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Sou muito humorado. Se bem ou mal, depende da situação...

Em 1989 o HIV invadiu meu organismo e decretou minha morte em vida. Desde então, na minha recusa em morrer antes da hora, muito aconteceu. Abuso de drogas e consequentes caminhadas à beira do abismo, perda de muitos amigos e amigas, tratamentos experimentais e o rótulo de paciente terminal aos 35 quilos de idade. Ao mesmo tempo surgiu o Santo Graal, um coquetel de medicamentos que me mantém até hoje em condições de matar um leão e um tigre por dia, de dar suporte a meus pais que se tornaram idosos nesse tempo todo e de tentar contribuir com a luta contra essa epidemia que está sob controle.



Sob controle do vírus, naturalmente.



Aproveite o blog!!!



Beto Volpe



quarta-feira, 9 de novembro de 2011

III Fórum Nacional de Medicamentos no Brasil

Descrição da imagem^: caixinha de remédio com bracinhos, pezinhos calçando tênis azuis e se oferecendo com um valão onde ele diz: 'Alguém precisa de mim.'

Pessoal, segue informativo sobre uma importante ferramenta para aperfeiçoar a política farmacêutica do país. O resultado desse Fórum será um documento a ser incorporado nas diretrizes governamentais. Momento ímpar para dar visibilidade aos pleitos de tanta gente aflita, com receita médica na mão e sem acesso ao medicamento.
Beto Volpe

III Fórum Nacional de Medicamentos no Brasil
Data e horário: 24 de novembro de 2011 (quinta-feira), das 9h às 14h
Local: Auditório do Interlegis - Via N 2 - Anexo “E” - Senado Federal - Brasília
 
PROGRAMAÇÃO

 
Programa Preliminar (*nomes a confirmar)
8h30 às 9h30 - Recepção dos Convidados com café de boas vindas e Exibição de Vídeos

9h30 - Abertura com audição do Hino Nacional
·          Congresso Nacional - *Eduardo Alves do Amorim - Excelentíssimo Senhor Senador da República PSC/SE
·          Congresso Nacional – Vanessa Grazziotin - Excelentíssima Senhora Senadora da República PCdoB/AM
·          Congresso Nacional – Darcísio Perondi - Excelentíssimo Senhor Deputado Federal PMDB/RS e Presidente da Frente Parlamentar de Saúde
·          Ministério da Saúde – *Alexandre Padilha – Excelentíssimo Senhor Ministro de Estado
·          Ministério da Ciência e Tecnologia – *Aloizio Mercadante Oliva – Excelentíssimo Senhor Ministro de Estado
·          Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – *Fernando Pimentel – Excelentíssimo Senhor Ministro de Estado

9h40 às 13h30 - Temas de diretrizes aos trabalhos do dia:
ü       Políticas para ampliação do acesso a medicamentos e as PPPs
ü       O Ambiente Regulatório para o setor
ü       Desoneração da carga tributária dos medicamentos
ü       Garantia de acesso a novas Tecnologias
ü       Medicamentos Genéricos no Brasil
ü       Medicamentos Biológicos e normatização dos biossimilares
(Ampliar debates e espaços para o entendimento das políticas de medicamentos no país, com vistas a identificar e apresentar proposta de encaminhamentos que possam contribuir para a transformação do país num importante pólo produtor e criador de medicamentos, capaz de garantir assistência farmacêutica a todos)
·         Congresso Nacional - José Antônio Machado Reguffe – Excelentíssimo Senhor Deputado Federal PDT/DF e Membro da Comissão de Defesa do Consumidor
·         Ministério da Saúde – *Carlos Augusto Gadelha - Ilustríssimo Senhor Secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos
·         Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA – *Dirceu Barbano – Ilustríssimo Senhor Presidente
·         Instituto Butantã, SES/SP - Jorge Kalil – Ilustríssimo Senhor Professor, Doutor e Diretor Presidente
·         Comissão de Incorporação de Tecnologia/SCTIE/MS - Clarice Petramale – Ilustríssima Senhora
·         Banco Nacional do Desenvolvimento – BNDES - Pedro Palmeira – Ilustríssimo Senhor chefe do Departamento de Produtos Intermediários Químicos e Farmacêuticos
·         Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa – INTERFARMA - *Antônio Britto – Ilustríssimo Senhor Presidente Executivo
·         Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos – PróGenéricos – Odnir Finotti – Ilustríssimo Senhor Presidente
Moderador:

13h00 às 14h00 - Debate e apresentação de propostas
14h00 - Aos que desejarem terá visita guiada ao Congresso Nacional

Encerramento
·          Serão servidos café receptivo e Brunch
·          Vídeo conferencia em tempo real com as Assembléias Legislativas
·          Vídeo streaming, acompanhamento ao vivo pela internet, acesse página do Senado Federal
·          Ao vivo TV Senado e TV Câmara

