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Sou muito humorado. Se bem ou mal, depende da situação...

Em 1989 o HIV invadiu meu organismo e decretou minha morte em vida. Desde então, na minha recusa em morrer antes da hora, muito aconteceu. Abuso de drogas e consequentes caminhadas à beira do abismo, perda de muitos amigos e amigas, tratamentos experimentais e o rótulo de paciente terminal aos 35 quilos de idade. Ao mesmo tempo surgiu o Santo Graal, um coquetel de medicamentos que me mantém até hoje em condições de matar um leão e um tigre por dia, de dar suporte a meus pais que se tornaram idosos nesse tempo todo e de tentar contribuir com a luta contra essa epidemia que está sob controle.



Sob controle do vírus, naturalmente.



Aproveite o blog!!!



Beto Volpe



domingo, 6 de novembro de 2011

NÃO FAÇA MAIS QUE A OBRIGAÇÃO (NA VERDADE, PODE-SE ATÉ FAZER MENOS) E SEJA PREMIADO. E VIVA O DINHEIRO DA AIDS!

Descrição da imagem: mão espalmada pra cima recebendo (ofertando?) várias moedas de diversos valores.

Pessoal, uma vez mais abro espaço no blog para meu amigo de fé e irmão camarada Cláudio Monteiro que desta feita questiona premiações no âmbito do SUS. Boa leitura!
Beto Volpe

Lançado em junho de 2011, a publicação oficial do Ministério da Saúde, Projeto AIDS SUS-2011-2014 (Manual Operacional) apesar de sua  importância capital no realinhamento das estratégias de enfrentamento ao HIV, vem passando despercebida – ou talvez  esteja sendo convenientemente obscurecida. Ao menos, não é perceptível a repercussão desta junto ao movimento social, assim como não se percebe, por parte dos gestores, o empenho condizente a sua importância, quanto à divulgação.

Já em seu resumo executivo, o documento se apresenta como tendo “dois objetivos de desenvolvimento: aumentar o acesso aos serviços de prevenção, diagnóstico e tratamento em DST/HIV e aids para grupos vulneráveis e melhorar o desempenho dos programas de DST e aids nos três níveis de governo, por meio da gestão baseada em resultados e melhoria da governança(grifo nosso). O curioso, para não dizer, o desconcertante, reside no fato de que, entre as estratégias definidas para melhorar o desempenho dos programas de DST e aids (...)e melhoria da governança, consiste no estabelecimento do Sistema de Premiações e Sanções, a incidir sobre as esferas de gestão, referente a utilização dos recursos transferidos pelo Fundo Nacional de Saúde aos Fundos Estaduais e Municipais de Saúde a título de “incentivo” ao cumprimento de metas de enfrentamento ao HIV.

Para que entendamos tal proposição, e principalmente suas profundas implicações, retomemos a História :

O advento, e a conseqüente necessidade de  enfrentamento à epidemia de HIV/Aids (através da proposição e execução de políticas publicas especificas), no Brasil, ocorre, em termos cronológicos, concomitantemente ao processo de construção do Sistema Único de Saúde, ou seja o início dos anos 80. A paulatina regionalização e descentralização da gestão das políticas de saúde, e a conseqüente adesão dos municípios ao SUS, uma vez embasada em indicadores epidemiológicos, pôde prever, e, portanto, destinar recursos, às ações de prevenção e assistência em HIV/Aids.
Assim sendo, a crescente magnitude epidemiológica verificada e a conseqüente necessidade de estruturação de serviços de atendimento a portadores, bem como o desenvolvimento de ações de prevenção, motivou o Governo Federal, pelo Ministério da Saúde, a celebrar acordos com o Banco Interamericano Para a Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), visando a consecução de recurso, destinados a estes fins. A celebração destes, veio possibilitar  que estados e municípios com maiores magnitudes epidêmicas viessem a ter acesso aos recursos, através da celebração, por sua vez, de convênios com o Ministério da Saúde. Tais convênios condicionavam-se a elaboração de instrumentos formai de planejamento, denominados Planos Operativos Anuais (POA)
Nesta modalidade de repasse de recursos financeiros (convênio), a prestação de contas do conveniado ao convenente, é realizada de maneira contábil, ou seja, através da apresentação de comprovantes de despesas, não havendo necessariamente parâmetro de avaliação técnica das ações executadas.
Evidencia-se, portanto que, a forma de financiamento inicialmente desenvolvida pelo Ministério da Saúde para ações de prevenção e assistência em DST/Aids, ou seja, os convênios “POA”, consistiram, nos período compreendido entre 1994 e 2002 enquanto em um anacronismo institucional.  A modalidade convenial de repasse de recursos financeiros obedece a formas contábeis de prestação de contas legalmente determinadas, hodiernamente dadas pela Lei Federal 8.666/93,,diferenciando-se dos mecanismos de repasses financeiros e de controle social, inerentes ao SUS previstos nas Leis Orgânicas da Saúde, regulamentadas pela Norma Operacional Básica 01/96. Este anacronismo referente ao financiamento das ações de HIV/DST/Aids corrigiu-se pela Portaria  MS 2313/02, a qual institui incentivo para Estados, Distrito Federal e Municípios no âmbito do Programa Nacional de HIV/Aids e outras DST, e também pela Portaria MS 2314/02 que aprova a Norma Técnica Incentivo HIV/Aids e outras DST.
Com a habilitação dos municípios os recursos financeiros passam a ser regularmente depositados em conta do Fundo Municipal de Saúde, seguindo assim a lógica dos demais repasses, lato senso, denominados fundo a fundo.
Em agosto de 2004,  por meio da Portaria MS 1679/04,  o MS definiu as normas relativas ao Sistema de Monitoramento da Política de Incentivo no Âmbito do Programa Nacional de DST e Aids.  O monitoramento é realizado (on line, ou de modo convencional), através das informações prestadas unicamente pela esfera de gestão que vem recebendo o recurso. Ou seja, iniciaram-se os repasses a título de incentivo, e somente  dezesseis meses após este inicio, buscou-se o estabelecimento de mecanismos mínimos de controle dos repasses verificados, em vistas ao cumprimento ou não, das metas e ações previstas nos planos..
Estudos acadêmicos desenvolvidos por Silva[1], Taglietta[2] e Monteiro[3], entre outros endossados pelos freqüentes relatos de técnicos dos programas municipais de AIDS indicam que a pactuação de metas, através do instrumento formal de pactuação,  bem como a aprovação destes por instâncias deliberativas não ofertam garantias de que os gestores e gerentes venham a desencadear as ações previstas ao cumprimento das metas pactuadas, ainda que o repasse de recursos financeiros concernentes a estas esteja assegurado.
Complementarmente, a garantia do cumprimento das metas pactudas passa necessariamente pela revisão do das relações institucionais verificadas entre as áreas da saúde e administrativas dos municípios, ou mesmo entre as áreas programáticas de uma mesma Secretaria Municipal da Saúde. Evidencia-se desta forma que a obstacularização ao cumprimento das metas pactuadas pelos municípios, dada por entraves administrativos dos próprios municípios, pode estar ocorrendo em vários municípios habilitados ao recebimento dos recursos do incentivo. Prova maior deste descumprimento generalizado reside no fato de que, de acordo com informações de técnicos do próprio Departamento Nacional de DST, AIDS e Hepatites Virais, a somatória do montante repassado aos Fundos Municipais de Saúde, de 2003 até o presente, e que se encontram “parados” em contas bancárias simplesmente porque as administrações municipais não sabem utilizar o recurso, ultrapassa a cifra de 55 milhões de reais. E isto num país onde o número de casos novos de infecção pelo HIV, anualmente, ultrapassam a casa dos 35 mil casos.
Paradoxalmente, as ferramentas de reversão deste quadro, já existem, e residem, sobretudo, na própria Portaria MS 1679/04 (em que pese a fragilidade deste instrumento em termos auditoriais), e, principalmente na Portaria MS  Nº 399/2006, que define claramente  as responsabilidades da União e dos Estados na regulação, controle, avaliação e auditoria, conferindo aos Estados “monitorar e fiscalizar a aplicação dos recursos financeiros transferidos aos fundos municipais” e à União ”monitorar e fiscalizar a aplicação dos recursos financeiros transferidos fundo a fundo e por convênio aos fundos de saúde dos estados, do Distrito Federal e dos municípios”. A observação e cumprimento desses dispositivos, logicamente, dependem muito mais da decisão política de cada esfera de gestão em fazer valê-los, do que o mecanismo em sí.
Mas, seja como for, os mecanismos de controle, já existem. Vai daí a necessidade de externarmos nossa mais profunda estranheza quanto ao Sistema  de Premiações e Sanções atualmente proposto pelo Departamento Nacional de DST, AIDS e Hepatites Virais.
Mas no que consiste este “sistema”?
De acordo com o texto do documento Projeto AIDS SUS-2011-2014 (Manual Operacional : “As Secretarias Municipais de Saúde participantes da Política de Incentivo poderão receber como prêmio uma bonificação até R$ 50 mil. Para tanto, deverão ter alcançado os seguintes resultados: (...)execução superior a 70% dos valores anuais da PAM (grifos nosso). Ora, o valor mínimo de repasse, pelo Fundo Nacional de Saúde a um determinado município a título de incentivo é de R$ 75 mil. 70 % de R$ 75 mil é igual a R$ 52 mil. Ou seja, um determinado município pode vir a fazer jus a receber um premio no valor quase equitativo ao montante gasto no cumprimento, ainda que parcial, das metas pactuadas. Ou seja: gestões municipais serão premiadas por não terem feito mais do que a obrigação. Ou mais : mesmo que a obrigação não tenha sido integralmente feita, poder-se-á,a inda, ser-se premiado. Mas o “sistema” pensado prevê não apenas “prêmios”, mas também sanções. Mas, ao expor quais sanções seriam estas, o documento resume-se a referendar as pouco exeqüíveis sanções previstas anteriormente na Portaria MS 1679/04.

