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Sou muito humorado. Se bem ou mal, depende da situação...

Em 1989 o HIV invadiu meu organismo e decretou minha morte em vida. Desde então, na minha recusa em morrer antes da hora, muito aconteceu. Abuso de drogas e consequentes caminhadas à beira do abismo, perda de muitos amigos e amigas, tratamentos experimentais e o rótulo de paciente terminal aos 35 quilos de idade. Ao mesmo tempo surgiu o Santo Graal, um coquetel de medicamentos que me mantém até hoje em condições de matar um leão e um tigre por dia, de dar suporte a meus pais que se tornaram idosos nesse tempo todo e de tentar contribuir com a luta contra essa epidemia que está sob controle.



Sob controle do vírus, naturalmente.



Aproveite o blog!!!



Beto Volpe



terça-feira, 12 de abril de 2011

No mundo da Lua

Descrição da imagem: manchete de jornal americano 'Man Enters Space' (o homen entra no espaço).

Há exatos 50 anos o homem finalmente rompia a barreira que o separava da Lua e das estrelas: Yuri Gagarin fazia o primeiro vôo orbital sobre a Terra ganhando, além de um grande trunfo para a União Soviética na corrida espacial, um admirador com apenas cinco meses de vida intra uterina., onde não existia o azul por ele visto. Oito anos mais tarde Neil Armstrong dava o primeiro passo da humanidade em solo lunar, pendendo a corrida para os americanos e conquistando uma entre milhões de crianças que, absolutamente deslumbradas, tinham sua vocação determinada: ser astronauta. Era verdadeiramente encantador ver o mundo como uma esfera solta no Universo, condenando a raça humana ao convívio entre diferenças, à sobrevivência sem subterfúgios e ao amor sem conveniências.

Claro, não pensei nisso tudo àquela época, mas a sensação de que somos membros de uma só civilização virou certeza, assim como o Fiat Lux passou a ser Big Bang e Adão & Eva uma inspiração para meus futuros pecados. Julio Verne reforçou essa crença de que somos todos iguais perante a Deus e ao DNA e os Secos & Molhados deram o start para a loucura, enchendo minha cabeça de vermes da Lua Cheia. Devorava os livros de astronomia, mas me preocupava minha pouca afinidade com matemática e física. Mas ainda alimentava o sonho de ser astronauta e, apesar de já ser bulinado há tempos (nos diversos sentidos possíveis, incluindo bulling), ver a Terra com espaço para todo o mundo.

Daí em diante a Vida encarregou-se de destruir meus sonhos de astronauta. Meus temores educacionais se concretizaram e tomei o rumo da comunicação, essa sim uma afinidade que carrego no tal DNA. Com muita tristeza vi que meus pés jamais sairiam da Terra e foi aí que decidi que jamais tiraria minha cabeça da Lua, conhecendo Janis, Rita e Raul. E o mundo gritou que não era um só batendo, literalmente, à minha cara com a afirmação de minha sexualidade. Naquela época não se batia com lâmpadas, mas ficou bem claro para mim que o mundo não era universal e que eu fazia parte da banda que não era aceita.

Das duas tristezas a maior, sem dúvida, foi a de não pertencer ao mundo. Eu sabia que, mesmo estando tão distante da Lua e das estrelas, eu continuava pertencendo ao Universo e às suas Leis Naturais. Ao passo que, em um mundo norteado pela conveniência e pelos subterfúgios, a convivência social torna-se bem complicada. Ainda bem que eu decidi continuar com a cabeça no mundo da Lua, mas com os pés bem fincados no chão. Almejar um mundo melhor sem perder a consciência de que vivemos em um ambiente degradado sob todos os aspectos. Sim, a maioria é boa mas é silenciosa e entregue à inércia. Assim como Gagarim quando orbitou a atmosfera terrestre em sua Vostok.

A diferença é que ele tinha as melhores expectativas para seu planeta, ao passo que as nossas parecem cada vez mais próximas de um buraco negro.

Beto Volpe

2 comentários:

  1. Olá, mais novo parceiro de tranca! Muito legal seu blog, estou ainda no começo da leitura mas já me identifiquei com muitas coisas ditas. Também já perdi amigos por hiv e sei como é difícil essa realidade. Mas eu acredito que a morte não é o fim da linha, e que tudo faz parte de um aprendizado maior. Um abraço, fique bem!

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  2. Legal, Guto, seja bem vindo! É uma luta, cara, mas dá pra ganhar. É como no jogo de ontem, hahaha... Concordo contigo, tempo e distância não existem e o aprendizado é o que conta. Abração, fique bem vc tb.

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