Considerado como um dos setores da economia brasileira que mais cresceu em 2010, o mercado farmaêutico vem se expandindo largamente nos últimos anos. De acordo com entidades representativas do setor, cerca de R$ 5 bilhões em investimentos, negócios e aquisições agitaram o mercado brasileiro de medicamentos no ano passado.
A nível mundial, o mercado do Complexo Industrial da Saúde está  avaliado em US$ 1 trilhão, sendo US$ 670 bilhões da indústria farmacêutica, US$ 25 bi da indústria de reagentes de diagnósticos e US$ 9 bilhões da indústria de vacinas. A indústria de produtos médicos movimenta US$ 300 bilhões. O Brasil representa apenas 1,2% desse mercado e cerca de 80% em poder dos EUA, Japão, Alemanha, Holanda e França, segundo dados do Ministério da Saúde.
A expectativa de crescimento do mercado brasileiro, impulsionado pela estabilidade da economia, a ampliação do acesso a medicamentos e as políticas do governo na área de saúde, vem colocando o país na rota de potencial investimento de grandes grupos farmacêuticos. O Brasil é o nono maior mercado de fármacos e medicamentos do mundo e deverá crescer entre 8% e 11% até 2013, segundo dados do IMS Health, instituto que audita o desempenho da indústria farmacêutica no Brasil e no mundo.
O setor gera cerca de cinqüenta mil empregos diretos e é constituído por 540 indústrias farmacêuticas cadastradas no Brasil, nacionais e transnacionais. Cerca de cinqüenta mil farmácias comercializam mais de cinco mil produtos em todo país.  É regulado pela ANVISA, uma agência reguladora criada pela Lei Nº 9.782 de 26 de janeiro de 1999, responsável pelo registro de medicamentos, pela autorização de funcionamento dos laboratórios farmacêuticos e demais empresas da cadeia farmacêutica, e pela regulação de ensaios clínicos e de preços, por meio da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).
Recentes dados divulgados pelo Sindusfarma apontam os números oficiais de desempenho do mercado de medicamentos no Brasil em 2010, onde houve um crescimento no faturamento do setor de R$ 30,1 bilhões para R$ 36,2 bilhões, representando um crescimento de 20,13% em relação ao ano de 2009. No ano passado, os brasileiros compraram 2,06 bilhões de caixas de remédio, maior número até então registrado.
Apesar desse cenário positivo, é evidente a necessidade de melhorias na qualidade da assistência farmacêutica prestada no país, tanto no âmbito do SUS como da saúde suplementar, com políticas que venham garantir efetivamente a ampliação do acesso da população à medicamentos inovadores.
A Política Nacional de Medicamentos, instituida pela Portaria do Ministério da Saúde de Nº 3.916, de 10 de novembro de 1998, parte integrante da Política Nacional de Saúde, que tem por objetivo assegurar o acesso da população a medicamentos seguros e promover o seu uso racional, está com proposta de mudança para status de lei, através do Projeto de Lei Nº 8044/10, de autoria do Senador Papaléo, já aprovado pelo Senado e encaminhado,em dezembro último, para a Câmara dos Deputados. Entende-se que uma política dessa importância deve ter mais permanência e maior abrangência e não se limitar a uma Portaria de âmbito ministerial.
Dentre as diversas políticas implantadas pelo Governo, destaca-se a implantação dos Medicamentos Genéricos, com a aprovação da Lei 9.787/99, de 10/02/99, criando as condições para a produção e distribuição dos genéricos no Brasil, em consonância com as diretrizes adotadas pela Organização Mundial de Saúde, Países da Europa, Estados Unidos e Canadá. A partir do ano de 2000, iniciou-se a concessão dos primeiros registros de medicamentos genéricos e iníco de sua produção.
O mercado de medicamentos genéricos cresceu 33% em 2010, quase o dobro do registrado no setor farmacêutico como um todo. As políticas dos governos a favor dos produtos genéricos e a expiração de patentes de remédios de marca são alguns dos fatores responsáveis por esse crescimento, que deverá acentuar ao longo desse ano até o fim de 2012, em razão do final da patente de cerca de 30 medicamentos com bons índices de vendas.
Na área de medicamentos novos, a aprovação no Brasil também leva em conta dados de preço no mercado internacional. O critério de avaliação hoje utilizado pela Câmara Técnica de Medicamentos – CMED tem causado problemas para as indústrias farmacêuticas, segundo representantes do setor. Entre os fatores de análise considerados pela CMED está o preço fábrica para o mesmo produto praticado em três outros países, acrescido dos impostos devidos no caso de medicamentos novos patenteados no Brasil, ou o custo do tratamento com medicamentos utilizados para a mesma indicação terapêutica, no caso de medicamentos cuja molécula não seja objeto de patente. Esse critério está sendo questionado pela indústria, uma vez que os medicamentos comparadores eleitos pela CMED nem sempre guardam total identidade com o novo produto, uma vez que o órgão por vezes prestigia um medicamento de geração anterior, em virtude de seu preço mais baixo, em detrimento de outro mais assemelhado ao produto em análise.
O avanço da pesquisa com o desenvolvimento de novos medicamentos e a ampliação do acesso aos medicamentos no Brasil passa pelo desenvolvimento da indústria farmacêutica local, com medidas efetivas de estímulo à inovação e do aperfeiçoamento das políticas de assistência farmacêutica.
Refletir de que forma os agentes responsáveis podem se organizar para potencializar os impactos da atual política de medicamentos no Brasil, com controle de preços que reconheça a relevância das pesquisas, respeito à propriedade industrial, política regulatória estável e programas que estimule a pesquisa nacional, são algumas das propostas apontadas pelo segmento. Há, portanto, uma grande necessidade de se pensar instrumentos e mecanismos que possam aperfeiçoar o cenário atual.
 