"Voltando-se ao “prêmio”.

O documento Projeto AIDS SUS-2011-2014 (Manual Operacional) é um tanto lacônico quanto as formas “legais” de utilização do montante, uma vez que dispõe apenas que “o Departamento constituirá um grupo para eleger as SMS a serem premiadas, de acordo com os parâmetros previamente estabelecidos, e indicar como essa premiação deverá ser utilizadaA julgarmos pela história pregressa, na qual o repasse de recursos foi iniciado em inícios de 2003 e a normatização do monitoramento destes oficiou-se quase dois anos depois, é possível que municípios venham a ser premiados e somente após meses os anos, a forma de utilização dos recursos destes “prêmios” sejam disciplinadas.

Neste particular cabe-nos questionar a legitimidade de que tal utilização seja normatizada por um “grupo” do Deptº Nacional de DST, AIDS e Hepatites Virais, uma vez que, por se tratar de um “prêmio”, a instância de decisão de sua utilização para este ou aquele fim, circunscreve-se à competência de decisões dos Conselhos Municipais e Estaduais de Saúde. Ainda que possamos argüir que a execução de uma política pública não é uma gincana, ou um escolar mais ou menos aplicado, sobre os quais incidem “prêmios” e “sanções”, tal questão nos parece menor, frente a uma outra : por que será que a implantação de um sistema de premiação a gestores municipais que não fizeram mais do que a obrigação em utilizar corretamente os recursos recebidos, e a indefinição de como este dinheiro pode ser legalmente utilizado, dá-se a pouco mais de um anos antes das próximas eleições municipais ?

Me desculpem, foi apenas uma curiosidade que me ocorreu.
Cláudio C. Monteiro Jr é bacharel em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo e mestre em Infectologia em Saúde Pública pelo Instituto de Infectologia em Emílio Ribas. Atua desde 1985 no enfrentamento ao HIV, em organizações governamentais e não governamentais, sendo membro da Pastoral da AIDS, CNBB.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Das parcerias e quadrilhas *


Descrição da foto: tronco e membros superiores de um homem trajando terno preto risca de giz, camisa branca, gravata amarela e um belo par de pulseiras ofertadas pelo delegado a unir seus pulsos. Presume-se um sorriso tão amarelio quanto a gravata.

* Artigo publicado na edição de hoje do diário 'A Tribuna do Litoral Paulista'.


É bastante preocupante a declaração do Ministro dos Esportes Aldo Rebelo de que tanto ele quanto seu ministério não pretendem fazer mais convênios com ONGs, A participação da sociedade civil organizada tem sido, desde a redemocratização do país e a promulgação da atual Constituição, uma das ferramentas mais eficazes na promoção dos direitos humanos e na redução da exclusão social, ainda endêmica país afora.  Em alguns setores, como a luta contra a epidemia de AIDS, essa parceria foi fundamental para que o país obtivesse reconhecimento internacional por seus resultados e também para a própria consolidação do Sistema Único de Saúde. Além dos serviços prestados, as ONGs têm papel fundamental na construção e monitoramento de políticas públicas e, sem essa participação muitos dos escândalos noticiados no país sequer teriam ido parar nas páginas dos veículos da imprensa.

O que ocorre, e aí vou concordar com a colocação do Ministro, é que a fiscalização acontece de forma distinta. Nos pequenos convênios, financiamentos e contratos, através dos quais milhares de Instituições sérias conseguem atuar para realização de seus objetivos, boa parte do tempo é gasto com inúmeros relatórios, planilhas e consolidados. Ao passo que quase todos os políticos têm uma organização social ‘parceira’, muitas confundindo firmar parceria com formar quadrilha. E quando surge um escândalo, ele envolve milhões de reais. Não tenhamos dúvidas que muito vai se ouvir falar de ONGs apoiando este ou aquele candidato nas eleições do ano que vem, não raro sendo sócio fundador da mesma instituição.

Em 2009 tive o orgulho de defender duas teses sobre saúde pública no Supremo Tribunal Federal e foi a oportunidade de frisar que existem ONGs e ONGs. Que muitas sequer merecem ser chamadas assim, dada a promiscuidade com os mesmos órgãos públicos com os quais o Ministério dos Esportes pretende dar exclusividade em convênios. No entanto, existem trabalhos sérios que não devem ser colocados no mesmo balaio da corrupção, dentre elas a Instituição que tenho orgulho de ser fundador e de sua atuação na luta contra a AIDS.

