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Sou muito humorado. Se bem ou mal, depende da situação...

Em 1989 o HIV invadiu meu organismo e decretou minha morte em vida. Desde então, na minha recusa em morrer antes da hora, muito aconteceu. Abuso de drogas e consequentes caminhadas à beira do abismo, perda de muitos amigos e amigas, tratamentos experimentais e o rótulo de paciente terminal aos 35 quilos de idade. Ao mesmo tempo surgiu o Santo Graal, um coquetel de medicamentos que me mantém até hoje em condições de matar um leão e um tigre por dia, de dar suporte a meus pais que se tornaram idosos nesse tempo todo e de tentar contribuir com a luta contra essa epidemia que está sob controle.



Sob controle do vírus, naturalmente.



Aproveite o blog!!!



Beto Volpe



quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Eu quero alguém com aquilo roxo


Quem me conhece sabe que sou militante do PT desde os tempos em que eram organizados almoços em escolas de periferia servindo carne seca com mandioca para a construção de um partido e concretização do sonho de um Brasil mais justo, em plena ditadura militar. Sabe também que não tenho mais o mesmo entusiasmo de tempos passados, quando vejo coisas como o aperto de mão entre Lula e Maluf, as articulações com segmentos fundamentalistas, a banalização da luta contra a AIDS ou a sigla do partido associada a tantos casos de corrupção. Mas ainda creio que a coligação capitaneada pelo PT ainda representa a candidatura mais próxima a tudo que acredito no que diz respeito à dignidade da pessoa humana, princípio básico da Declaração dos Direitos Humanos da ONU e da Constituição da República Federativa do Brasil. Não há como negar diversos avanços sociais, para não dizer de algumas verdadeiras revoluções provocadas por um partido revolucionário, em sua origem.

Um dos principais motivos para essa crença é o fato do PT ter tirado o Brasil do mapa mundial da fome, segundo relatório elaborado e divulgado em setembro último pela FAO, órgão da ONU que trata de assuntos de alimentação e agricultura. Eu passei fome somente uma vez na vida, quando me perdi nas montanhas do Peru quando fazia o caminho inca até Macchu Picchu, mas isso é muito diferente do que não ter o que dar de comer aos filhos durante dias seguidos. "Podemos fazer o que o Brasil fez nos últimos dez anos e acreditamos que estamos em condições de fazer isso", disse Allan Bojanic, diretor da FAO no Brasil, referenciando o país como exemplo no cumprimento desse que é, talvez, o mais urgente dos Objetivos do Milênio, para alegria de Betinho e seu ideal de Fome Zero. Não que não existam mais miseráveis no país, mas a redução foi realmente muito grande, graças a políticas sociais como o bolsa família, tão combatido sob a pecha de ser 'bolsa esmola', programas de fornecimento de luz elétrica e gás e instalação de mais de um milhão de cisternas.

Falando em cisternas, esse é outro fator decisivo para minha decisão, o governo do PT foi o primeiro a tomar atitudes radicais para acabar com os efeitos da indústria da seca no nordeste desde Dom Pedro II. A transposição do rio São Francisco está virando realidade, o que dará perenidade a vários córregos e rios que secam na falta de chuvas. Isso afetará milhões de pessoas diretamente, além de poder proporcionar a muitos pais de família que migraram forçadamente para o sul maravilha realizar seu maior sonho: voltar para seu pedaço de terra, junto a sua família e continuar sua vida de sertanejo bruscamente interrompida em busca de melhores condições para viver. 

Ainda nos avanços sociais, lembro muito bem que há uns quinze anos se falava que a classe média iria acabar, que só restariam pobres e ricos no país. Pois é, e não é que a classe média é, como nunca antes na história deste país, maioria da população? A renda dos mais pobres cresceu três vezes mais que a dos mais ricos durante a gestão petista, ainda segundo a FAO, 67% dos aposentados tiveram aumento real de 71%, o desemprego é um dos menores do mundo e, por consequência, as pessoas podem planejar melhor seu futuro, de preferência em uma das milhões de casas do maior programa habitacional já executado, maior até que o BNH dos militares. A democratização do ensino superior também é uma realidade, não fosse o combatido PROUNI muita gente ainda iria amargar o pesadelo de não poder cursar uma faculdade. Fora os programas de pós graduação, de formação no exterior e o PRONATEC, este em parceria com o sistema 'S'.