Tendo em vista, portanto, a relevância do tema, o Instituto Brasileiro de Ação Responsável, realiza no dia 24 de novembro de 2011, em Brasília no Senado Federal, o III Fórum Nacional de Medicamentos no Brasil, compondo as ações do Programa Ação Responsável (assuntos prioritários da agenda do Governo Federal).
Justificativa
Desenvolver mecanismos que alinhem o interesse das indústrias aos das políticas de Estado, que buscam, principalmente, aumentar o acesso da população brasileira aos medicamentos; ampliar investimentos no desenvolvimento de novos medicamentos e fortalecer o mercado de genéricos;
Estabelecer medidas para um ambiente regulatório estável e transparente, que seja plural e alinhado com a pesquisa clínica mundial, para servir de estímulo ao desenvolvimento de novos produtos;
Produzir subsídios para orientar políticas efetivas de governo para o fortalecimento do mercado farmacêutico, mecanismos de segurança para garantia dos investimentos realizados e promover a união entre o governo, academia e indústria, como forma de garantir uma assistência farmacêutica efetiva e de qualidade a todos os brasileiros.
Objetivo
Ampliar debates e espaços para o entendimento das políticas de medicamentos no país, com vistas a identificar e apresentar proposta de encaminhamentos que possam contribuir para a transformação do país num importante pólo produtor e criador de medicamentos, capaz de garantir assistência farmacêutica a todos.
Diretrizes
·          O Ambiente Regulatório e Políticas de Desenvolvimento do Setor
·          A Assistência Farmacêutica pelo SUS
·          Medicamentos Genéricos no Brasil
·          Medicamentos Novos
·          Direito constitucional ao acesso universal a medicamentos inovadores
·          Oportunidades e desafios
Público Alvo
Governos (Poder Legislativo, Executivo e Judiciário); Setor Privado (Indústrias e Comércio); Profissionais de Saúde; Redes Virtuais; Mídias Impressas; Instituições Nacionais e Internacionais; Centros de Pesquisa; Universidades e Terceiro Setor.
Número de Participantes
·          Presencial: 100 profissionais
·          Vídeo conferência com interação em tempo real, com as Assembléias Legislativas
·          Vídeo Streaming (via Internet): Acesso pela página do Senado Federal e Interlegis
·          TV: O Seminário é transmitido ao vivo pela TV Senado e TV Câmara
Alcance superior a 100.000 expectadores.
Realização
Instituto Brasileiro de Ação Responsável.
Coordenação
Agência de Integração à Saúde, Meio Ambiente e Desenvolvimento Social do Brasil - Íntegra Brasil
Instituições Parceiras
Congresso Nacional; Ministério da Saúde; Ministério do Planejamento; Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - PNUD; Agência Íntegra Brasil e Interlegis.
Local, data e horário
Senado Federal, no auditório Senador Antonio Carlos Magalhães no Interlegis - Brasília, dia 24 de novembro de 2011 (quinta-feira), das 9h às 14h.
Informações e inscrições
Pelos telefones (61): 3368-6044; 3274-3191 e 3468-5696
E-mail: mailto:seminarios@integrabrasil.com.br
www.acaoresponsavel.org.br e http://www.integrabrasil.com.br/
É necessário o credenciamento prévio.
Inscrições Gratuitas!
 
 

domingo, 6 de novembro de 2011

NÃO FAÇA MAIS QUE A OBRIGAÇÃO (NA VERDADE, PODE-SE ATÉ FAZER MENOS) E SEJA PREMIADO. E VIVA O DINHEIRO DA AIDS!

Descrição da imagem: mão espalmada pra cima recebendo (ofertando?) várias moedas de diversos valores.

Pessoal, uma vez mais abro espaço no blog para meu amigo de fé e irmão camarada Cláudio Monteiro que desta feita questiona premiações no âmbito do SUS. Boa leitura!
Beto Volpe

Lançado em junho de 2011, a publicação oficial do Ministério da Saúde, Projeto AIDS SUS-2011-2014 (Manual Operacional) apesar de sua  importância capital no realinhamento das estratégias de enfrentamento ao HIV, vem passando despercebida – ou talvez  esteja sendo convenientemente obscurecida. Ao menos, não é perceptível a repercussão desta junto ao movimento social, assim como não se percebe, por parte dos gestores, o empenho condizente a sua importância, quanto à divulgação.