Não há dúvidas que as relações entre governo e sociedade civil organizada devem ser transparentes e para isso é necessária a divulgação de todos os projetos apoiados com dinheiro público em um único sítio de informações, como defendido na mesma audiência pública. E não relacionar somente os objetivos e valores envolvidos, como ocorre na maior parte dos casos, mas especialmente as atividades desenvolvidas nos projetos e sua periodicidade, garantindo condições de monitoramento pela própria comunidade envolvida. Isso também ajudaria a separar o joio do trigo no movimento social, hoje infestado por aventureiros e escroques de várias procedências, mas com o objetivo único de lesar o patrimônio público.

Vale lembrar o compromisso de campanha da presidenta Dilma de que o governo federal iria se ‘pautar por uma relação democrática, respeitosa e transparente com as organizações da sociedade civil’. E assim deve ser, afinal são as ONGs que mais contribuem para o controle social de políticas públicas, atuando em conselhos e conferências para melhoria dos serviços prestados pelo governo. Portanto, Ministro Aldo Rebelo, se o seu partido não tem condições de fiscalização dos convênios que celebra e como saída acha melhor abrir mão de parcerias sérias e sustentáveis, é favor não estimular com que seus colegas de primeiro escalão sigam essa idéia. O país terá muito a perder e quem mais sofrerá, como sempre, será o povo brasileiro.

Beto Volpe
Fundador do Grupo Hipupiara
Ativista e consultor em  Direitos Humanos na área da Saúde

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

O humor intolerante

Descrição: a sem graça Maisa, pupila de Sílvio Santos, declarando que odeia piada sem graça
Descrição da imagem: a igualmente sem graça Maisa declarando, através de um balão de HQ, que não aguenta piada sem graça…

Se o amor é um passo pruma armadilha, como disse Djavan, o humor é a própria armadilha. Quem, como eu, o tem como uma forte característica de trabalho sabe o quanto é perigoso fazer graça com temas sérios. Um pequeno deslize e você atravessa a tênue linha que separa o engraçado do ofensivo. São vários os exemplos onde personalidades teceram comentários humorados diante de assuntos delicados e tiveram suas carreiras marcadas para todo o sempre. O maior deles talvez seja o de Marta Suplicy, sexóloga pioneira na TV brasileira, política, gestora da maior cidade da América do Sul e que será lembrada por toda a eternidade por seu comentário sobre o tumulto nos saguões durante a crise dos aeroportos:

- Relaxa e goza.

Ela disse exatamente o que se deve fazer nessa situação, procurar não se estressar e arrumar algo prazeroso para fazer. Só que o fez de forma engraçadinha, a frase não caiu nada bem e foi uma das mais repetidas na propaganda eleitoral de seus adversários políticos. Outro grande exemplo é o de Paulo Salim Maluf quando concorreu à presidência da República em 1989, defendendo endurecimento da pena para estupros seguidos de morte:

- Estupra, mas não mata.

E esse se tornou, sem sombra de dúvidas, um dos feitos mais lembrados de sua extensa e intensa carreira política. Pois bem, muito tem se falado sobre os limites do humor e até mesmo se esse limite deve ou não existir. Também se questiona as mesmas coisas sobre o politicamente correto, se está ocorrendo um excesso na defesa dos direitos individuais e coletivos ou é esse o caminho para uma sociedade mais justa e solidária.

Quem assistiu aos programas humorísticos do século passado lembra que não havia nada disso, tudo era motivo para piadas de gosto bastante questionável, recheadas de estereótipos e pouco importava se aquele quadro não tinha graça nenhuma para quem se identifica com a personagem. Não era nada fácil para mim assistir, ao lado de meus pais, piadas ridicularizando homossexuais. Da mesma forma como não deve ser fácil para um idoso ver a expressão de aversão de Danilo Gentilli, um dos bufões do CQC, ao dizer em seu programa de Stand Up veiculado em um canal da TV paga:

- Vocês já viram a sala de espera da saúde pública? Tem mais velho (nesse momento entra a cara de nojo) que a piscina do Cocoon.

Nesse exemplo fica muito claro onde ele escorregou, foi no sentimento transmitido pela fisionomia que alterou completamente o sentido da piada. Passou de graça a ofensa. Danilo tem nojo de velhos? Ele tem mãe? Ele espera ter um futuro longevo? Outro dos pupilos de Marcelo Tass que parece que perdeu a mão foi o bom e inteligente Rafinha Bastos. O gaudério jornalista não deve se sentir ofendido por piadas de gaúchos, pois ser gaúcho não é uma situação que provoca exclusão social e nem sofrimentos. Pelo contrário, é um povo reconhecido por sua auto estima elevada e que ri dessas piadas todas. Portanto ele não deve saber o que é a dor de se ver retratado de forma ridícula em um meio de comunicação, expondo essa pessoa da mesma forma à sociedade com a qual ela convive. Como a maneira com que foram mostradas pessoas com deficiência intelectual no quadro Comédia MTV, que resultou em ação pública.

Sou árduo defensor da liberdade de pensamento e de expressão. Vivi minha infância e juventude sob a rígida ditadura militar, não podendo falar nada e sei quão cara é essa tal Liberdade. Mas também defendo o direito de qualquer pessoa em procurar justiça caso se sinta insultada ou constrangida por piadistas de mau gosto, seja de forma espontânea ou através da Justiça. Engraçado que quando se fala em reparação, os ‘inimigos’ do politicamente correto se levantam e gritam que ‘se fosse nos Estados Unidos ele poderia falar o que quiser’. E esquecem de mencionar o tanto de processos que correm neste momento no sistema judiciário norte americano justamente por ofensas feitas por, repito, piadistas.

Wanessa Camargo e o marido vão processar Rafinha pela graça sobre sua gravidez. O mesmo está ocorrendo com o rapaz no 4º DP de São Paulo, onde o mesmo foi denunciado por apologia ao estupro. É, a discussão vai longe, mas parece que a tendência é a de que um ser humano ofendido vale mais do que um milhão de piadas idiotas juntas. Não é preciso ser intolerante para ser engraçado. Aliás, a intolerância não tem graça nenhuma, a não ser para os intolerantes.

Beto Volpe

Artigo publicado originalmente em http://www.imprenca.com/

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Cobaias de Deus

Descrição da imagem: lado a lado, reprodução do Homem Vitruviano de Leonardo da Vinci e um ser bípede vermelho com quatro grandes braços cascudos, patas e uma cabeça muito pequena, contrastando com seu peitoral. Traja roupinha clubber branca e preta.


"Se você quer saber como eu me sinto, vá a um laboratório, um labirinto. Seja atropelado por esse trem da morte. Vá ver as cobaias de Deus!"
Cazuza

Pessoal, não sei ao certo por quanto tempo estarei limitado, o fato é que amanhã serei submetido à minha 20ª cirurgia , a primeira de uma série de três ou quatro até o final do ano. Aguardem bolão sobre o local da 24ª, o vencedor ganhará um prêmio especial do blog. Enfim, mais uma patologia comumente encontrada entre idosos e a certeza cada vez mais presente de que o futuro virou coisa do passado e que meu corpo físico está envelhecendo antes do tempo. Lipodistrofia, osteoporose, problemas de ereção, cânceres, demência e agora catarata. Acabo de completar 50 anos de idade, mas meu corpo me diz que tem 70. Ainda bem que o espírito se renova a cada dia e a pele não foi atingida pelo amadurecimento precoce, isso balanceia a situação e permite tocar em frente.