Como disse no início, foi uma ducha de água fria ver as manchetes dos jornais estampando casos de corrupção envolvendo dirigentes do PT. Lançar o discurso da ética no colo da direita foi o pior dos crimes cometidos, mas tenho claro que essas máfias estão estabelecidas há décadas, para não dizer séculos. Todo e qualquer governante ou partido que assumir o poder irá encontrar dificuldades para concretizar suas propostas de campanha, a não ser que realize coligações que lhe permitam maioria no parlamento. Tudo bem, esse princípio rege a democracia na maior parte do mundo, mas no Brasil essa 'governabilidade' toma contornos tão mesquinhos, destacando as tais máfias, que tem gente até colocando Deus no meio da história. Aliás, esses últimos debandaram em sua maioria para a candidatura tucana, o que poderá tranquilizar um pouco o povo do arco íris. A grande diferença é que durante o governo do PT os instrumentos para coibir a corrupção foram aperfeiçoados, incluindo a delação premiada que agora atinge novamente o partido. 

Acho que todo mundo se lembra da expressão 'Engavetador Geral da República', alusiva ao Procurador Geral da República dos governos do PSDB, que engavetavam toda e qualquer denúncia de corrupção, incluindo a compra da reeleição de FHC por duzentos mil reais cada parlamentar, fartamente documentado e nunca investigado. Como disse Dilma no primeiro debate:

"Onde estão os acusados do caso Sivan? Todos soltos. Da pasta rosa? Todos soltos. Da compra da reeleição? Todos soltos. Do mensalão mineiro? Todos soltos. Do cartel de trens e metrô de São Paulo? Todos soltos. A Justiça tem que ser para todos."

Com o detalhe sórdido de que a grande imprensa, que é dominada pelas famílias Marinho, Saad, Civita, Mesquita e Frias, filtra as notícias envolvendo a oposição, em um comportamento coerente com o colaboracionismo com que algumas delas trataram o governo militar. Desafio a todos e todas a me dizerem em que instância estão os processos do cartel do metrô e do mensalão mineiro. Pouca gente sabe, os desmandos da oposição em estados onde é situação não são divulgados, provando outro ponto: não somos Cuba e jamais seremos. A liberdade de expressão é tamanhã que permite que um grupo de abastados que assistiam à abertura da Copa do Mundo do Brasil gritasse de seus camarotes, horrorizando o país e o mundo>

- Ei, Dilma, vai tomar no cu!

À parte a grosseria, a afronta pública a uma mulher eleita pelo povo para dirigir o país, Dilma não se furtou a participar dos outros dois compromissos públicos que teve, incluindo a entrega da taça à Alemanha, agora sob vaias, o vai tomar no cu não havia caído bem. Isso é postura de Estadista, ao contrário de Aécio Neves, que não foi a nenhum dos dois jogos que a seleção brasileira fez em sua terra natal, em pleno Mineirão, temendo alguma reação análoga por parte dos torcedores. Vai ver que ele também desconfia de sua propalada 'aprovação' de 92% do eleitorado daquele estado, que muito contrasta com a acachapante derrota que o candidato do PSDB sofreu para o do PT. Ele se assemelhou muito a George Bush, o filho, ao enfrentar o atentado do WTC e o furacão Katrina, pois fez de conta que não era com ele e demorou para tomar atitudes, o que custou muitas vidas e muito sofrimento. Ainda bem que essa atitude de se esconder durante a tempestade não produziu nem morte e muito menos sofrimento, mas quando se tem a caneta mais poderosa da Nação é diferente, ser omisso não é uma atitude digna de um Chefe de Estado.

Em outras palavras, eu quero que mude mais, eu quero Dilma de novo, com a força do povo. Meu voto é no PT, um partido que não é mais revolucionário como antes, mas que vem produzindo uma verdadeira revolução social em nosso país. Eu quero um Estadista com aquilo roxo, seja aquilo o que for.

Beto Volpe

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