Já em seu resumo executivo, o documento se apresenta como tendo “dois objetivos de desenvolvimento: aumentar o acesso aos serviços de prevenção, diagnóstico e tratamento em DST/HIV e aids para grupos vulneráveis e melhorar o desempenho dos programas de DST e aids nos três níveis de governo, por meio da gestão baseada em resultados e melhoria da governança(grifo nosso). O curioso, para não dizer, o desconcertante, reside no fato de que, entre as estratégias definidas para melhorar o desempenho dos programas de DST e aids (...)e melhoria da governança, consiste no estabelecimento do Sistema de Premiações e Sanções, a incidir sobre as esferas de gestão, referente a utilização dos recursos transferidos pelo Fundo Nacional de Saúde aos Fundos Estaduais e Municipais de Saúde a título de “incentivo” ao cumprimento de metas de enfrentamento ao HIV.

Para que entendamos tal proposição, e principalmente suas profundas implicações, retomemos a História :

O advento, e a conseqüente necessidade de  enfrentamento à epidemia de HIV/Aids (através da proposição e execução de políticas publicas especificas), no Brasil, ocorre, em termos cronológicos, concomitantemente ao processo de construção do Sistema Único de Saúde, ou seja o início dos anos 80. A paulatina regionalização e descentralização da gestão das políticas de saúde, e a conseqüente adesão dos municípios ao SUS, uma vez embasada em indicadores epidemiológicos, pôde prever, e, portanto, destinar recursos, às ações de prevenção e assistência em HIV/Aids.
Assim sendo, a crescente magnitude epidemiológica verificada e a conseqüente necessidade de estruturação de serviços de atendimento a portadores, bem como o desenvolvimento de ações de prevenção, motivou o Governo Federal, pelo Ministério da Saúde, a celebrar acordos com o Banco Interamericano Para a Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), visando a consecução de recurso, destinados a estes fins. A celebração destes, veio possibilitar  que estados e municípios com maiores magnitudes epidêmicas viessem a ter acesso aos recursos, através da celebração, por sua vez, de convênios com o Ministério da Saúde. Tais convênios condicionavam-se a elaboração de instrumentos formai de planejamento, denominados Planos Operativos Anuais (POA)
Nesta modalidade de repasse de recursos financeiros (convênio), a prestação de contas do conveniado ao convenente, é realizada de maneira contábil, ou seja, através da apresentação de comprovantes de despesas, não havendo necessariamente parâmetro de avaliação técnica das ações executadas.
Evidencia-se, portanto que, a forma de financiamento inicialmente desenvolvida pelo Ministério da Saúde para ações de prevenção e assistência em DST/Aids, ou seja, os convênios “POA”, consistiram, nos período compreendido entre 1994 e 2002 enquanto em um anacronismo institucional.  A modalidade convenial de repasse de recursos financeiros obedece a formas contábeis de prestação de contas legalmente determinadas, hodiernamente dadas pela Lei Federal 8.666/93,,diferenciando-se dos mecanismos de repasses financeiros e de controle social, inerentes ao SUS previstos nas Leis Orgânicas da Saúde, regulamentadas pela Norma Operacional Básica 01/96. Este anacronismo referente ao financiamento das ações de HIV/DST/Aids corrigiu-se pela Portaria  MS 2313/02, a qual institui incentivo para Estados, Distrito Federal e Municípios no âmbito do Programa Nacional de HIV/Aids e outras DST, e também pela Portaria MS 2314/02 que aprova a Norma Técnica Incentivo HIV/Aids e outras DST.
Com a habilitação dos municípios os recursos financeiros passam a ser regularmente depositados em conta do Fundo Municipal de Saúde, seguindo assim a lógica dos demais repasses, lato senso, denominados fundo a fundo.
Em agosto de 2004,  por meio da Portaria MS 1679/04,  o MS definiu as normas relativas ao Sistema de Monitoramento da Política de Incentivo no Âmbito do Programa Nacional de DST e Aids.  O monitoramento é realizado (on line, ou de modo convencional), através das informações prestadas unicamente pela esfera de gestão que vem recebendo o recurso. Ou seja, iniciaram-se os repasses a título de incentivo, e somente  dezesseis meses após este inicio, buscou-se o estabelecimento de mecanismos mínimos de controle dos repasses verificados, em vistas ao cumprimento ou não, das metas e ações previstas nos planos..
Estudos acadêmicos desenvolvidos por Silva[1], Taglietta[2] e Monteiro[3], entre outros endossados pelos freqüentes relatos de técnicos dos programas municipais de AIDS indicam que a pactuação de metas, através do instrumento formal de pactuação,  bem como a aprovação destes por instâncias deliberativas não ofertam garantias de que os gestores e gerentes venham a desencadear as ações previstas ao cumprimento das metas pactuadas, ainda que o repasse de recursos financeiros concernentes a estas esteja assegurado.