Quando o coquetel chegou e percebemos que ainda não seria hora de embarcar, cada qual para sua dimensão, aceitamos o fato de que teríamos conseqüências pelo uso continuado de medicamentos potentes e que sequer completaram o processo formal para sua aprovação. E aí não vai uma crítica, não fosse essa celeridade não haveria o Carga Viral. Igualmente sabemos que a covivência por longo tempo com organismo invasor tão ardiloso nos modificaria de alguma maneira, não há casa que não se molde a seu inquilino, em algum aspecto ou intensidade. E, mesmo o governo e a ciência sabendo disso, ainda ouvimos de gestores, profissionais de saúde e até de alguns médicos a pérola da comodidade:

- Vocês estão envelhecendo como todo mundo.

Não é o que diz pesquisa da UFRJ, já mencionada em artigo meu na Folha de S. Paulo e comentada neste blog, onde o crescimento de óbitos por problemas cardiovasculares foi de 0,8% entre pessoas que não têm o vírus HIV em seu corpo ao passo que entre pessoas vivendo o índice salta para 8%¨ao ano. Igualmente díspares são os de cânceres, 8% contra menos de 3&. Também não é o que retrata pesquisa do Instituto de Traumatologia e Ortopedia do Hospital das Clínicas de São Paulo, do qual sou cliente há onze anos, de que 16% das pessoas vivendo com HIV têm sérios problemas ósseos como osteoporose e osteonecrose. Também não é bem um envelhecimento natural  vermos mulheres entrando na menopausa antes dos 30 e homens da mesma idade passando por frustrações sexuais que sequer eram consideradas antes dos 60. E não são poucos nem poucas, o desequilíbrio hormonal é uma das características dessa nova fase da epidemia, a fase pós coquetel.

Como está o estado de espírito dessas pessoas? As que foram levadas a uma situação de deficiência estão tendo acesso aos serviços de saúde e a outros mecanismos sociais? A referência e contra referência com outras disciplinas médicas como oncologia, cardiologia e ortopedia está sendo satisfatória? E a prevenção a esses agravos, como está? Onde estão os dados sobre a qualidade de vida das pessoas vivendo com HIV? Estão empregadas ou engrossaram as estatísticas de desemprego? ONDE ESTÁ O INTERESSE NA QUALIDADE DE VIDA DAS PESSOAS VIVENDO COM HIV? Já disse, sabemos que assinamos um contrato com o imponderável, mas esperamos uma pronta reação do governo e da sociedade civil para essas questões. Afinal, a portaria da lipodistrofia, antiga conhecida, sequer está implementada em boa parte do país.

Os dados estão saindo, ao menos isso. Até pouco tempo era apenas nossa percepção e nossa indignação que rasgavam espaços em aberturas de congressos e em reuniões com gestores e SEMPRE FORAM NEGLICENCIADAS sob o argumento de que não havia dados a respeito. E agora, qual será a desculpa, tanto do Estado quando da sociedade civil organizada para varrer os efeitos colaterais para debaixo do tapete? Não dá mais para conviver com o princípio de que estamos vivos e que, dadas as perspectivas anteriores ao coquetel, isso deveria nos bastar.

Queremos de volta a URGÊNCIA na solução de problemas da AIDS.
Queremos a CURA.
Queremos qualidade de vida.
Queremos editais de pesquisas que revelem como está ela está, mas que não sejam tecnicistas, onde nem médicos se atrevem a se inscrever.
Queremos eventos científicos a respeito do assunto com nossa participação em todos os passos da organização. Nada sobre a gente sem a gente.
Queremos, sobretudo, que nossa voz seja ouvida. Mas... Que voz? Quem deveria gritar está ocupado demais discutindo eventos e projetos.

E que seja respeitado o Código de Nuremberg. Afinal, não somos cobaias de Deus Somos cobaias a serviço da humanidade e da evolução científica.

Beto Volpe

sábado, 24 de setembro de 2011

Rock'b'Rio: palavra do Ministério e réplica

Pessoal, como forma de manter aceso o debate, disponibilizo mensagem a mim enviada pelo Dr. Dirceu B. Greco, Diretor do Departamento Nacional de DST/AIDS/Hepatites Virais. Como uma espécie de tréplica igualmente colo minha resposta. Peço desculpas pela edição cortando as laterais, mas o documento governamental não permite alterações e não cabe, enfim.
Beto Volpe

Ponderações sobre Rock in Rio22set11

Em
Em relação aos questionamentos relacionados à ação programática de oferecimento de testagem para o HIV durante o evento Rock in Rio, em setembro de 2011, o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais (SVS/MS) apresenta as razões para a realização dessas ações em eventos semelhantes:

Em todo o mundo, existe prioridade absoluta para a facilitação do acesso ao diagnóstico da infecção pelo HIV, levando-se em conta, entre outros fatores, o grande número de pessoas que chegam tardiamente aos serviços de saúde, o que eleva os riscos de adoecimento, de impacto negativo na qualidade de vida e de aumento da mortalidade.
. O Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, como ação programática clara, vem investindo sistematicamente em estratégias conjugadas e diversificadas de prevenção e comunicação voltadas para os jovens e outros segmentos populacionais que, por razões variadas, não buscam ou não têm acesso aos serviços de saúde em todo o país.
O “Fique Sabendo” é uma das estratégias de ampliação da oferta de diagnóstico que promove ações pontuais em eventos de massa para sensibilizar a população sobre o acesso à testagem na rede de saúde. Eventos dessa natureza, tais como o Carnaval e as festividades populares ou artísticas, têm proporcionado a oportunidade de disponibilizar informações sobre prevenção, combater estigma e preconceito, distribuir preservativos para grande número de pessoas e oferecer acesso à testagem para aqueles que o desejarem.
Para o Rock in Rio, são esperados cerca de 700 mil participantes, em grande parte jovens, além das 14 mil pessoas que trabalharão no evento. Vale lembrar que as pesquisas comportamentais e a vigilância epidemiológica têm mostrado a diminuição da adoção de práticas sexuais seguras e o aumento do número de infecções na população jovem, particularmente entre homens que fazem sexo com outros homens.
Todas as ações de testagem desenvolvidas pelo Ministério da Saúde incluem a realização do aconselhamento pré e pós-teste, com garantia do sigilo dos resultados. Assim, o oferecimento do diagnóstico, com informações claras, confidencialidade e aconselhamento competente e ético, dá ao jovem a oportunidade de decisão, que é só dele, autônoma, independente e emancipada. Cabe ao Ministério da Saúde proporcionar os meios de acesso e garantir os encaminhamentos adequados.
A ação do Rock in Rio foi desenvolvida pelo Ministério da Saúde com apoio do Fundo de População das Nações Unidas (ONU), da Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro e de municípios do interior do estado. A ação compõe-se dos seguintes processos:
1        Disseminação de informação durante o evento – com o “flash mob” e filmes que serão apresentados diversas vezes no intervalo dos shows;
2        Distribuição de preservativos e acesso a informações sobre a adoção de práticas sexuais seguras;
3        Acesso ao diagnóstico por meio de testes rápidos.

