de deixar claro que em minha fala final eu disse que não esperava que concordássemos em tudo, mas que o debate estaria sempre aberto e que estas 2 hs e meia eram parte de uma série de outros debates em muitos outros foruns onde teríamos a oportunidade de aprofundar todos os assuntos que porventura viessem a ser relevantes para o nosso amadurecimento de idéias e ações. Você também fez questão de ocultar que fui aplaudido no final da minha fala de encerramento.

Na programação que me foi enviada e que foi feita de comum acordo com a RNP+, o sr Moyses Toniolo seria mediador da mesa, mas ao invés disso, ele se tornou um COMENTARISTA UNILATTERAL, agressivo, ofensivo e extremamente desrespeitoso. Eu fui atacado de todas as formas, ofendido publicamente e sem direito a réplica. Isso me fez lembrar de tempos no Brasil em que as idéias se impunham com violência e dedo em riste. Felizmente nós derrotamos essa prática em 1985 e é uma pena que alguns insistam em manter esses métodos. 

O leitor daqui do face vai achar que estou fazendo uso de figura de linguagem, mas não! 

O desrespeito e agressividade gratuíta por parte do sr Moyses passou de todos os limites aceitáveis por quem espera o mínimo de respeito por parte daqueles que se envolvem em uma causa nobre. As ofensas e desrespeito chegaram ao ponto desse senhor colocar o dedo em riste no meu rosto, gritando ofensas descabidas. Nunca vi tamanha falta de respeito a um parceiro.

Eu fui ao encontro desarmado, de peito aberto para o dialogo e o trabalho coletivo e encontrei uma armadilha, parte da estratégia do sr Moyses que falando em nome dos participantes do evento tentou de todas as formas me subjugar e ofender.Seria justo você registrar nesse seu post, que inumeros participantes sentiram vergonha alheia deste estilo de militância, vindo atrás de mim e da minha equipe, para pedir desculpas, enquanto nos retirávamos do local. Fico feliz em dizer que não paro de receber pedidos de desculpas de diversas entidades desde sábado pela manhã. 

Para mim, esse incidente foi um divisor de águas entre o movimento de pessoas vivendo com HIV e sua liderança formal. Ficou muito claro que há estilos, métodos e intenções completamente distintas. (Que bom!)

Fica aqui o meu registro de que se a intenção deste pequeno grupo de " lideres" era me colocar contra as pessoas vivendo com HIV e ou contra os movimentos populares no Brasil, lamento informar que vcs fracassaram e que meu compromisso ficou revigorado. Sigo aberto ao diálogo com quem de verdade quer dialogar e buscar soluções para que façamos um trabalho conjunto que enfrente de maneira corajosa e incansavel a epidemia de AIDS no Brasil e no mundo. Juntos somos muito mais fortes, pena que alguns insitem na divisão para se manter "governando".

8 comentários:

  1. É preciso repensar todos que estão a anos no movimento com os mesmos pensamentos do início da epidemia. Na atualidade com tantas mudanças, avanços e retrocessos, os atores que aí estão, precisam se renovar e compreender que no governo que se encontra no poder à 10 anos, só tivemos retrocessos políticos, e as questões que envolvem as PVHA, vem perdendo espaços e provocando a fragmentação de toda e qualquer união que havia outrora. Nada se conquista no grito e na falta de respeito. Se queremos ser ouvidos e respeitados, devemos ouvir, pensar, refletir, respeitar, antes de qualquer ataque.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. ELIAS NOBRE - RSP+SOBRAL-CE1 de outubro de 2013 18:24

      CONCORDO PLENAMENTE COM AS PALAVRAS DO JOSIMAR COSTA, NOS TEMOS QUE MUDAR NOSSA POSTURA E SERMOS MENOS AGRESSIVOS POIS AGRESSÃO SEJA DE QUALQUER FORMA SO NOS DISTANCIA E NÃO ACESÇE EM NADA EM NOSSA CAMINHADA O MOMENTO É DE UNIÃO!

      Excluir
  2. O que as pessoas não intendem que a partir do momento que se parte para ofensas e agressões se perde por completo a razão a fala do Jair Brandão foi perfeita muito firme porem educada e contemplou a todos ali presentes,tudo jogado fora por conta de um ato impensado.

    ResponderExcluir
  3. Todos já sabem minha opinião sobre o fato. O EEONG aqui do Rio foi uma preliminar disso e por conta disso me afastei voluntáriamente do front...