Complementarmente, a garantia do cumprimento das metas pactudas passa necessariamente pela revisão do das relações institucionais verificadas entre as áreas da saúde e administrativas dos municípios, ou mesmo entre as áreas programáticas de uma mesma Secretaria Municipal da Saúde. Evidencia-se desta forma que a obstacularização ao cumprimento das metas pactuadas pelos municípios, dada por entraves administrativos dos próprios municípios, pode estar ocorrendo em vários municípios habilitados ao recebimento dos recursos do incentivo. Prova maior deste descumprimento generalizado reside no fato de que, de acordo com informações de técnicos do próprio Departamento Nacional de DST, AIDS e Hepatites Virais, a somatória do montante repassado aos Fundos Municipais de Saúde, de 2003 até o presente, e que se encontram “parados” em contas bancárias simplesmente porque as administrações municipais não sabem utilizar o recurso, ultrapassa a cifra de 55 milhões de reais. E isto num país onde o número de casos novos de infecção pelo HIV, anualmente, ultrapassam a casa dos 35 mil casos.
Paradoxalmente, as ferramentas de reversão deste quadro, já existem, e residem, sobretudo, na própria Portaria MS 1679/04 (em que pese a fragilidade deste instrumento em termos auditoriais), e, principalmente na Portaria MS  Nº 399/2006, que define claramente  as responsabilidades da União e dos Estados na regulação, controle, avaliação e auditoria, conferindo aos Estados “monitorar e fiscalizar a aplicação dos recursos financeiros transferidos aos fundos municipais” e à União ”monitorar e fiscalizar a aplicação dos recursos financeiros transferidos fundo a fundo e por convênio aos fundos de saúde dos estados, do Distrito Federal e dos municípios”. A observação e cumprimento desses dispositivos, logicamente, dependem muito mais da decisão política de cada esfera de gestão em fazer valê-los, do que o mecanismo em sí.
Mas, seja como for, os mecanismos de controle, já existem. Vai daí a necessidade de externarmos nossa mais profunda estranheza quanto ao Sistema  de Premiações e Sanções atualmente proposto pelo Departamento Nacional de DST, AIDS e Hepatites Virais.
Mas no que consiste este “sistema”?
De acordo com o texto do documento Projeto AIDS SUS-2011-2014 (Manual Operacional : “As Secretarias Municipais de Saúde participantes da Política de Incentivo poderão receber como prêmio uma bonificação até R$ 50 mil. Para tanto, deverão ter alcançado os seguintes resultados: (...)execução superior a 70% dos valores anuais da PAM (grifos nosso). Ora, o valor mínimo de repasse, pelo Fundo Nacional de Saúde a um determinado município a título de incentivo é de R$ 75 mil. 70 % de R$ 75 mil é igual a R$ 52 mil. Ou seja, um determinado município pode vir a fazer jus a receber um premio no valor quase equitativo ao montante gasto no cumprimento, ainda que parcial, das metas pactuadas. Ou seja: gestões municipais serão premiadas por não terem feito mais do que a obrigação. Ou mais : mesmo que a obrigação não tenha sido integralmente feita, poder-se-á,a inda, ser-se premiado. Mas o “sistema” pensado prevê não apenas “prêmios”, mas também sanções. Mas, ao expor quais sanções seriam estas, o documento resume-se a referendar as pouco exeqüíveis sanções previstas anteriormente na Portaria MS 1679/04.

"Voltando-se ao “prêmio”.

O documento Projeto AIDS SUS-2011-2014 (Manual Operacional) é um tanto lacônico quanto as formas “legais” de utilização do montante, uma vez que dispõe apenas que “o Departamento constituirá um grupo para eleger as SMS a serem premiadas, de acordo com os parâmetros previamente estabelecidos, e indicar como essa premiação deverá ser utilizadaA julgarmos pela história pregressa, na qual o repasse de recursos foi iniciado em inícios de 2003 e a normatização do monitoramento destes oficiou-se quase dois anos depois, é possível que municípios venham a ser premiados e somente após meses os anos, a forma de utilização dos recursos destes “prêmios” sejam disciplinadas.

Neste particular cabe-nos questionar a legitimidade de que tal utilização seja normatizada por um “grupo” do Deptº Nacional de DST, AIDS e Hepatites Virais, uma vez que, por se tratar de um “prêmio”, a instância de decisão de sua utilização para este ou aquele fim, circunscreve-se à competência de decisões dos Conselhos Municipais e Estaduais de Saúde. Ainda que possamos argüir que a execução de uma política pública não é uma gincana, ou um escolar mais ou menos aplicado, sobre os quais incidem “prêmios” e “sanções”, tal questão nos parece menor, frente a uma outra : por que será que a implantação de um sistema de premiação a gestores municipais que não fizeram mais do que a obrigação em utilizar corretamente os recursos recebidos, e a indefinição de como este dinheiro pode ser legalmente utilizado, dá-se a pouco mais de um anos antes das próximas eleições municipais ?