Para que o projeto se realize de forma técnica e eticamente adequada, um espaço foi montado no evento, replicando-se nele toda a estrutura necessária e existente em um Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), com salas para aconselhamento pré e pós-teste, água corrente e demais equipamentos, além da presença de profissionais competentes e preparados para abordar situações que envolvem o diagnóstico positivo e os devidos encaminhamentos.

Certo de continuar contando com a participação de todos nesta luta para o controle da epidemia da aids,
Cordialmente,

Dirceu B. Greco
Diretor
Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais
Secretaria de Vigilância em Saúde
Ministério da Saúde

RESPOSTA AO DEPARTAMENTO NACIONAL


Prezados Doutores e Edu, boa tarde
Acredito piamente que vossas intenções e as de quase todos os envolvidos nessa estratégia são as melhores possíveis para o enfrentamento à epidemia de AIDS. Peço, então, a gentileza de lerem meu artigo ‘Rock’n’You’, publicado no www.cargarival.blogspot.com (umas quatro ou cinco postagens anteriores) e no www.imprenca.com, onde passei a ter uma coluna semanal. Lá estão os contrapontos a vossos argumentos relacionados ao Fique Sabendo no RnR.
Ontem, em reportagem sobre os trabalhadores da cidade do rock, foram entrevistados vários deles, de diversas áreas. Todos se revelavam absolutamente orgulhosos e realizados profissionalmente por estarem ali. Quase tão eufóricos quanto os fãs que chegavam gritando, pulando, cantando...
Isso não é estado de espírito para se receber esse diagnóstico, POR MELHOR QUE SEJA O ACONSELHAMENTO/ACOLHIMENTO. Lamento, mas enquanto uma única pessoa estiver em risco de passar por essa situação, não será admissível para os meus princípios de pessoa vivendo com HIV e de muita gente que tem se manifestado igualmente horrorizada com essa iniciativa.
Grande abraço, pois que nossas divergências atuam dentro de uma convergência, que é o fim da AIDS.
Beto Volpe

Jogadores online resolvem dilema científico

Meu, é pra emocionar, é pra desejar que tantos amitos e tanas amigas que se foram estivessem aqui para presenciar maravilhas como essa. Pela segunda vez no mesmo dia, VIVA A CIÊNCIA E VIVA A FÉ !!!
Beto Volpe

Descrição da imagem: tela do jogo com diversos cmandos e algo que deve ser uma molécula .

Jogadores de um game online resolveram em três semanas um problema de biologia molecular que vinha desafiando os cientistas há mais de uma década. A solução representa o início de uma nova rota para o desenvolvimento de uma vacina contra a AIDS, outra encruzilhada da qual os cientistas ainda não conseguiram sair.

Dobramento de proteínas
Os jogadores voluntários formaram equipes para participar de um jogo online chamado FoldIt - "dobre-o", em tradução livre, em referência ao processo de dobramento das proteínas. O jogo permite que os participantes tanto colaborem quanto compitam para tentar prever a estrutura de moléculas de proteínas. Depois de passarem mais de uma década tentando sem sucesso, os cientistas desafiaram os jogadores de FoldIt a criarem um modelo preciso de uma enzima de um vírus similar ao HIV. Eles resolveram o problema em três semanas.

Proteases retrovirais
A classe de enzimas que estavam sendo estudadas, chamadas proteases retrovirais, têm um papel crítico na forma como o vírus da AIDS amadurece e se prolifera.
Diversas equipes de cientistas vêm tentando desenvolver medicamentos que bloqueiem essas enzimas.
Mas os esforços têm sido infrutíferos sobretudo porque os cientistas não sabiam como era a estrutura da molécula de protease retroviral, o que dificulta projetar moléculas que possam se ligar a ela.

Intuição humana
"Nós queríamos ver se a intuição humana poderia ter sucesso onde os métodos automáticos falharam," disse Firas Khatib, da Universidade de Washington, nos Estados Unidos.
O sucesso veio depois de três semanas, sendo este o primeiro caso documentado de que jogadores tenham resolvido um problema científico.
Mais importante, depois de um pequeno refinamento nos modelos produzidos pelos jogadores, os cientistas verificaram que a superfície da molécula possui alguns alvos interessantes para medicamentos que consigam desativar a enzima.

Nobel Gamer?
E haverão inúmeras outras partidas de FoldIt, uma vez que a estrutura das proteínas tem um papel essencial no estudo das causas e tratamentos para doenças imunológicas, câncer e Alzheimer, apenas para citar algumas. Quando o lançaram, há cerca de três anos, os cientistas disseram que o FoldIt poderia render um Prêmio Nobel de Medicina.

Parece que eles não exageraram muito.

Fonte:
Redação do Site Inovação Tecnológica - 20/09/2011
 
Bibliografia:
Crystal structure of a monomeric retroviral protease solved by protein folding game players
Firas Khatib, Frank DiMaio, Seth Cooper, Maciej Kazmierczyk, Miroslaw Gilski, Szymon Krzywda, Helena Zabranska, Iva Pichova, James Thompson, Zoran Popovic, Mariusz Jaskolski, David Baker
Nature Structural & Molecular Biology
18 September 2011
Vol.: Published online
DOI: 10.1038/nsmb.2119

Vírus HIV é bloqueado com terapia genética

Quem espera sempre alcança. Olha só a indústria farmacêutica se revirando perante o século 21, a era de Aquário e as maravillhosas descobertas que tornarão medicamentos coisa do passado. Viva a Ciência! E viva a Fé! Uma não funciona sem a outra. E viva a Vida!
Beto Volpe

Descrição da imagem: Pinça e agulha atuando em uma célula ou coisa parecida.

Tratamento eliminaria a necessidade do uso de antiretrovirais pelo resto da vida.
 