    ResponderExcluir
  4. São tantas as gafes... Falta elegância...Falta compreensão...Falta civismo... Falta preparo... Falta conhecimento... Falta discernimento...Falta educação...Sobra estrelismo recheado pela grandeza tupiniquim. Na gramática portuguesa ainda não encontrei o adjetivo certo para qualificar a quem convida uma pessoa (ou autoridade) para participar um evento de interesse público e a constrange publicamente ou a quem é convidado e não tem a educação bastante para se comportar como gente. Quem acaba pagando por estas mazelas é sempre quem está em vulnerabilidade social e precisa da ação de ativistas e de gestores públicos. Finalmente,cristalina perda de tempo, trabalho inútil e mau gasto de dinheiro em detrimento à objetividade e responsabilidade. Com isto, prejuízo é o único bônus a contemplar aos beneficiários do evento.LAMENTÁVEL!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Com certeza estamos lidando com um governo extremamente respeitoso, cumpridor dos seus deveres, muito educado e muito preparado para enfiar goela abaixo de toda população , tanto na prevenção como na assistência a precariedade cada dia maior. Tanta paciência para serem diplomáticos enquanto suas vidas estejam cada dia mais vulneráveis. Lamentavelmente, alguns militantes,que são as pessoas que são prejudicadas por este governo, já que utilizam do serviço, que se comprometeu formalmente entendam que é preciso pisar em ovos para tratar com os considerados 'superiores'. ,Aqueles que não aguentam mais respostas técnicas, que não resolvem as demandas, meus parabéns e claro, estou divergindo de muitos que aqui se manifestarão.

      Excluir
  5. Diretor do RNP Insituto Espaco Saude - Lucas Soler
    Prezado Thiago
    Quem responde este e-mail sou eu LUCAS SOLER Diretor do Espaço Saúde.
    Quero informa-lhe que sinceramente quero que você vai pro raio que o parta. Pessoas como você e que fazem o movimento de AIDS esta a merda que esta.
    Afinal so pensam em vir ao evento trepar e correr atras de passeio.
    Sinceramente por favor vai caçar o que fazer. Se ainda não percebeu não estamos nem ai pro que você pensa ou deixa de pensar.
    Quanto a falar do trabalho e da entidade dos outros lave sua boca, e vai trabalhar e construir seu próprio caminho.
    Afinal de contas como diz uma pessoa que a gente conhece.
    “QUEM É VOCÊ MESMO NA FILA DA CESTA BÁSICA”
    E estou passando uma ordem aqui para os colaboradores do ESPAÇO SAÚDE ninguem mais lhe dar nem satisfação.
    Afinal de contas nosso trabalho esta gravado, fotografado e divulgado em nosso site. Isso é a nossa prestação de contas.
    Atenciosamente,
    Lucas Soler

    ResponderExcluir
  6. Eu não estava presente neste encontro, porém entendo perfeitamente os disparates, assim como as ofensas referentes ao Diretor do Departamento, isso não significa que concordo, apenas entendo. "NÓS" que vivemos com HIV que vivenciamos o preconceito, seja na família ou na sociedade cotidianamente e que somos usuários do SUS e estamos á uma década estamos assistindo o desmantelamento das politicas de enfrentamento e tratamento do HIV/AIDS. Temos também assistido bancada evangélica trazendo atraso no que diz respeito ao trabalho de prevenção ao público que é marginalizado e vivem a margem dessa sociedade burguesa e hipócrita
    Tudo isso nos traz angústia e desesperos e medo de voltarmos aos primórdios da AIDS no Brasil e depois da repre´slia ao Dr.º Dirceu Grecco ficamos ainda mais apreensivos. Talvez tudo isso tenha resultado na postura indelicada do Moisés, que quem conhece sabe que é uma pessoa extremamente sensível e que chora com os que choram.
    O Movimento de Luta contra a AIDS, tanto as REDES quanto os FÓRUNS precisam se unir e avaliar o governo que aí está e pensar queremos a continuidade ou a alternância (ao meu ver a única esperança). Precisamos ocupar os conselhos de Saúde, Direitos Humanos. Precisamos nos articular com o legislativos estaduais e municipais, assim como com o MP e OAB. Entendo que o departamento simplesmente é o executor de políticas impostas por este governo que tem avançado em muitas áreas, porém tem deixado a desejar no que se refere a nós PVHAS. DARIO COELHO VITÓRIA-ES.

    ResponderExcluir