Me desculpem, foi apenas uma curiosidade que me ocorreu.
Cláudio C. Monteiro Jr é bacharel em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo e mestre em Infectologia em Saúde Pública pelo Instituto de Infectologia em Emílio Ribas. Atua desde 1985 no enfrentamento ao HIV, em organizações governamentais e não governamentais, sendo membro da Pastoral da AIDS, CNBB.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Das parcerias e quadrilhas *


Descrição da foto: tronco e membros superiores de um homem trajando terno preto risca de giz, camisa branca, gravata amarela e um belo par de pulseiras ofertadas pelo delegado a unir seus pulsos. Presume-se um sorriso tão amarelio quanto a gravata.

* Artigo publicado na edição de hoje do diário 'A Tribuna do Litoral Paulista'.


É bastante preocupante a declaração do Ministro dos Esportes Aldo Rebelo de que tanto ele quanto seu ministério não pretendem fazer mais convênios com ONGs, A participação da sociedade civil organizada tem sido, desde a redemocratização do país e a promulgação da atual Constituição, uma das ferramentas mais eficazes na promoção dos direitos humanos e na redução da exclusão social, ainda endêmica país afora.  Em alguns setores, como a luta contra a epidemia de AIDS, essa parceria foi fundamental para que o país obtivesse reconhecimento internacional por seus resultados e também para a própria consolidação do Sistema Único de Saúde. Além dos serviços prestados, as ONGs têm papel fundamental na construção e monitoramento de políticas públicas e, sem essa participação muitos dos escândalos noticiados no país sequer teriam ido parar nas páginas dos veículos da imprensa.

O que ocorre, e aí vou concordar com a colocação do Ministro, é que a fiscalização acontece de forma distinta. Nos pequenos convênios, financiamentos e contratos, através dos quais milhares de Instituições sérias conseguem atuar para realização de seus objetivos, boa parte do tempo é gasto com inúmeros relatórios, planilhas e consolidados. Ao passo que quase todos os políticos têm uma organização social ‘parceira’, muitas confundindo firmar parceria com formar quadrilha. E quando surge um escândalo, ele envolve milhões de reais. Não tenhamos dúvidas que muito vai se ouvir falar de ONGs apoiando este ou aquele candidato nas eleições do ano que vem, não raro sendo sócio fundador da mesma instituição.

Em 2009 tive o orgulho de defender duas teses sobre saúde pública no Supremo Tribunal Federal e foi a oportunidade de frisar que existem ONGs e ONGs. Que muitas sequer merecem ser chamadas assim, dada a promiscuidade com os mesmos órgãos públicos com os quais o Ministério dos Esportes pretende dar exclusividade em convênios. No entanto, existem trabalhos sérios que não devem ser colocados no mesmo balaio da corrupção, dentre elas a Instituição que tenho orgulho de ser fundador e de sua atuação na luta contra a AIDS.

Não há dúvidas que as relações entre governo e sociedade civil organizada devem ser transparentes e para isso é necessária a divulgação de todos os projetos apoiados com dinheiro público em um único sítio de informações, como defendido na mesma audiência pública. E não relacionar somente os objetivos e valores envolvidos, como ocorre na maior parte dos casos, mas especialmente as atividades desenvolvidas nos projetos e sua periodicidade, garantindo condições de monitoramento pela própria comunidade envolvida. Isso também ajudaria a separar o joio do trigo no movimento social, hoje infestado por aventureiros e escroques de várias procedências, mas com o objetivo único de lesar o patrimônio público.

Vale lembrar o compromisso de campanha da presidenta Dilma de que o governo federal iria se ‘pautar por uma relação democrática, respeitosa e transparente com as organizações da sociedade civil’. E assim deve ser, afinal são as ONGs que mais contribuem para o controle social de políticas públicas, atuando em conselhos e conferências para melhoria dos serviços prestados pelo governo. Portanto, Ministro Aldo Rebelo, se o seu partido não tem condições de fiscalização dos convênios que celebra e como saída acha melhor abrir mão de parcerias sérias e sustentáveis, é favor não estimular com que seus colegas de primeiro escalão sigam essa idéia. O país terá muito a perder e quem mais sofrerá, como sempre, será o povo brasileiro.