Pesquisadores desenvolveram uma terapia genética experimental capaz de manter o HIV sob controle permanente - uma descoberta que pode ser um passo importante para a cura da Aids. O estudo foi feito por cientistas da Sangamo BioSciences, companhia que está desenvolvendo o tratamento, e divulgado durante a Conferência de Interciência sobre Agentes Antimicrobianos e Quimioterapia, em Chicago.A terapia genética funciona bloqueando o vírus fora dos linfócitos T CD4, que é o principal alvo do HIV e responsável por administrar o sistema imunológico para o controle de infecções. Dez pacientes que participaram do estudo estavam fazendo terapia antiretroviral quando o estudo começou. Após quatro semanas, seis deles fizeram uma pausa no tratamento - e pararam de tomar a medicação antiviral por 12 semanas.A carga viral diminuiu em três dos seis pacientes. Um deles teve a carga reduzida a níveis indetectáveis. Os outros dois registraram uma queda de dez vezes a circulação do vírus. "Estamos entusiasmados com os resultados desse estudo fase 1. Ter um paciente livre do vírus e outros dois com reduções significativas é incrível", disse Jeff Nichol, presidente-executivo da Sangamo BioSciences à New Scientist.Pesquisa
 
Para o estudo, os cientistas tiraram sangue dos pacientes e isolaram os linfócitos CD4 e outros glóbulos brancos. Eles utilizaram uma 'tesoura molecular' chamada dedo de zinco, uma proteína capaz de entrar nas células e sabotar o gene CCR5, que ajuda o HIV a entrar nas células. Não está claro qual o papel que o gene CCR5 desempenha normalmente, mas os especialistas sabem que as células conseguem sobreviver sem ele — e ainda conseguem ficar sem a infecção por HIV. Depois, essas células são devolvidas ao paciente, com o objetivo de que elas se multipliquem e forneçam uma fonte permanente de células saudáveis do sistema imunológico — bloqueando assim completamente o HIV.A ligação entre o HIV e o gene CCR5 foi sugerida pela primeira vez em 1996. O conceito foi testado pela primeira vez na Alemanha, em 2006. Na ocasião, uma pessoa com leucemia e que também tinha aids recebeu um transplante de medula óssea. O transplante veio de uma pessoa que as células sanguíneas não produziam as proteínas CCR5.
 
Segundo o acompanhamento médico, o paciente ficou livre de HIV até 2008.Em geral, a maioria das pessoas têm duas cópias do gene CCR5 — uma da mãe e a outra do pai. O paciente que obteve o melhor resultado tinha uma cópia defeituosa do gene CCR5. O que, segundo os pesquisadores, pode explicar porque a terapia funcionou melhor nele do que nos outros. Edward Lanphier, chefe executivo da Sangamo, estimou, segundo à agência Reuters, que entre 5 e 10% dos pacientes HIV são portadores dessa mutação genética. Cerca de 33 milhões no mundo todo possuem o vírus HIV.O segredo, segundo os pesquisadores, é tentar eliminar ambos os genes dessas células. Se apenas um for sabotado, as células ainda podem produzir a proteína CCR5 e permitir que o vírus invada o organismo. Ao ter o gene CCR5 duplamente sabotado, não há nenhuma chance do vírus entrar, acreditam os cientistas.
 
Fonte: Veja.com

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Rock'n'You


Descrição da imagem: símbolo do Rock'n'Rio com o laço da luta contra a AIDS penduradinho.

Não sei se quem está me lendo agora já recebeu, por infortúnio, um diagnóstico positivo para uma doença incurável, progressiva e fatal, que carrega estigmas e que muda completamente sua vida, quando não dá cabo dela rapidamente. Não é nada fácil, óbvio, e por conta disso existe uma série de critérios em procedimentos e estrutura física a serem seguidos pela saúde pública, visando promover o máximo possível de conforto ao ser humano ali presente e facilitar seu encaminhamento ao serviço de saúde e sua adesão ao tratamento, igualmente nada fácil. Uma sensação descrita pela esmagadora maioria das pessoas vivendo com HIV que conheci nesses 22 anos de infecção e doze de ativismo na luta contra a AIDS é a da perda de chão. Que pode ser interpretada como a perda da capacidade de focar o pensamento em qualquer coisa que não seja a notícia recém recebida. E, além de questões de foro íntimo, existem riscos à segurança pessoal, pois só o acaso nos protege quando andamos distraídos, como bem observado pelos Titãs.

Por todos esses motivos é que muita gente foi colhida de surpresa pela intenção do Departamento Nacional de DST/AIDS/Hepatites Virais em realizar testes de HIV no recinto do Rock'n'Rio,  Peraí !!! Seria um festival de rock o tal ambiente para realização de exame de consequências tão imprevisíveis? A grita foi geral, houve bastante visibilidade pela imprensa e tal. E a proposta foi restrita aos profissionais envolvidos no festival, alguns milhares, que seriam incentivados a realizar o teste. Pensando no pior cenário, que é o cenário que deve ser visto em primeiro lugar em qualquer planejamento desse porte, teremos a manchete nos sites do mundo todo:

QUEDA DE HOLOFOTES MATA
ELTON JOHN NO ROCK'N'RIO
Descrição da imagem: estrutura de um palco caído sobre pessoas. Elton jaz sob o piano.

E, nos detalhes, a informação de que a causa poderia ser uma conexão mal estabelecida entre a barra de sustentação dos holofotes e a do palco. O técnico, super qualificado para seu serviço ao ponto de estar tão próximo de estrelas internacionais, não estava pensando em seu trabalho. Ele havia perdido o chão.  Como o eletricista que eletrocutou Shakira ou a si mesmo. De forma geral, EM UM MOMENTO DE DIAGNÓSTICO DE HIV+ NÃO HÁ ESPAÇO PARA A RACIONALIZAÇÃO. Não há lugar para perspectivas, apenas para o fim do mundo. Aí vem a importância do acolhimento pelos profissionais que realizaram o teste. Não questionando, nem os conheço, os profissionais que trabalharão no estande do Fique Sabendo, mas tivemos uma mostra de quão problemática ainda é essa ação que tem em sua raiz um bom acolhimento.. Ou melhor, o acolhimento que havia anteriormente e também foi negativamente afetado pela falsa idéia de cronicidade da epidemia. Vamos lembrar o ocorrido ano passado, em Brasília.

Durante o VIII Congresso Brasileiro de Prevenção em DST/AIDS, que é a jóia da coroa governamental,  alguns milhares de pessoas discutiam DST/AIDS, propunham e apresentavam estratégias para aperfeiçoar o enfrentamento às epidemias. Dentre eles o próprio Departamento Nacional que montou um estande do Fique Sabendo bem no meio do evento. Supõe-se que ali estará uma equipe que será a nata da capacitação e sensibilização no assunto. E o que se viu não foi bem isso, aliás não foi nada disso. Em três episódios houve falhas gravíssimas, atestando uma vez mais que havia algo de podre no melhor programa de AIDS do mundo, que não é o da Dinamarca. Em um deles uma ativista javia sido Glorificada em Deus por resultado negativo e perguntou à profissional que se ela estivesse infectada seria uma Amaldiçoada pelo Demônio. Em outro aparece outra profissional e em voz alta chama: SENHOR ULISSES MACEDO ! Sem resposta repete o chamado por duas vezes até que se levanta uma loira lindíssima de mais de 1,80m de altura que, constrangidíssima, revela ser ela o tal de Ulisses. Somente nessa hora a enfermagem percebeu o nome social no documento de identidade. E o pior dos casos, um grupo de ativistas estava passando atrás do estande quando viu um rapaz visivelmente desorientado, o qual foi por eles abordado e só teve forças para dizer:

- Acabo de saber que tenho AIDS. Não sei o que vou fazer de minha vida.

