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Sou muito humorado. Se bem ou mal, depende da situação...

Em 1989 o HIV invadiu meu organismo e decretou minha morte em vida. Desde então, na minha recusa em morrer antes da hora, muito aconteceu. Abuso de drogas e consequentes caminhadas à beira do abismo, perda de muitos amigos e amigas, tratamentos experimentais e o rótulo de paciente terminal aos 35 quilos de idade. Ao mesmo tempo surgiu o Santo Graal, um coquetel de medicamentos que me mantém até hoje em condições de matar um leão e um tigre por dia, de dar suporte a meus pais que se tornaram idosos nesse tempo todo e de tentar contribuir com a luta contra essa epidemia que está sob controle.



Sob controle do vírus, naturalmente.



Aproveite o blog!!!



Beto Volpe



domingo, 10 de março de 2013

Diga-me com quem andas...

Descrição da imagem: foto da passeata com muuuuita gente, bandeiras, faixas e indignação.


O recado foi dado de norte a sul do país e mesmo no exterior: Feliciano, fora!

Está entre os assuntos mais comentados nas redes sociais, em todas as manchetes da mídia e, o melhor, na pauta de todos os movimentos sociais. Enfim, uma causa concreta que nos uniu, que nos agregou em praça pública como um único segmento social: o das pessoas que exigem justiça em nosso país. Lá estava o povo do arco íris, alvo preferencial dos fundamentalistas, em todas as suas cores e nuances. O povo do axé, mostrando que amaldiçoado é quem destruiu sua nação e escravizou sua população. Indígenas, pessoas vivendo com HIV, punks, ciganos, mulheres e homens heterossexuais fizeram uma belíssima, enorme e ruidosa manifestação que teve início na Av. Paulista e terminou no centro da cidade. Até policiais e motoristas entusiasmados deixavam claro que aquela multidão e aquele congestionamento eram por uma boa causa e não se furtavam em deixar isso claro manifestando seu apoio. E deve ter sido assim nas outras cidades do Brasil e de outros países, se o deputado não é nobre, a nossa causa é e o povo tem consciência do perigo que ele representa para toda a população.

É bem provável que o deputado e seus correligionários convoquem uma manifestação de apoio a sua permanência na CDH da Câmara Federal, como também é bem provável que consigam colocar mais de um milhão de pessoas na rua. Mas o estrago está feito. Todos os segmentos abrangidos pela referida comissão estão contra sua permanência e deixaram isso bem claro, ao ponto do presidente da Câmara aventar a sua substituição por ter extrapolado o âmbito da comissão e atingir a já combalida imagem do legislativo. E o melhor de tudo, colocou-nos no mesmo ambiente e falando a mesma língua. Naquele momento não éramos gays, negros, lésbicas, pessoas com deficiência, não éramos nada disso. Éramos seres humanos em busca da felicidade, o valor base de nossa existência terrena.



Quem já passou por dificuldades extremas e as superou sabe muito bem que os desafios são o mais rico aspecto dessa existência, eles trazem consigo a reflexão, a possibilidade de mudança de rumo e, sobretudo, a tomada de atitude. E em apenas quatro dias de convocação essa atitude foi tomada, na velocidade das redes sociais, já prometendo novas edições. Diretas Já e Caras Pintadas novamente? Por que não? As diferenças deixaram de ser importantes, está na hora de fazer valer o que nos iguala, a luta contra a exclusão. Essas manifestações não devem ser um fim em si mesmas, devem provocar reflexão, mudança de rumo e atitude das lideranças dos movimentos sociais para que tenhamos, enfim, uma fala única em defesa das liberdades individuais e da dignidade humana em todos os espaços de articulação e decisão.
 
 
Obrigado, deputado. Vossa Excelência prestou um grande serviço à nação ao expôr seu racismo, sua homofobia, seus métodos extremamente questionáveis de sustentabilidade financeira. Conseguiu nos unir e, mais, provocou a tal reflexão e atitude em um grande número de evangélicos, esses decentes e que têm em Deus os valores de amor e justiça, que também estão questionando publicamente sua eleição. O senhor e seu partido estão sós. Bem, não tão sós, resta saber como o artífice dessa barbaridade irá se comportar. Como o partido do qual sou simpatizante desde os anos setenta, e que sempre empunhou a bandeira da diversidade, irá se comportar diante de tamanha reação. Porque se hoje gritamos ‘Fora Feliciano!’, amanhã poderemos gritar ‘Fora PT!’.

E no dia que os movimentos sociais gritarem isso, companheira Dilma, talvez as lideranças partidárias escolham melhor suas companhias. Afinal, diga-me com quem andas e eu te direi quem és.

Beto Volpe

2 comentários:

  1. Adorei o texto! Beto vc é incrível, adorei ter conhecido *-*
    Beijos Marina

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  2. EXCELENTE!!!!!

    Como sempre

    beijos
    Marta Gil

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