Beto Volpe
Fundador do Grupo Hipupiara
Ativista e consultor em  Direitos Humanos na área da Saúde

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

O humor intolerante

Descrição: a sem graça Maisa, pupila de Sílvio Santos, declarando que odeia piada sem graça
Descrição da imagem: a igualmente sem graça Maisa declarando, através de um balão de HQ, que não aguenta piada sem graça…

Se o amor é um passo pruma armadilha, como disse Djavan, o humor é a própria armadilha. Quem, como eu, o tem como uma forte característica de trabalho sabe o quanto é perigoso fazer graça com temas sérios. Um pequeno deslize e você atravessa a tênue linha que separa o engraçado do ofensivo. São vários os exemplos onde personalidades teceram comentários humorados diante de assuntos delicados e tiveram suas carreiras marcadas para todo o sempre. O maior deles talvez seja o de Marta Suplicy, sexóloga pioneira na TV brasileira, política, gestora da maior cidade da América do Sul e que será lembrada por toda a eternidade por seu comentário sobre o tumulto nos saguões durante a crise dos aeroportos:

- Relaxa e goza.

Ela disse exatamente o que se deve fazer nessa situação, procurar não se estressar e arrumar algo prazeroso para fazer. Só que o fez de forma engraçadinha, a frase não caiu nada bem e foi uma das mais repetidas na propaganda eleitoral de seus adversários políticos. Outro grande exemplo é o de Paulo Salim Maluf quando concorreu à presidência da República em 1989, defendendo endurecimento da pena para estupros seguidos de morte:

- Estupra, mas não mata.

E esse se tornou, sem sombra de dúvidas, um dos feitos mais lembrados de sua extensa e intensa carreira política. Pois bem, muito tem se falado sobre os limites do humor e até mesmo se esse limite deve ou não existir. Também se questiona as mesmas coisas sobre o politicamente correto, se está ocorrendo um excesso na defesa dos direitos individuais e coletivos ou é esse o caminho para uma sociedade mais justa e solidária.

Quem assistiu aos programas humorísticos do século passado lembra que não havia nada disso, tudo era motivo para piadas de gosto bastante questionável, recheadas de estereótipos e pouco importava se aquele quadro não tinha graça nenhuma para quem se identifica com a personagem. Não era nada fácil para mim assistir, ao lado de meus pais, piadas ridicularizando homossexuais. Da mesma forma como não deve ser fácil para um idoso ver a expressão de aversão de Danilo Gentilli, um dos bufões do CQC, ao dizer em seu programa de Stand Up veiculado em um canal da TV paga:

- Vocês já viram a sala de espera da saúde pública? Tem mais velho (nesse momento entra a cara de nojo) que a piscina do Cocoon.

Nesse exemplo fica muito claro onde ele escorregou, foi no sentimento transmitido pela fisionomia que alterou completamente o sentido da piada. Passou de graça a ofensa. Danilo tem nojo de velhos? Ele tem mãe? Ele espera ter um futuro longevo? Outro dos pupilos de Marcelo Tass que parece que perdeu a mão foi o bom e inteligente Rafinha Bastos. O gaudério jornalista não deve se sentir ofendido por piadas de gaúchos, pois ser gaúcho não é uma situação que provoca exclusão social e nem sofrimentos. Pelo contrário, é um povo reconhecido por sua auto estima elevada e que ri dessas piadas todas. Portanto ele não deve saber o que é a dor de se ver retratado de forma ridícula em um meio de comunicação, expondo essa pessoa da mesma forma à sociedade com a qual ela convive. Como a maneira com que foram mostradas pessoas com deficiência intelectual no quadro Comédia MTV, que resultou em ação pública.

Sou árduo defensor da liberdade de pensamento e de expressão. Vivi minha infância e juventude sob a rígida ditadura militar, não podendo falar nada e sei quão cara é essa tal Liberdade. Mas também defendo o direito de qualquer pessoa em procurar justiça caso se sinta insultada ou constrangida por piadistas de mau gosto, seja de forma espontânea ou através da Justiça. Engraçado que quando se fala em reparação, os ‘inimigos’ do politicamente correto se levantam e gritam que ‘se fosse nos Estados Unidos ele poderia falar o que quiser’. E esquecem de mencionar o tanto de processos que correm neste momento no sistema judiciário norte americano justamente por ofensas feitas por, repito, piadistas.

Wanessa Camargo e o marido vão processar Rafinha pela graça sobre sua gravidez. O mesmo está ocorrendo com o rapaz no 4º DP de São Paulo, onde o mesmo foi denunciado por apologia ao estupro. É, a discussão vai longe, mas parece que a tendência é a de que um ser humano ofendido vale mais do que um milhão de piadas idiotas juntas. Não é preciso ser intolerante para ser engraçado. Aliás, a intolerância não tem graça nenhuma, a não ser para os intolerantes.

Beto Volpe

Artigo publicado originalmente em http://www.imprenca.com/

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Cobaias de Deus

Descrição da imagem: lado a lado, reprodução do Homem Vitruviano de Leonardo da Vinci e um ser bípede vermelho com quatro grandes braços cascudos, patas e uma cabeça muito pequena, contrastando com seu peitoral. Traja roupinha clubber branca e preta.