Não dá mais para conviver com o descaso com o ser humano em nome de uma estratégia que precisa de visibilidade internacional. Terá o excesso de ar condicionado congelado as emoções dos gestores em Saúde? Não incentivaremos o diagnóstico em ações de marketing mas, sim, com a REAL estruturação dos Centros de Testagem e qualificação e valorização dos recursos humanos. Não é possível que companheiros de luta que estão em situação de governo se deixem levar por argumentos tão nocivos à saúde individual das pessoas que vivem com HIV/AIDS. Não é digerível que alguns membros da sociedade civil organizada acabem apoiando a ação por motivos nobres, mas que têm um custo muito alto. Não é possível que pessoas vivendo com HIV tenham se esquecido de como foi o momento de seu diagnóstico, mesmo que tenha sido há muito tempo, e emprestem sua imagem a essa barbaridade, ainda mais citando dois grandes ídolos da maioria das pessoas vivendo com HIV como seus artífices espirituais.

Ainda bem que Cazuza e Freddy não estão mais entre nós. Eles não teriam morrido de AIDS, mas morreriam de vergonha.

Beto Volpe

domingo, 18 de setembro de 2011

Testagem de HIV no Rock'nRio

Descrição da magem: símbolo do Rock'nRio com o laço da luta contra a AIDS apensada ao nome.

Pessoal, compartilho aqui um relato de Cida Lemos, grande amiga e batalhadora pela Vida, que támbém acha um grande equiívoco realizar testes de HIV em festas e eventos de celebração. Nossas emoções não são fáceis de se controlar, especialmente quando em estado de júbilo ou euforia. Lamentável o quanto o ar condicionado tira a sensibilidade das pessoas...
Beto Volpe

Prezados, também participei dessa reuniáo (sobre testagem para o vírus HIV no Rock'n'Rio) e depois de muitas explicações e justificativas perguntei se alguém sabia como ficava a cabeça de uma pessoa que recebe um diagnóstico positivo, principalmente em uma festa. Recebi resposta não satisfatória e logo à seguir fui participar de um debate na Escola de Enfermagem Ana Neri da UFRJ (público alunos do mestrado, doutorado , professores e profissionais) após a apresentação do filme POSITIVAS, juntamente com a diretora Susanna Lira. Iniciei minha fala me desculpando por ter chegado atrasada porque a reunião com o DN se prolongou mais do que estávamos esperando e para minha surpresa todos queriam saber se a testagem no Rock in Rio havia sido cancelada e ficaram bastante decepcionados quando informei que ela acontecerá.

Durante as perguntas a organizadora, professora Dra. Carla me confidenciou que havia um casal presente (que não era aluno) que acabara de receber pela manhã o resultado positivo e desejou assistir ao filme, ele estava inscrito para me fazer perguntas (só o resultado dele deu positivo o da mulher deu negativo). Aproveitei uma pergunta para falar sobre a importancia do apoio familiar, das relações sorodiscordantes, sem buscar culpados, que ninguem precisa sair contando sua sorologia enquanto não se sentir à vontade para isso, que a pessoa tem direito ao sigilo, que buscar ajuda psicologica e um grupo de apoio era importante para o fortalecimento e que principalmente temos que vivenciar nosso luto, para depois com o tempo conseguirmos forças para continuarmos a vida.

O homem pediu para falar e em pranttos (chorou muito, muito, muito) disse que quando recebeu o diagnóstico pensoui em se matar, pois ele é evangélico, tem 45 anos, tem uma companheira e que não tem coragem de enfrentar a familia,os amigos, falou do medo de ter infectado a mulhere da sua culpa por ter se relacionado fora de casa sem preservativo.
Perguntei porque ele fez o teste e onde e ele nos explicou que é doador de sangue e que fez no hemoRrio. Perguntei se ele se sentiu acolhido no momento em que recebeu a noticia e a resposta dele nos fez chorar a todos que estávamos presentes (só a assistente social sabia do caso) ele respondeu: 

- Eu só queria um abraço e não recebi  Fiquei ali parado sem saber o que fazer por mais de 3 horas, só pensando em me suicidar. Me foi dito que eu deveria chamara alguém para me buscar e que eu tinha que contar para a minha mulher, pois ela tambem teria que fazer o teste. Quando minha mulher chegou choramos juntos e fomos informados de que ela não poderia fazer o teste lá e nos foi dado vários endereços para procurarmos um e então viemos aqui no CTA (Hospital São Francisco de Assis) onde ela fez o teste rapido e deu negativo e fomos convidados para assistir ao filme. E agora ! Onde ir para iniciar o tratamento?

Ele se estendeu dizendo que odizer que os hospitais estão todos lotados e que a fila de espera é grande. Será que as pessoas vão olhar para ele descobrir que ele tem HIV? A mulher vai fazer outro exame em 3 meses, mas até lá, podem transar, beijar? Onde conseguir camisinhas? Qual diferença entre ter HIV e ter Aids? Ele também vai emagrecer e ficar com a fisionomia característica da Aids? Ela é da marinha será mandada embora quando descobrirem que ele está infectado? Será que ela vai abandoná-lo? (a mulher ficou o tempo todo calada, sentada ao lado dele). Será que vão pensar que ele é gay, esta doença é castigo? Quando vai morrer?

Respondi com emoção auxiliada pela Susanna (que ofereceu uma copia do filme para que ele pudesse ouvir os depoimentos com calma, inclusive dos familiares) reforçou a minha fala sobre a orientação sexual de cada pessoa, que doença não é castigo e que precisamos acreditar em alguma coisa para superar este momento. A Dra. Carla disse que trabalha com pessoas soropositivas há mais de 20 anos e que os medicamentos, a adesão e os bons pensamentos são primordiais para uma melhora físicca, além da descoberta precose da doença. Solicitei à ela que utilizasse seus conhecimentos para que ele fosse tratado ali mesmo, evitando uma peregrinação pelos serviços. Aproveitei para dizer à todos os presentes que assistiram emocionados o desespero daquele homem, que ao chegarem em seus locais de trabalho não esquecessem o quanto um abraço, um aperto de mão,uma palavra amiga pode salvar vidas. Se alguém não se sente à vontade para estas ações que procurem outra função. Não vá lidar com o público tão diretamente.

Aí pensei nas pessoas que recebem diagnóstico em festas. Como desejei que as autoridades estivessem ali, ouvindo um homem chorar copiosamente, com tantas perguntas sem respostas, com culpa, com medo .Será que continuariam achando que faz o teste em uma festa quem quer? Que basta indicar o hospital para um acompanhamento inicial, que receber um diagnóstico positivo para o HIV é a mesma coisa que receber um diagnóstico de diabetes? Sei da importancia de ficar sabendo o mais cedo possível da doença, para evitar casos como o meu que devido ao diagnóstico tardio acabei ficando cega. Mas será que não estamos realizando estas ações em locais inadequados? Será que não estamos priorizando a saúde física mais que a saúde mental? Será que estamos perdendo a sensibilidade e banalizando a dor de um diagnóstico positivo?

P.S. Antes de encaminhar esta carta recebi um e-mail da Dra. Carla me informando que o rapaz será acompanhado lá no hospital:

- Não falamos mais sobre o filme, apenas ouvimos e procuramos acolher aquele ser humano que precisava de colo, atenção e solidariedade.Outras pessoas também falaram palavras de incentivo e de carinho.
 
"Nada sobre nós, sem nós"
Beijinhos, Cida

Cida Lemos é professora, ativista em Direitos Humanos na área da Saúde, articuladora em AIDS e Deficiências e pessoa de minha máxima consideração.

sábado, 17 de setembro de 2011

Palavra sem ação, Palavra vã.

