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Sou muito humorado. Se bem ou mal, depende da situação...

Em 1989 o HIV invadiu meu organismo e decretou minha morte em vida. Desde então, na minha recusa em morrer antes da hora, muito aconteceu. Abuso de drogas e consequentes caminhadas à beira do abismo, perda de muitos amigos e amigas, tratamentos experimentais e o rótulo de paciente terminal aos 35 quilos de idade. Ao mesmo tempo surgiu o Santo Graal, um coquetel de medicamentos que me mantém até hoje em condições de matar um leão e um tigre por dia, de dar suporte a meus pais que se tornaram idosos nesse tempo todo e de tentar contribuir com a luta contra essa epidemia que está sob controle.



Sob controle do vírus, naturalmente.



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Beto Volpe



sexta-feira, 19 de julho de 2013

Na 1ª reunião da Comissão de Articulação com Movimentos Sociais coordenada por Fábio Mesquita, ativistas anunciam saída do grupo enquanto não forem recebidos por Padilha

Alguns pontos me preocupam bastante. Um deles é a priorização do diagnóstico precoce. Não que isso não seja importante, mas a assistência carece do mesmo tratamento, especialmente pelas complicações do tratamento a longo prazo sendo jogadas para a assistência básica. Outra coisa que me surpreendeu foi a falta de sensibilidade do novo gestor para com os débitos do governo para com a sociedade civil, e são muitos como bem disse Jair Brandão. E não sei se estou doido, mas percebi um monte de entrelinhas no trecho: "Na avaliação de Mesquita, o Brasil vive um momento de disputa política, em que os múltiplos setores querem influenciar nas políticas públicas. “Mas isso é natural do processo democrático”, disse."
Um começo preocupante, que deve servir de alerta para o movimento de luta contra a AIDS. De volta às raízes!
Beto Volpe
 
 

19/07/2013 - 15h30

A 39ª reunião da Comissão de Articulação com Movimentos Sociais em HIV/Aids e Hepatites Virais (CAMS), a primeira sob a coordenação de Fábio Mesquita, aconteceu nesta sexta-feira, 19 de julho, em Brasília. Durante o evento, parte do movimento social de luta contra aids anunciou sua retirada temporária da Comissão até que seja marcada uma audiência com o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Representando as ONG/Aids do Sudeste do País, Arnaldo Barbosa, do Fórum de ONGs/Aids do estado de São Paulo, leu uma carta em que a instituição anunciou sua saída. Acompanharam a decisão todos os fóruns estaduais de ONGs/Aids presentes no encontro, com exceção do estado de Roraima, representante da região Norte, que vai discutir localmente a situação.

Os movimentos ligados aos Indígenas, Hepatites Virais e de Redução de Danos optaram por não aderir neste momento e ampliar um pouco mais as discussões internas para uma decisão posterior.

Fábio Mesquita disse lamentar profundamente que o movimento social corte o diálogo com o governo antes mesmo dele começar, mas que entende a decisão e respeita. “Entendemos isso como uma iniciativa que parte de vocês e não de nós”, encerrou.

Em 17 de junho, quinze ativistas e participantes da CNAIDS (Comissão Nacional de DST e Aids) - grupo que assessora o Ministério da Saúde na definição de mecanismos para o controle do HIV e coordena a produção de documentos técnicos e científicos – também assinaram uma carta aberta direcionada ao ministro Padilha, informando que não fariam mais parte da Comissão.

O protesto fazia referências aos recentes vetos da Pasta em campanhas de prevenção às DST/aids.

Novas diretrizes do Departamento

De acordo com Fábio Mesquita, entre as novas diretrizes que pretende trazer ao Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, está o estímulo ao aumento do diagnóstico de HIV. O novo diretor disse que quer resgatar as políticas de redução de danos e das hepatites virais, que em sua opinião encontram-se negligenciadas.

A expansão do diagnóstico precoce segue uma tendência mundial, ressaltou Mesquita. Entre as ideias, ele citou a realização de testes em farmácias, o que foi alvo de críticas por ativistas, que alegaram que este é um momento tenso e delicado. Para o diretor, a tensão em relação à realização do teste pode acontecer em qualquer ambiente e não é privilégio dos testes realizados em farmácias.

Quando perguntado se o aumento dos diagnósticos vai pressionar os serviços de assistência, o novo chefe do Departamento lembrou da ideia de descentralização da assistência, em que um paciente com HIV pode ser atendido por um clínico geral. “O importante é o médico ser bem treinado e capacitado, além de compromissado com o paciente”, disse. Para Mesquita, é necessário aumentar a quantidade dos serviços especializados, mas nem tudo vai ser direcionado para eles, já que parte pode ficar para a atenção básica.

Jair Brandão, da ONG Gestos, declarou ser preocupante o governo convocar a sociedade civil para comunicar as novas diretrizes, quando estas deveriam ter sido elaboradas junto ao movimento. “Além disso, o senhor chega em um momento em que há várias pendências do governo com o movimento de aids, estamos sem várias respostas”, cobrou o ativista.

O gestor respondeu a crítica alegando que as questões trazidas nesta sexta-feira são completamente emergenciais e consenso entre as demandas dos ativistas, mas que está aberto ao diálogo para a construção da política de resposta à epidemia.

“Seria irresponsabilidade da minha parte esperar seis meses para tratar dessas questões emergenciais, fora que são ações que estão em movimentos como o manifesto ‘O que nos tira o sono?’, que já são demandas de vocês. E as respostas que estamos devendo virão, só é preciso de um pouco mais de tempo, já que estou no cargo há menos de duas semanas”, defendeu-se Fábio.

Redução de danos e hepatites


Na reunião, Mesquita prometeu também revigorar a política de redução de danos entre usuários de drogas, que em sua opinião está esquecida no Departamento. “É uma população extremamente importante, não só para o HIV, mas também para a Hepatite C. Seria uma negação da minha própria história se eu não trabalhasse isso”.

O movimento de hepatites virais declarou-se esperançoso com a posse de Mesquita, que disse que a área não será mais negligenciada no Departamento. A principal crítica do movimento social foi em relação à burocracia para o acesso ao tratamento, especialmente aos medicamentos inibidores de protease. O problema foi reconhecido pelo novo diretor, que se compromissou em trabalhar nisso para aumentar o acesso ao tratamento.

Momento de disputa política

Na avaliação de Mesquita, o Brasil vive um momento de disputa política, em que os múltiplos setores querem influenciar nas políticas públicas. “Mas isso é natural do processo democrático”, disse.

“Nós vamos continuar lutando pelas diversidades e para que sejam aceitas. Mas há formas e formas de fazer campanhas. Temos que ser mais criativos com os mecanismos para colocar nas ruas as mensagens que o movimento social deseja. Não precisamos fazer necessariamente com o logo do governo, mas elas terão o apoio do governo. Isso não é recuar das responsabilidades, mas precisamos saber em que sociedade vivemos”, complementou.

Seguindo a linha de raciocínio, o gestor acha que é injusto dizer que o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, é conservador, já que ele foi contra ações como o estatuto do nascituro e a internação compulsória de usuários de drogas. “O mesmo vale para a presidente Dilma, já que tivemos uma série de avanços em seu governo”.

Nana Soares
Agência de Notícias da AIDS

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