"Se você quer saber como eu me sinto, vá a um laboratório, um labirinto. Seja atropelado por esse trem da morte. Vá ver as cobaias de Deus!"
Cazuza

Pessoal, não sei ao certo por quanto tempo estarei limitado, o fato é que amanhã serei submetido à minha 20ª cirurgia , a primeira de uma série de três ou quatro até o final do ano. Aguardem bolão sobre o local da 24ª, o vencedor ganhará um prêmio especial do blog. Enfim, mais uma patologia comumente encontrada entre idosos e a certeza cada vez mais presente de que o futuro virou coisa do passado e que meu corpo físico está envelhecendo antes do tempo. Lipodistrofia, osteoporose, problemas de ereção, cânceres, demência e agora catarata. Acabo de completar 50 anos de idade, mas meu corpo me diz que tem 70. Ainda bem que o espírito se renova a cada dia e a pele não foi atingida pelo amadurecimento precoce, isso balanceia a situação e permite tocar em frente.

Quando o coquetel chegou e percebemos que ainda não seria hora de embarcar, cada qual para sua dimensão, aceitamos o fato de que teríamos conseqüências pelo uso continuado de medicamentos potentes e que sequer completaram o processo formal para sua aprovação. E aí não vai uma crítica, não fosse essa celeridade não haveria o Carga Viral. Igualmente sabemos que a covivência por longo tempo com organismo invasor tão ardiloso nos modificaria de alguma maneira, não há casa que não se molde a seu inquilino, em algum aspecto ou intensidade. E, mesmo o governo e a ciência sabendo disso, ainda ouvimos de gestores, profissionais de saúde e até de alguns médicos a pérola da comodidade:

- Vocês estão envelhecendo como todo mundo.

Não é o que diz pesquisa da UFRJ, já mencionada em artigo meu na Folha de S. Paulo e comentada neste blog, onde o crescimento de óbitos por problemas cardiovasculares foi de 0,8% entre pessoas que não têm o vírus HIV em seu corpo ao passo que entre pessoas vivendo o índice salta para 8%¨ao ano. Igualmente díspares são os de cânceres, 8% contra menos de 3&. Também não é o que retrata pesquisa do Instituto de Traumatologia e Ortopedia do Hospital das Clínicas de São Paulo, do qual sou cliente há onze anos, de que 16% das pessoas vivendo com HIV têm sérios problemas ósseos como osteoporose e osteonecrose. Também não é bem um envelhecimento natural  vermos mulheres entrando na menopausa antes dos 30 e homens da mesma idade passando por frustrações sexuais que sequer eram consideradas antes dos 60. E não são poucos nem poucas, o desequilíbrio hormonal é uma das características dessa nova fase da epidemia, a fase pós coquetel.

Como está o estado de espírito dessas pessoas? As que foram levadas a uma situação de deficiência estão tendo acesso aos serviços de saúde e a outros mecanismos sociais? A referência e contra referência com outras disciplinas médicas como oncologia, cardiologia e ortopedia está sendo satisfatória? E a prevenção a esses agravos, como está? Onde estão os dados sobre a qualidade de vida das pessoas vivendo com HIV? Estão empregadas ou engrossaram as estatísticas de desemprego? ONDE ESTÁ O INTERESSE NA QUALIDADE DE VIDA DAS PESSOAS VIVENDO COM HIV? Já disse, sabemos que assinamos um contrato com o imponderável, mas esperamos uma pronta reação do governo e da sociedade civil para essas questões. Afinal, a portaria da lipodistrofia, antiga conhecida, sequer está implementada em boa parte do país.

Os dados estão saindo, ao menos isso. Até pouco tempo era apenas nossa percepção e nossa indignação que rasgavam espaços em aberturas de congressos e em reuniões com gestores e SEMPRE FORAM NEGLICENCIADAS sob o argumento de que não havia dados a respeito. E agora, qual será a desculpa, tanto do Estado quando da sociedade civil organizada para varrer os efeitos colaterais para debaixo do tapete? Não dá mais para conviver com o princípio de que estamos vivos e que, dadas as perspectivas anteriores ao coquetel, isso deveria nos bastar.

Queremos de volta a URGÊNCIA na solução de problemas da AIDS.
Queremos a CURA.
Queremos qualidade de vida.
Queremos editais de pesquisas que revelem como está ela está, mas que não sejam tecnicistas, onde nem médicos se atrevem a se inscrever.
Queremos eventos científicos a respeito do assunto com nossa participação em todos os passos da organização. Nada sobre a gente sem a gente.
Queremos, sobretudo, que nossa voz seja ouvida. Mas... Que voz? Quem deveria gritar está ocupado demais discutindo eventos e projetos.

E que seja respeitado o Código de Nuremberg. Afinal, não somos cobaias de Deus Somos cobaias a serviço da humanidade e da evolução científica.

Beto Volpe