Descrição da imagem:: a metrópole ao fundo, antecedida pelo Banhado composto de vegeração rasteira e árvores, em sua maioria de médio porte. 

Eu não sabia que em São José dos Campos, interior de SP, havia uma área de preservação ambiental deslumbrante em um grande baixio de nome Banhado, envolta pela cidade e um calçadão onde pessoas lancham, fazem caminhadas e devem namorar um bocado. Também desconhecia que a cidade abriga a única catedral do mundo dedicada a São Dimas, o bom ladrão, único santo canonizado por Jesus que lhe assegurou que estariam juntos no Paraíso naquele mesmo dia. Tem relíquia e tudo, um pedaço da cruz do próprio. Mas de uma coisa eu tinha certeza: seria muito bem acolhido nessa cidade quase tão antiga quanto a minha, quatrocentona. Retomar relações da infância e da juventude, provar sabores e aromas. Um detalhe fascinante da viagem, se é que se pode chamar de detalhe, foi  ficar em um hotel amplamente acessível, o Blue Tree local (sim, porque outros da mesma rede têm diversos obstáculos). Não costumo fazer merchan empresarial, mas acho legal divulgar um espaço onde a rampa é a regra e a escada fica lá no cantinho, contrapondo a lógica reinante. E o motivo principal de minha estada, duas conversas com as pessoas com HIV atendidos pela Nossa Casa da Acolhida, ONG que associa direitos humanos e espiritualidade como poucas vezes tive a oportunidade de ver.

Fazia bastante frio de manhã cedinho na rodoviária de São Vicente, de onde saiu o busão que me levou ao histórico Vale do Paraíba, onde fui recepcionado por meu grande amigo de infância, àquela época nerd igualzinho a mim, e sua família maravilhosa, incluindo três dogs chiquérrimos: Linda Evangelista, Mr. Beans e Mel Lisboa. Com direito a estolas e tudo! Artur da Távola tem toda razão ao afirmar que 'afinidade é retomar o encontro no ponto em que foi interrompido, não importando a distância e o tempo de separação'. A cada assunto que desfilava entre uma taça de vinho e uma criação de seu filho restaurateur (já ouviram falar em ovo à milanesa???) as tais afinidades ainda estavam lá. Concordando ou não os pontos de vista, a aceitação com o que vem do outro foi o tom presente até durante o jogo onde o timão de meu amigo perdeu. Após uma deliciosa noite de sono e um café em família a condução para o local do evento chegou e lá fomos nós.

Nesse traslado fui muito bem conduzido por Reinaldo MMA que me mostrou alguns aspectos da cidade, como o Banhado (que ainda terei oportunidade de conhecer melhor) e a Catedral de São Dimas. A história desse santo católico e as duas cruzes sobrepostas que compõem o seu símbolo me impressionaram tanto que não resisti e fui à missa das 19:30hs com meu xale dourado e tudo, para arrepios de algumas devotas.. Enfim, chegando à Casa da Acolhida fui recepcionado pelos meus contatos na instituição, Valdete e Alex, e por uma equipe de voluntárias e técnicas absolutamente diferenciada de quase tudo que vi até hoje. Uma sensação de minha casa que justifica a razão social. Ao ver o quadro de atividades semanais, afixado ao lado da cozinha de dona Rute, lá estava agendado: ESPIRITUALIDADE.

Na hora surgiu-me a imagem de Jodie Foster no filme Contato, quando ela perde a vaga para entrar em contato com os alienígenas por não crer em uma força superior, criadora e ordenadora do nosso Universo. Não que eu ache que seja absolutamente necessário, mas que facilita muito trabalhar transversalmente um sentimento que para muitos é o mais importante que existe, isso facilita. Os princípios de igualdade, solidariedade e ética são tratados muito antes da Declaração Universal da ONU. Vêm desde os Dez Mandamentos, a propósito, base de nosso código penal. Uma informação que obtive recentemente e que me deixou deslumbrado é o significado do crucifixo nos tribunais, acima do magistrado. Sempre pensei, não somos um país laico? Já que tem a cruz do Cristianismo, deveria ter uma estrela de Davi, a lua e estrela do Islamismo, os símbolos sagrados da Umbanda. Nada disso. Ela serve para lembrar ao juiz que, por conta de um colega seu haver se omitido em um julgamento difícil, foi perpetrada uma das maiores injustiças da história da humanidade. Fé e Cidadania, tudo a ver.

E, por fim, vieram as duas atividades, duas tardes que me encheram de energia com sala lotada e olhares sedentos de informações sobre Adesão ao Tratamento, tema que me foi solicitado e que adequei para Adesão à Vida. Quando se adere à vida, acertar as contas com o tratamento se torna consequência natural. E nessa toada foi falado um bocado de situações e sugestões, dentre elas a divulgação dos serviços da ONG, como assistência jurídica, atividades físicas e nutrição. Alguns momentos muito emocionantes no resgate das perdas que todos ali passamos em nossas vidas e também sobre o potencial de transformações positivas que é a infecção pelo vírus HIV. Ao final, chororô na bela homenagem que a mim foi prestada pela equipe da instituição.

Agora, o grande barato foi após o final da primeira atividade, quando conversando com Alex em sua sala, bate à porta a bela nutricionista que viera me agradecer pela fila de pessoas para agendamento de consulta, trazendo um belo indicador de que algo havia atingido pessoas que necessitam urgentemente se organizar politicamente. Para se ter uma idéia, o poder público local cortou os vales transporte das pessoas com HIV sob o argumento de que, por contrato, era obrigado a garantir a lucratividade da empresa permissionária. Ao mesmo tempo, foi auto concedido aumento de mais de 50% aos vereadores, que não necessitam de vale pois têm transporte oficial garantido. Força e Fé, pessoal da Casa da Acolhida! Assistidos, direção, voluntários e equipe de profissionais. Contem comigo quando quiserem. Já estou com os contatos da  Pousada da Dona Elvira, sua vizinha que imagino não seja a Pagã e muito menos a Rainha das Trevas.

Ainda há muito a me banhar na terra do Banhado e do Acolhimento.

Que Deus e São Dimas estejam sempre com vocês.
E que a Fé continue sendo um belo combustível para a Cidadania!
Beijos, já saudosos.
Carlucho & Family, tempo e separação nunca existiram! Loviul  au!

Beto Volpe

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Solidariedade ao povo do sul e ao nosso futuro... Futuro?

Se é o aquecimento global ou o planeta está apenas 'naqueles dias', pouco importa. 

O fato é que o Brasil agora pode se 'vangloriar' de ter uma catástrofe natural comparável aos tornados, terremotos e tsunamis.

As chuvas torrenciais, que vemos agravadas em intensidade e freqüencia ano após ano.

Matam cada vez mais pessoas e provocam prejuízos cada vez maiores aos contribuintes.

Quando associamos fatos como o corrente em Santa Catarina às duas grandes secas na Amazônia....

Temos que parar de refletir. A hora é de agir. A próxima casa pode ser a nossa.

Beto Volpe